Filósofos John Searle e Daniel Dennett falam sobre o mistério da consciência

Os filósofos americanos John Searle e Daniel Dennet, considerados talvez os dois maiores especialistas vivos em filosofia da mente, palestraram no TED sobre aquele que parece ser o principal problema dessa área da filosofia: a consciência.


Palestra ministrada pelo professor Dr. João Teixeira, da Universidade Federal de São Carlos-SP (UFSCAR), na universidade do Minho, em Portugal, sobre filosofia da mente.

Dicas de estudo

Semana passada o G1 publicou uma matéria contando como eu fiz o Enem só para testar meus conhecimentos e acabei passando em medicina na UFPB, um dos cursos mais concorridos do Brasil. Muitas pessoas acharam a história inspiradora, especialmente porque, em dado momento da matéria, eu digo o seguinte:

“Alguns amigos e familiares dizem que eu passei em medicina sem estudar. Isso não é verdade. Eu estudei o conteúdo do Enem, só que isso faz uns 7 anos. A grande questão é que eu estudei do jeito certo, e não como a maioria das pessoas estudam. As pessoas costumam estudar para o vestibular, para o concurso, para a prova de amanhã. Passado o dia da prova, simplesmente ‘deletam’ toda a informação, porque ela não foi sedimentada, ficou ali apenas provisoriamente, na memória de curto prazo. Esse é o problema de estudar para uma prova e não para a vida. Quando se estuda para a vida, do jeito certo, sem atalhos, sem ‘decoreba’, sem fórmulas mágicas, o aprendizado é para sempre e os bons resultados em provas são apenas uma agradável consequência.”

medicina G1

Logo depois que a matéria foi publicada no G1, perdi o controle do meu perfil no Facebook e não consegui acompanhá-lo mais. Foram literalmente centenas de chamadas no bate papo, centenas de solicitações de amizade, centenas de compartilhamentos, milhares de comentários e incontáveis curtidas. As pessoas começaram a me procurar principalmente porque queriam saber o que eu quis dizer com “estudar do jeito certo”, o que significa “estudar para a vida”, como é a minha rotina de estudos, quais dicas e macetes eu tenho para dar, enfim, como passar em concursos e vestibulares. Então eu resolvi começar aqui no blog uma série com dicas de estudo. Quando anunciei isso no Facebook, as pessoas demonstraram bastante interesse em acompanhar a série, e o G1 novamente me procurou dizendo que estavam interessados em publicar outra matéria. Eles me convidaram a gravar nos estúdios da TV Cabo Branco, afiliada da rede Globo na Paraíba. Ganhei muito mais visibilidade depois que fui parar na página inicial do G1.

dicas-estudo-G1

No vídeo, dou algumas dicas que considero valiosas não apenas para vestibulandos e concurseiros, mas para qualquer pessoa sinceramente interessada em melhorar seu rendimento nos estudos:

Eu vejo esse pessoal nos cursinhos, quase sem vida social, passando horas trancado num quarto com a cara nas apostilas, com a mente fechada no programa das disciplinas, preocupados apenas com aquilo que eles acham que pode “cair” na prova, decorando dezenas de fórmulas e achando que isso vai lhes garantir um bom desempenho. Na minha opinião, é muito improvável que isso aconteça.

A minha principal dica é: não estude só o que você acha que pode cair na prova; não fique com a mente fechada, preocupado em estudar só aquilo que está previsto no programa. Seja uma pessoa curiosa. Queira saber um pouco sobre tudo. Estude também aquilo que você acha que não tem a menor chance de cair na prova, mas que você simplesmente gosta de estudar, aquele assunto sobre o qual você tem um interesse pessoal, aquele assunto aparentemente inútil, mas que você consegue estudar apenas por prazer.

Você deve estudar não para passar no vestibular ou num concurso: você deve estudar para aprender; e a consequência agradável de estudar para aprender é passar nessas provas. Quando o sujeito estuda para passar num exame, geralmente não passa. Mas quando ele estuda para aprender, passar é consequência. Todo aluno que, durante uma aula, pergunta ao professor se determinado assunto “vai cair”, dificilmente vai passar, porque ele está interessado em passar no exame e não em aprender.

Essa dica que eu dou é muito semelhante a esta outra do professor Olavo de Carvalho, que eu só vi bem depois de gravar a matéria para o G1:


O ciclo diário

Minha rotina de estudos é baseada num método que o professor Pierluigi Piazzi ensina em suas palestras sobre estimular a inteligência. Esse método consiste em obedecer um ciclo diário composto de três etapas: (1) assistir aula para entender; (2) estudar para aprender; e (3) dormir bem para fixar. Nessa ordem.

Antes de tudo, é preciso entender a função das aulas. O estudante brasileiro médio tem o péssimo hábito de achar que aula serve para aprender, e por isso não estuda depois da aula. Um erro comum é fazer dois cursinhos para ter um maior número de aulas, achando que isso vai melhorar o seu rendimento. Isso não vai ajudar, e o motivo é bem simples: Assistir aula não serve para aprender, mas para entender a matéria e tirar dúvidas. É o estudo pós-aula que serve para aprender. A diferença entre entender e aprender pode parecer muito sutil, mas não é. Quando o professor explica uma matéria, seu objetivo é que o aluno consiga acompanhar o raciocínio e então possa dizer consigo mesmo: “Ah, entendi!”. Se o aluno prestou atenção na aula e entendeu o que ele disse, a função da aula foi cumprida. Ao fim da aula, porém, o aluno ainda não aprendeu o assunto, ele apenas o entendeu. Ele pode até lembrar de tudo na prova que será aplicada uma semana depois, tirar uma boa nota e passar com facilidade. Mas ele ainda não aprendeu de verdade.

O que faz o estudante absorver a matéria e realmente aprender não é a aula. Como eu disse, aula serve pra te fazer entender o assunto. É o estudo pós-aula que serve para aprender. Assistindo aula com atenção, o aluno entende o que o professor disse, mas aquela informação fica guardada na memória de curto prazo (uma espécie de memória RAM do cérebro) e, se nada for feito, será perdida em poucos dias. Para que isso não aconteça, o aluno precisa revisar e reforçar o mesmo conteúdo sozinho depois da aula. Só depois que ele faz essa espécie de backup é que aquelas informações vão para a memória de longo prazo (algo como o HD do cérebro) e pode-se dizer que houve de fato aprendizado. Portanto, o que realmente vai fazer a diferença é o momento em que você estuda sozinho, não o número de aulas que assistiu. Mas isso não significa que vale “gazear” ou dormir nas aulas: como já foi dito, elas são importantes para entender a matéria e tirar dúvidas. Ou seja, as aulas servem para nortear o estudo individual. Se o sujeito tem aula o dia inteiro, quando é que vai poder estudar? Ele vai só entender momentaneamente a matéria, mas não vai aprender; a sua cabeça vai virar uma bagunça e ele vai esquecer logo, porque o conhecimento não foi sedimentado.

Sobre aumentar a quantidade de aulas, especialmente em cursinhos, penso o seguinte: Nada contra fazer cursinho, mas esteja sempre ciente de que nenhum cursinho, por mais caro que seja e por mais professores famosos que tenha, pode te fazer passar em nada. A função do cursinho é te orientar, te ajudar a estudar. O seu estudo individual é que te fará passar. Ademais, a própria existência de cursinhos é a evidência de que o sistema educacional brasileiro não funciona; porque se funcionasse não existiria o cursinho. Qual é o perfil do aluno de cursinho? É o cara que descobriu tarde demais que fez tudo errado na escola e agora está correndo atrás do prejuízo. Eu mesmo, como sempre estudei em escola pública, uma vez resolvi fazer cursinho para complementar algo que supostamente teria faltado na minha formação básica. Isso foi logo após eu ter concluído o ensino médio. Comecei a trabalhar, me matriculei na turma da noite, paguei as mensalidades, comecei a ir, mas devo confessar que não aguentei passar mais de dois meses naquele ambiente. Eu ficava me perguntando o que estava fazendo ali. No segundo mês deixei de ir para ter mais tempo de estudar sozinho em casa. Foi uma ótima decisão.

O professor Pierluigi Piazzi costuma dizer que o maior problema da educação brasileira é que ela tem milhões de alunos, mas pouquíssimos estudantes. Segundo ele, aluno é quem assiste às aulas. A coisa mais fácil do mundo é ser um aluno. Basta estar matriculado e frequentar as aulas que você já é um aluno. Mas ainda não é um estudante. Estudante é quem estuda. E estudar não significa assistir aula, mas revisar o conteúdo da aula em casa. Portanto, quando você assiste aula, você é um aluno; quando chega em casa, faz os exercícios e revisa o conteúdo da aula, você é um estudante.

As neurociências já mostraram que é muito importante, após um dia de aula e estudo, que você tenha uma boa noite de sono. Você entende o assunto na aula, estuda para reforçar, mas é durante o sono que o seu cérebro organiza aquelas informações e consolida o conhecimento. Somente após essa consolidação é que o aprendizado é definitivo. Por isso é importante que você revise o conteúdo das aulas no mesmo dia, antes que se passe uma noite de sono, enquanto as informações ainda estão frescas na memória. Além de evitar acúmulo, estudar o conteúdo visto em sala de aula no mesmo dia fará com que seu cérebro entenda que aquilo é importante e memorize com mais facilidade. Se você assiste aula hoje e deixa para estudar aquele assunto no outro dia, não é a mesma coisa, porque você certamente já perdeu muita informação. Recapitulando: Na aula você entende, no estudo você aprende e numa boa noite de sono você fixa. Esse é o ciclo. Vale mais estudar pouco e todo dia do que estudar muito mas sem regularidade.


Individual e ativo

Vimos que uma boa rotina de estudos obedece um ciclo do aprendizado: (1) assistir aula para entender, (2) estudar para aprender e (3) dormir bem para fixar. Ora, a aula quem prepara é o professor, não você. Você tem pouquíssimo controle sobre o conteúdo das aulas, porque ele geralmente é escolhido pelo professor, e este tem que obedecer um certo programa. Sobre o processo de sedimentação do conhecimento no seu cérebro durante o sono você também não tem nenhum controle, porque isso acontece enquanto você está literalmente inconsciente. Então a única etapa desse processo sobre a qual você tem pleno controle é a hora de estudar, e é precisamente sobre essa etapa que eu quero dar mais algumas dicas.

Eu já disse que há uma diferença básica entre aluno e estudante: aluno é quem assiste as aulas, estudante é quem estuda. Mas isso não é tudo. Existe outra diferença fundamental entre ser aluno e estudante, ou seja, entre assistir aula e estudar. Assistir aula é uma atividade COLETIVA e PASSIVA: você está em grupo e ouvindo o professor. Estudar é uma atividade INDIVIDUAL e ATIVA: você deve estar sozinho e escrevendo. Por mais legal que seja se reunir com os amigos para estudar, você acaba falando mais de outras coisas e as dúvidas permanecem. Portanto, se você quer ser um estudante de verdade em vez de apenas um aluno, você deve revisar o conteúdo das aulas e fazer os exercícios propostos sozinho em casa.

Um grande defensor dessa ideia de que só se aprende de verdade no estudo individual e ativo é o professor Pierluigi Piazzi. Ele costuma dizer que “ninguém está estudando se não estiver escrevendo”. Portanto, não se contente em apenas ler; isso não é estudar. Também não é suficiente sublinhar as partes mais importantes do texto ou sinalizá-las com um marca texto. Para estudar você precisa rabiscar e escrever, de preferência à mão.

Segundo o professor Pier, como é carinhosamente apelidado pelos seus alunos, muitas pesquisas nas neurociências indicam que os alunos que escrevem à mão aprendem mais do que quem só digita. “Você tem movimentos totalmente distintos para escrever cada letra à mão, mas isso não acontece quando você está digitando. Isso faz com que mais redes neurais sejam ativadas no processo da escrita. (…) Aquilo que você escreve à mão vai pro teu HD; aquilo que você digita vai pro HD do computador. E na hora de fazer uma prova de vestibular ou prestar um concurso público, o computador que você leva é este, sua cabeça. É esse computador que você deve treinar mais”, diz.

Mas não é porque precisa estudar escrevendo que você deve sair copiando todo o conteúdo do livro. Faça resumos, resenhas e esquemas da matéria. Para saber o que vale a pena escrever, faça de conta que está preparando uma cola para uma prova. Por ter pouco espaço e pouco tempo para consultá-la, é preciso ser conciso, mas, ao mesmo tempo, abordar os pontos principais. É justamente isso que você deve escrever.


Educação egoísta

Depois de estudar um assunto, ou toda vez que aprender algo novo, é interessante, sempre que possível, ensinar o que você aprendeu. Se ninguém estiver disposto a lhe ouvir, uma alternativa é explicar a matéria para si mesmo. De qualquer modo, ensinar é a melhor forma de aprender. Isso acontece porque, para ser capaz de ensinar algo, é necessário que aquele conhecimento esteja tão bem sedimentado que você acaba aprendendo muito melhor. Quando você lê ou ouve algo, retém um pouco. Quando você estuda, retém um pouco mais. Mas o ápice da retenção é quando você ensina.

Ensinar o que aprendeu é importante nem tanto pelo interesse altruísta de compartilhar o conhecimento. É claro que isso também é importante, mas no sentido que eu proponho, o interesse é principalmente seu. Murilo Gun chama isso de “educação egoísta”, que é quando você ensina com o objetivo principal não de que a outra pessoa aprenda, mas de que você mesmo aprenda enquanto ensina. Ouça o que ele diz sobre isso:


Concentração e foco

Nosso cérebro é meio fanfarrão: na hora de pensar em estratégias para aquele jogo complicado de videogame ou de ler aquela revista que você adora, ele coopera facilmente. Mas quando é preciso sentar e estudar um pouco, é difícil manter a concentração. Pensando nisso, o portal Guia do Estudante listou algumas dicas para ajudar seu cérebro a se concentrar na hora dos estudos. Como cada pessoa tem um jeito diferente de funcionar, nem todas essas dicas serão igualmente eficientes para todo mundo. Então é bom fazer uns testes até descobrir quais dão certo para você.

Primeiramente, sacie suas necessidades mais básicas. Não adianta começar a estudar se você estiver com fome, sede, sono ou calor. Você certamente não conseguirá manter o foco. Por isso, o ideal é se organizar para que todas essas necessidades do corpo estejam satisfeitas e saciadas antes de começar os estudos. Ter uma boa noite de sono, se alimentar nos mesmos horários e de forma correta, e criar um ambiente confortável e adequado é fundamental para aumentar o potencial do seu aprendizado.

Desligue todos os aparelhos eletrônicos (exceto o que você estiver usando para estudar, se estiver). Na hora de estudar, nada de deixar o celular por perto te avisando de cada notificação no Facebook ou no Whatsapp. E nem caia na tentação de abrir o Facebook só por “dois minutinhos”. Esses dois minutinhos sempre se estendem e acabam com toda a sua concentração. Não é proibido estudar ouvindo música – há quem precise dela para se concentrar. Mas evite ouvir músicas em idiomas que você entenda – isso pode fazer com que você desvie sua atenção para a letra e esqueça momentaneamente a matéria.

Evite a monotonia. Uma conversa no mesmo tom de voz e sem movimento faz com que a gente fique com sono ou comece a pensar em outras coisas. Com os estudos, acontece o mesmo. Se você se limitar a ler textos por muito tempo, a tendência é perder o foco e ficar com sono. O estudo torna-se bem mais interessante e produtivo quando você adota uma postura ativa. Se você estuda pela internet, revese o acompanhamento de uma videoaula com a leitura da teoria seguida da resolução dos exercícios didáticos.

Respeite seu tempo. Se você é mais produtivo de manhã, à tarde ou à noite, deixe para estudar as matérias mais difíceis nesse período. Quando sentir que a concentração não está rolando de jeito nenhum, faça uma pausa nos estudos e depois volte. Manter intervalos regulares é fundamental – e a frequência vai depender do seu ritmo. Crie um pequeno ritual antes de estudar. Pode ser um alongamento, pegar uma xícara de café ou um copo de suco para deixar na sua mesa, ou o que mais achar melhor. Com o tempo, seu cérebro vai entender quando for a hora dos estudos e ficará mais fácil se concentrar.


As quatro etapas

Leitura panorâmica: Antes de se aprofundar no texto, respire fundo e procure ter uma ideia geral do que tem diante de si. Isso pode ser feito com uma leitura rápida, superficial, panorâmica, que lê apenas o início e o final de cada parágrafo. Seu objetivo é apenas reconhecer o texto, identificar o tema, saber como ele se desenvolve, se parece fácil, difícil, longo ou breve. É quase uma etapa preliminar ao estudo, que cria uma expectativa sobre o aprendizado.

Marcação e sublinhado: Tendo uma noção geral, leia o texto com calma, como está acostumado, com o objetivo de destacar o que parece ser o mais importante ou o que desperta especial interesse. Esse destaque merece ser feito em dois momentos. Em primeiro lugar, marque os trechos que parecem ser os mais importantes com um colchete na margem do texto. Nesse primeiro momento, evite sublinhar enquanto lê, porque isso geralmente resulta em um sublinhado excessivo, com frases ou até mesmo parágrafos inteiros marcados. Se esse trecho é importante, uma marcação simples ao lado do texto servirá para o destaque. Faça isso com todo o texto. Após a marcação dos trechos, volte diretamente a cada um deles e sublinhe suas palavras-chave. O objetivo é facilitar a identificação do que trata o trecho destacado. Proceda dessa forma com todos os trechos marcados.

Anotações e rascunhos: Com base no que foi marcado e sublinhado, faça anotações livres em uma folha a parte, de próprio punho. Pode ser na forma de esquema, mapa conceitual, linha do tempo, tabela, contendo desenhos, cores ou o que você julgar útil para registrar o que destacou no texto. Geralmente, é nesta etapa que você perceberá que está aprendendo, pois o que faz é, do seu próprio modo, estabelecer relações entre os conceitos do texto. Assim, estará criando algo que é seu com base no material de estudo.

Exercícios: Após as anotações, é preciso saber o quanto aprendemos, o que é feito com exercícios. Eles podem ser de vários tipos, desde a resposta às questões prontas do livro didático até a atividade de refazer anotações sem consulta ou ensinar o conteúdo para alguém. Os exercícios revelam o que precisa ser reforçado no aprendizado. São a força motriz para iniciar um novo ciclo de estudo: leia, marque, sublinhe e complete as anotações com o que faltou ou precisava de maior detalhamento.


Infográficos da revista Superinteressante

como estudar sozinho em casa

como estudar para uma prova


Maioria dos métodos de estudar para provas não funciona

Os métodos favoritos de se preparar para provas escolares não são os que garantem os melhores resultados para os estudantes, segundo uma pesquisa feita por um grupo de psicólogos americanos. Universidades e escolas sugerem aos estudantes uma grande variedade de formas de ajudá-los a lembrar o conteúdo dos cursos e garantir boas notas nos exames. Entre elas estão tabelas de revisão, canetas marcadoras, releitura de anotações ou resumos, truques mnemônicos ou autotestes. Mas segundo o professor John Dunlosky, da Kent State University, nos Estados Unidos, os professores não sabem o suficiente sobre como a memória funciona e quais as técnicas mais efetivas. Dunlosky e seus colegas avaliaram centenas de pesquisas científicas que estudaram dez das estratégias de revisão mais populares, e verificaram que oito delas não funcionam ou mesmo, em alguns casos, chegam até a atrapalhar o aprendizado.

Então, o que funciona? Somente duas das dez técnicas avaliadas se mostraram efetivas: testar a si mesmo e espalhar a revisão em um período de tempo mais longo. “Estudantes que testam a si mesmos ou tentam recuperar o material da memória vão aprender melhor no longo prazo. Comece lendo o texto e então faça cartões de estudo com os principais conceitos e teste a si mesmo. Um século de pesquisas mostra que a repetição de testes funciona”, diz Dunlosky. Isso aconteceria porque o estudante fica mais envolvido com o tema e menos propenso a devaneios da mente. “Testar a si mesmo quando você tem a resposta certa parece produzir um rastro de memória mais elaborado conectado com seus conhecimentos anteriores, então você vai construir o conhecimento sobre o que já sabe”, diz o pesquisador. A melhor estratégia, porém, é uma técnica chamada “prática distribuída”, de planejar com certa antecipação e estudar em espaços de tempo mais espalhados – evitando, assim, de deixar para estudar de uma vez só na véspera do teste. Dunlosky diz que essa é a estratégia mais poderosa: “Os estudantes que concentram o estudo podem passar nos exames, mas não retêm o material. Uma boa dose de estudo concentrado após bastante prática distribuída é o melhor caminho”.

Fonte: BBC Brasil.


Dicas do professor Pier

O professor italiano Pierluigi Piazzi explica como estudar melhor e estimular a inteligência. Se você, como eu, quer se tornar mais inteligente, vale muito a pena encontrar tempo e ouvir o que este senhor tem a dizer.

As capitais continentais

Em mais uma de minhas divagações ociosas, estive me perguntando qual seria a capital de cada continente do mundo. Por “capital”, leia-se cidade mais importante, levando em consideração os pontos de vista político, econômico, cultural, histórico e geográfico. Eis as minhas sugestões:


CAPITAL DA AMÉRICA DO SUL: SÃO PAULO

Correndo por fora: Buenos Aires, Rio de Janeiro e Santiago

Na América do Sul, não há cidade à altura de São Paulo (Brasil) e Buenos Aires (Argentina) que ousem se candidatar ao título de capital do continente. Rio de Janeiro (Brasil) e Santiago (Chile) não têm a menor chance nessa disputa. Entre as duas gigantes sul-americanas, São Paulo ganha da rival argentina em quase todos os quesitos. Enquanto Buenos Aires tem melhor IDH e a língua mais falada no continente (espanhol), São Paulo está geograficamente mais ao centro do continente, pertence ao maior e mais importante país, tem uma população muito maior, um PIB muito maior, e é o maior centro financeiro da América Latina (e de todo o hemisfério sul). Por esses e outros motivos, São Paulo é a capital informal da América do Sul.


CAPITAL DA AMÉRICA DO NORTE: NEW YORK

Correndo por fora: Chicago e Los Angeles

Considerando o continente americano como um todo, nem São Paulo, nem Buenos Aires, nem a Cidade do México, nem as canadenses Toronto, Montreal e Vancouver se colocam em par de igualdade com as grandes metrópoles dos Estados Unidos: New York, Chicago e Los Angeles. Dentre essas, Chicago, apesar do porte e importância, logo cai fora da disputa. Los Angeles se sobressai por pertencer ao mais rico e próspero estado americano, a Califórnia. Também por abrigar Hollywood. Mas não chega a igualar-se a New York nem em população, nem em PIB, nem em importância cultural e histórica. New York é para o mundo um símbolo da América e merece com folga esse título de capital das Américas.


CAPITAL DA EUROPA: LONDRES

Correndo por fora: Paris, Roma e Atenas

O velho continente poderia muito bem ser representado por Roma (Itália) ou Atenas (Grécia). Essas cidades históricas são o berço da nossa cultura e civilização ocidental e foram consideradas os centros do mundo na Antiguidade, mas nos dias de hoje não têm força suficiente para competir com Londres (Reino Unido) e Paris (França) pelo posto de capital da Europa. Entre essas duas, Paris leva vantagem por estar localizada mais no centro do continente, enquanto Londres fica numa ilha ao norte (Grã-Bretanha), mas as vantagens da capital francesa param por aí. Londres foi a capital do maior império de todos os tempos, tem mais gente, um PIB ligeiramente maior e um argumento que desbanca de vez a rival francesa: é o berço da língua universal, o inglês.


CAPITAL DA ÁFRICA: JOANESBURGO

Correndo por fora: Cairo

A cidade do Cairo (Egito) tem a seu favor o fato de estar localizada no norte do continente africano, portanto bem mais próxima da Europa e da Ásia, o que em tese facilita o comércio e a troca cultural com esses outros continentes. Além disso, ela é a capital e cidade mais importante do Egito, uma das nações mais antigas do mundo, e bebe das águas do maior e mais importante rio do continente, o Nilo (sem falar nas maravilhosas pirâmides). Mesmo assim, Joanesburgo (África do Sul) hoje supera Cairo em quase tudo. Joanesburgo é hoje a maior e mais rica metrópole do continente, responsável por 10% do PIB africano. Isso dá a ela o título de capital da África.


CAPITAL DA ÁSIA: TÓQUIO

Correndo por fora: Xangai, Pequim, Hong Kong, Singapura e Seul

Xangai (China), Pequim (China), Hong Kong (China), Singapura (independente) e Seul (Coreia do Sul) são enormes, populosas como formigueiros, riquíssimas, mas nenhuma se compara a Tóquio (Japão). A capital japonesa é de longe a cidade mais rica do mundo, e alguns rankings a colocam também como a mais populosa. Isso sem falar na importância econômica e cultural do Japão no cenário mundial. Assim fica fácil declarar Tóquio como a capital não só da Ásia, mas de todo o mundo oriental.


CAPITAL DO ORIENTE MÉDIO: JERUSALÉM

Correndo por fora: Istambul e Dubai

Aqui a briga é boa. Dubai (Emirados Árabes), apesar de ser hoje uma das cidades mais ricas do mundo e uma das que mais recebem turistas, não é historicamente importante como Istambul (Turquia) e Jerusalém (Israel). Sua grandeza não é espontânea e natural: ela foi feita importante. Nasceu e cresceu recentemente pela vontade (e fortuna) dos xeiques árabes, com a força econômica do petróleo. Considerá-la a cidade mais importante do Oriente Médio seria cometer o mesmo erro de considerar Brasília a cidade mais importante do Brasil. Ora, Brasília foi construída para esse fim, não surgiu e se tornou importante espontaneamente, naturalmente, como São Paulo ou Rio de Janeiro. (Outra semelhança entre Dubai e Brasília é que ambas foram construídas no deserto). Istambul, por sua vez, tem grande vantagem por estar localizada simultaneamente em dois continentes, Ásia e Europa, e também por ser a cidade mais populosa da região. Mas se Dubai é muito rica e Istambul é muito populosa, nenhuma delas tem a importância simbólica, histórica, cultural, religiosa e espiritual de Jerusalém. Primeiramente, a cidade é considerada sagrada por ser o berço das três principais religiões do mundo: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Depois, nenhuma outra cidade foi e é tão disputada quanto esta. Ela também é uma das cidades mais antigas do mundo e uma das que mais recebe turistas do mundo todo. Merece assim o título de capital do Oriente Médio.


CAPITAL DA OCEANIA: SIDNEY

Correndo por fora: Melbourne e Auckland

Essa é fácil. Primeiro porque, por uma questão de bom senso, a capital da Oceania deve ser uma cidade australiana (foi mal, Nova Zelândia). Depois porque, dentre as principais cidades australianas, nenhuma tem a importância de Sidney. Tanto que, se você perguntar a qualquer brasileiro qual é a capital da Austrália, as chances de que ele responda Camberra são quase nenhuma: a grande maioria dirá equivocadamente que é Sidney, pois esta é a cidade mais populosa, mais rica e mais conhecida da Austrália.


CAPITAL DO OCIDENTE: NEW YORK

Correndo por fora: Atenas, Roma e Londres

Agora que os continentes estão devidamente capitaneados (isso tá certo?), vamos pensar no mundo sob a ótica da divisão clássica entre Ocidente e Oriente. Como já dissemos no tópico sobre a Europa, Atenas (Grécia) e Roma (Itália) têm tudo para serem consideradas capitais do Ocidente, justamente porque foram o berço dessa civilização. Mesmo assim, já que estamos procurando uma capital para o Ocidente hoje, essas cidades históricas cedem lugar a New York ou Londres. E, claro, nessa disputa quem vence é New York. Primeiro pela importância dos Estados Unidos no cenário mundial, muito maior que a do Reino Unido. Depois por New York ser mais populosa e mais rica do que Londres. E finalmente, por New York ser um verdadeiro símbolo do Ocidente. Pode confirmar isso com qualquer terrorista muçulmano: o seu ódio ao Ocidente têm um alvo bastante específico: os Estados Unidos. E se você pedir que ele seja ainda mais específico, ele provavelmente revelará que o seu sonho é se explodir num importante cartão postal de New York no meio de uma multidão.


CAPITAL DO ORIENTE: TÓQUIO

Correndo por fora: Xangai e Mumbai

Já adiantamos, no tópico sobre a capital da Ásia, que Tóquio (Japão) seria a capital do Oriente. Levando em consideração o aspecto histórico, temos a China e a Índia como as grandes nações orientais da Antiguidade, o berço da civilização oriental (assim como Grécia e Roma antigas o são para o Ocidente). Além disso, China e Índia são, respectivamente, os países com as maiores populações do mundo. Mas hoje, nem Xangai (principal e maior metrópole chinesa) nem Mumbai (principal e maior metrópole indiana) têm condições de competir com Tóquio, a gigante japonesa.


CAPITAL DO MUNDO: VOCÊ DECIDE!

Por fim, qual seria a capital do mundo hoje? Essa última eu vou abrir mão de responder e jogar a bola (ou o globo) para vocês, caros leitores. Compartilhe nos comentários a sua opinião e justifique sua escolha.

População de São Paulo comparada a países

Que São Paulo é grande todo mundo já sabe. Só pra você ter uma ideia, a capital paulista é dona da 7ª maior região metropolitana do mundo (considerando a população) e, segundo estimativas internacionais, já é a 10ª cidade mais rica do mundo (considerando o PIB) e até 2025 será a 6ª mais rica. Ter uma noção do tamanho da multidão paulista pode ser mais fácil se a compararmos à de alguns dos mais importantes países do mundo. Veja abaixo uma lista (não exaustiva) dos países que têm uma população menor que a do estado, região metropolitana e município de São Paulo.


Considerando o Estado:

800px-SaoPaulo_MesoMicroMunicip.svg

SÃO PAULO – 44 milhões

ARGENTINA – 41 milhões

POLÔNIA – 38 milhões

CANADÁ – 34 milhões


Considerando a região metropolitana:

800px-SaoPaulo_RM_SaoPaulo.svg

GRANDE SÃO PAULO – 32,5 milhões

VENEZUELA – 28,9 milhões

PERU – 28,7 milhões

ARÁBIA SAUDITA – 28,7 milhões

AUSTRÁLIA – 23,8 milhões

HOLANDA – 16,8 milhões

CHILE – 15,1 milhões

EQUADOR – 15,0 milhões


Considerando só o município:

800px-SaoPaulo_Municip_SaoPaulo.svg

SÃO PAULO – 11,5 milhões

GRÉCIA – 11,3 milhões

PORTUGAL – 10,5 milhões

BOLÍVIA – 10,4 milhões

BÉLGICA – 10,4 milhões

SUÉCIA – 9,4 milhões

ÁUSTRIA – 8,4 milhões

ISRAEL – 8,1 milhões

SUÍÇA – 8,0 milhões

PARAGUAI – 7,4 milhões

DINAMARCA – 5,6 milhões

FINLÂNDIA – 5,3 milhões

NORUEGA – 5,1 milhões

IRLANDA – 4,5 milhões

NOVA ZELÂNDIA – 4,4 milhões

CROÁCIA – 4,4 milhões

URUGUAI – 3,4 milhões


Entre rios: a urbanização de São Paulo

Quando chove, os moradores de São Paulo percebem algo que os índios que aqui viviam já sabiam desde sempre: a cidade é cercada de água por todos os lados. Só que os índios, ao contrário dos atuais habitantes, sabiam conviver em harmonia e até aproveitar as virtudes dos rios. Na verdade, a própria origem da cidade de São Paulo tem a ver com o entroncamento dos rios Tamanduateí, Tietê, Ipiranga e outros. A ladeira Porto Geral, no centro de compras da 25 de Março, por exemplo, tem esse nome justamente porque ali havia um importante porto. Os rios estavam no DNA da vocação inicial da cidade: um hub comercial em direção ao interior. Com o crescimento urbano, alguém teve a infeliz ideia de dar as costas para os rios. Pior: endireitá-los, aterrá-los e enterrá-los. Tudo para aproveitar o espaço, agilizar o escoamento de água e esgoto e espantar os mosquitos.

Esta e outras histórias são contadas no curta “Entre Rios”. O documentário foi realizado como trabalho de conclusão do curso de audiovisual do SENAC-SP pelos alunos Caio Silva Ferraz, Luana de Abreu e Joana Scarpelini e contou com a colaboração de várias pessoas. Vale a pena conhecer a origem das dores de cabeça das enchentes de hoje para poder mudar a forma como olhamos para os rios e a nossa história.

Como medir a qualidade de uma cidade

Artigo publicado na revista Gangorra para comemorar o Dia Mundial Sem Carro.

Quer saber se uma cidade é boa ou ruim? É simples: olhe para fora da janela e tente calcular a proporção de crianças entre as pessoas que estão na rua. A cada 100 pessoas que passam, quantas são crianças caminhando para a escola, pedalando pela rua ou brincando na calçada? Se forem muitas, sua cidade está saudável. Se forem poucas, sua cidade está doente. Se não houver nenhuma, a doença é grave: sua cidade precisa de uma intervenção urgente, seu prefeito está trabalhando errado. A quantidade de crianças na rua é o melhor indicador para medir a qualidade de uma cidade porque ele é multidimensional: traz ao mesmo tempo informação sobre saúde, segurança e educação, três itens centrais para definir qualidade de vida. Pelo seguinte:

Saúde: Caminhar ou andar de bicicleta por meia hora diariamente é o suficiente para uma criança afastar muito o risco de sofrer no futuro diabetes, hipertensão, câncer e doenças do coração. Criar condições para que todas as crianças façam esse tipo de exercício na ida e na volta da escola é uma forma infalível de garantir uma população saudável e economizar uma fortuna de dinheiro público em hospitais.

Segurança: Está bem estabelecida a relação estatística entre o número de crianças pedalando e a segurança no trânsito. Crianças de bicicleta são um indicador preciso: se há muitas delas na rua, praticamente não ocorrem acidentes, em parte porque seres humanos são geneticamente programados para tomar cuidado quando há crianças por perto. Além disso, crianças aumentam muito a quantidade de “olhos da rua”, que são as pessoas que ficam na entrada de casa olhando para o movimento da calçada, e que fazem com que o índice de crimes naquele lugar caia imensamente. Ruas com muita vida comunitária tendem a ter muitos “olhos”, e portanto são bem mais seguras.

Educação: Uma pesquisa com 20 mil estudantes dinamarqueses revelou que crianças que vão para a escola a pé ou de bicicleta têm uma capacidade bem maior de se concentrar na aula, e aprendem mais do que as que vão de carro. A pesquisa revelou que, quatro horas depois do início das aulas, os alunos que pedalaram ou caminharam continuam mais atentos e aprendendo mais do que os outros. Outra pesquisa reveladora foi feita na Califórnia, em 1993. Cientistas pediram a crianças que vão para a escola a pé, de bicicleta ou de carro para que elas desenhassem o bairro, e depois as entrevistaram. A conclusão foi que crianças que caminham ou pedalam tem habilidades cognitivas muito maiores: elas têm mais noção de espaço e desenvolvem mais suas capacidades sociais.

Enfim, para resumir: cidades sem crianças nas ruas possuem índices maiores de obesidade infantil e gastam mais combatendo doenças, são mais violentas no trânsito, têm maior criminalidade, atrapalham o rendimento escolar das crianças, reduzem a eficácia da educação e prejudicam as capacidades cognitivas e sociais das crianças. Ainda assim, muitas cidades brasileiras medem a qualidade de suas vias simplesmente contando quantos veículos passam por determinada rua em uma hora. Quanto mais veículos, maior a eficácia da via. Ou seja: para os administradores urbanos das principais cidades brasileiras, cidade boa é aquela onde as filas de carro não param nunca de passar, espalhando fumaça tóxica e expulsando as crianças. É um critério ruim, e ajuda a entender por que nossas cidades estão tão ruins. Deveríamos exigir dos nossos prefeitos que monitorem a proporção de crianças no espaço público e que governem todos os dias com um objetivo central: aumentar essa proporção. Simples assim.


Ranking do custo de vida nas capitais

De acordo com o ranking abaixo, elaborado pelo site Custo de Vida, São Paulo é a capital brasileira mais cara para se viver, junto com Brasília e Rio de Janeiro. A minha João Pessoa é a mais barata. Aqui, mesmo com a crise e a inflação, seu dinheiro vale mais.

ranking - custo de vida

A futurologia de Murilo Gun

Série de vídeos produzida pelo humorista, palestrante e metido a futurólogo Murilo Gun sobre o futuro dos jornais, dos livros, dos idiomas, do Facebook, do celular, do videogame, da televisão, do carro, da indústria e dos crimes. Por fim, compartilho uma palestra dele no TEDx Fortaleza sobre o futuro da propriedade e do consumo e uma palestra na qual ele conta o que viu na Singularity, a escola de futurismo da Nasa e do Google.













Sobre “O Show de Truman”

Esta semana assisti “O Show de Truman” (1998), estrelado por Jim Carrey. A proposta é ousada. Terminei o filme eufórico. É o tipo de filme que conquista pela inteligência, prende pela curiosidade, encanta pela mensagem e faz pensar. Todas as outras obras de ficção que exploram o tema da realidade simulada geralmente ocorrem num futuro distante e envolvem invasões alienígenas ou rebelião de robôs e computadores com inteligência artificial. Mas a história de Truman se passa no presente (1998) e envolve apenas uma grande emissora de TV patrocinada por milionários anúncios publicitários e detentora de uma enorme audiência no mundo todo. É muito mais viável. De todas as releituras que já vi da alegoria da caverna de Platão, esta foi a melhor. Até então, quem ocupava esse posto era Matrix, que na verdade é apenas uma variação do experimento mental do cérebro numa cuba.

Truman Burbank (Jim Carrey) é um astro da TV incrivelmente famoso, mas ele não sabe disso. Sua vida é um reality show apresentado 24 horas por dia para bilhões de telespectadores ao redor do mundo, só que ele nem desconfia. A cidade onde ele nasceu, cresceu, estudou, trabalha e sempre viveu não é real: é apenas um cenário. Todas as pessoas com quem ele diariamente mantém contato e se relaciona, incluindo sua esposa e seu melhor amigo, são atores ou figurantes. Todos estão ali atuando para que Truman acredite estar vivendo uma vida normal. Truman começou a ser monitorado ainda na barriga da sua mãe. Seu nascimento foi transmitido ao vivo, seus primeiros passos, suas primeiras descobertas… O diretor do programa controla tudo no cenário, incluindo o clima. A coisa começa a ficar muito dramática quando Truman começa a suspeitar da realidade e embarca em uma emocionante busca para descobrir a verdade sobre a sua vida. O enredo envolve questões éticas, direitos humanos, publicidade e propaganda, o “sonho americano”, uma profunda reflexão filosófica e até um romance. Procure esse filme e dedique 2 horas dessas férias para assisti-lo: garanto que não vai se arrepender!

Para bom bebedor, meia garrafa basta

Crônica de Fernando Sabino.

A primeira vez que provei bebida alcoólica foi aos 11 anos. Estávamos acantonados nos galpões vazios da antiga Feira de Amostras, ali onde é hoje o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Havia latas de doce vazias, invólucros sem conteúdo, rótulos sem produto, restos da última exposição: nada que satisfizesse nossa gula. Em companhia de outro pivete (que acabaria regenerado tornando-se hoje um competente cirurgião), arrombei a janela de um galpão que supúnhamos cheio de comedorias, para acabarmos apanhados em pleno malfeito pelo vigia do lugar (o que nos valeu um esculacho pouco digno da nossa condição de escoteiros). Até que alguém mais esperto descobriu num desvão da antiga feira um depósito de garrafas cheias. Mas cheias de que? Só vim a saber quando vi os mais velhos fazendo correr uma garrafa de mão em mão, bebendo pequenos goles furtivos entre risinhos de malícia. Fui buscar meu caneco e pedi que me dessem um pouco. Tanto insisti que acabaram se enchendo, e encheram o caneco para se verem livres de mim. Eu imaginava que aquilo tivesse o gosto delicioso de alguma soda limonada, groselha ou guaraná. E virei tudo de uma vez só. Era cachaça pura! Só não morri ali mesmo porque quis Deus me experimentar ao longo da vida, propiciando-me generosamente outras espécies de bebida. Mas passei a noite delirando, depois de haver vomitado a própria alma até o rabo. Hoje sinto náuseas ao mais leve cheiro de cachaça.

Aos 15 anos tomei o primeiro grande pileque da minha vida. De gim, que até hoje me lembra a loucura e tem gosto de consequências fatais. Na manhã seguinte fui curar minha ressaca enfrentando a ressaca ainda mais poderosa do mar. Se não morri de beber na véspera, poderia ter morrido afogado. Mas eu era jovem, e como todo jovem, imortal. Até que chegou o momento, com alguns chopes de permeio, de finalmente me iniciar no uísque, a que permaneci fiel. Era um baile no Automóvel Clube, em Belo Horizonte, e o uísque da moda era o Old Parr. Tomado com guaraná! Entrei no uísque como se fosse refrigerante, e entrei bem. Meu irmão me encontrou em coma alcoólico debaixo do chuveiro aberto, ainda vestido no elegante dinner-jacket da minha primeira festa a rigor — rigorosamente ensopado e vomitado. Com tantos fracassos sucessivos, não sei como não caí na mais intransigente das abstinências. É que em pouco surgia a hora da verdade, no grupo de quatro amigos já composto para a vida inteira. Encharcados de chope e literatura, enchíamos de desvario a silenciosa noite de Minas, convertendo a bebida em indispensável combustível de nossa rebeldia. Rebeldia contra que? Contra tudo. Tínhamos de beber para justificar a embriaguez da mocidade em que vivíamos.

Deixemos, pois, que falem os entendidos — no caso, os mestres Luís Lobo e Leopoldo Adour da Câmara. Assim se expressam eles no seu admirável receituário “A Arte do Rabo de Galo”, um “breve discurso em torno de copos e garrafas”: “Não há motivo para criticar a bebida em razão dos que se embriagam. Como ninguém critica a comida simplesmente porque há gente capaz de comer até morrer de indigestão”. Falou, ou melhor, falaram — e está falado: como a comida, assim a bebida, em quantidade razoável, é perfeitamente inofensiva, tendo o efeito de estimular o apetite, ajudar a digestão, relaxar os nervos e tornar a vida mais agradável. Mas, aqui entre nós, onde ficam os limites do razoável? Não será, certamente, na primeira dose. Esta apenas prepara o caminho para a segunda. E a segunda dose… Já dizia o prefeito de Rochester a Henrique Savile (dois indivíduos de quem eu nunca ouvira falar, mas competentes, desde que citados pelos autores acima mencionados): “Oh, aquela segunda dose; é o mais sincero, o mais sábio, o mais imparcial amigo nosso; diz a verdade sobre nós mesmos e força-nos a dizer a verdade sobre os outros. Barra a lisonja das nossas bocas e a desconfiança dos nossos corações; coloca-nos acima dos eufemismos, da política dos preconceitos de cortesia, os quais nos fazem mentir de dia com receio de sermos traídos à noite”.

A partir da terceira dose as coisas se complicam um pouco. Se a humanidade está atrasada em três uísques, como dizia Humphrey Bogart, ao recuperar o atraso a gente se vê de súbito, copo vazio na mão, ante o dilema de tomar mais um ou se dar por satisfeito. E é aí que intervém a já referida sabedoria da dupla Lobo e da Câmara, afirmando: “Um bom conselho em relação à quantidade é parar de beber quando sentir que dá para beber mais um, porque dois será demais. Este um provavelmente também o será”. Por isso é que um velho amigo meu, conhecido pelo hábito de sempre tomar mais um, afirmava outro dia num bar que, de sua parte, jamais passava de três uísques. Ante o protesto geral, insistiu, com a mais cínica das convicções: “Eu só tomo três; depois do terceiro me transformo noutro sujeito, e este sim, bebe como gente grande”. Fiquemos, pois, no terceiro. Ainda que a contagem varie de bebedor para bebedor, podendo começar a partir do terceiro, ou mesmo ser regressiva, como no lançamento de foguetes.

Por falar em foguetes: e a ressaca? Entendidos de lado, falo de experiência própria: não há cura mais eficiente do que evitá-la. Mas eis que um cientista sueco, que por sinal ganhou o Prêmio Nobel, descobriu recentemente uma substância capaz de neutralizar a toxidez do álcool, impedindo sua metabolização no organismo, sem inibir seus agradáveis efeitos no cérebro. Esta descoberta terá, em relação à bebida, o mesmo impacto que a pílula teve em relação ao sexo: agora é que eu quero ver o que será da humanidade, bebendo sem parar, e se sentindo fisicamente cada vez melhor. Por enquanto, dentre as causas da ressaca, talvez a mais comum seja a bebida de má qualidade. É incrível como tantos que se dizem bons bebedores são capazes de aceitar como bebida legítima as mais grosseiras falsificações. No entanto, um mínimo de atenção e cuidado ao beber seria o suficiente para denunciá-las. O bom uísque, por exemplo, não morde a gente: cai bem, sem causar estranheza, sem chamar atenção sobre a língua, redondo dentro da boca, sem arestas, sem azinhavre nas bordas, sem largar ferrugem ao longo da garganta, sem deixar gosto de lápis no esôfago, sem levantar poeira no estômago. O bom uísque, enfim, é aquele sobre o qual não resta a menor dúvida.

Enquanto escrevo, entre um gole e outro de uísque, penso se serei capaz de me revestir da seriedade que o assunto exige. A sabedoria, que faz de beber uma arte, talvez repouse nos mesmos princípios de proporção, equilíbrio e harmonia que regem as outras artes. E que estabelecem o primado da qualidade sobre a quantidade. Beba bem e viva melhor — seria o slogan que eu proporia a uma campanha publicitária de apologia da bebida. A essa altura, já ouço o leitor abstêmio comentar, indignado: “Apologia da bebida. Esse cretino ousa sugerir publicidade para um dos mais terríveis males que afligem a humanidade”. Ouso sugerir que a humanidade é afligida não pelo álcool, mas pelo alcoolismo. A arte de bem beber se contrapõe justamente ao vício de beber mal. O álcool em si não é bom nem mau, e existe desde que o homem é homem. Todas as civilizações conhecidas produziram alguma espécie de bebida alcoólica.

O mal não está no que entra no homem, mas no que dele sai, como afirmou Jesus Cristo. Ele próprio não consagrou a água, o leite ou a coca-cola: consagrou o pão e o vinho, como alimentos do corpo e do espírito. É preciso respeitar a bebida — não saber beber é que constitui um dos mais terríveis males que afligem a humanidade. Esta é uma lição que todos deveriam saber de cor antes de beber e não na manhã seguinte, como geralmente acontece. Ao fim de minhas digressões, vejo que não cheguei a sair do princípio, ou seja, sinto que mal cheguei a entrar no assunto. Agora é tarde: só me resta tomar mais uma e dar por atingido o meu propósito (ou despropósito) de enaltecer a bebida como fator de bom entendimento entre os homens. Ou, pelo menos, do homem consigo mesmo.

Pesquisadores brasileiros tentam decifrar o enigmático Manuscrito Voynich

Físicos brasileiros utilizaram uma técnica de análise de textos desenvolvida por eles para estudar o manuscrito Voynich, um livro misterioso supostamente escrito no início do século 15 em um alfabeto desconhecido. A esperança é que a descoberta ajude a decifrar o texto, considerado um dos mais enigmáticos do mundo. Por meio de ferramentas estatísticas avançadas, o físico Diego Amâncio, da Universidade de São Paulo (USP), se esforça para descobrir se o manuscrito é um texto coerente ou apenas um amontoado aleatório de símbolos sem sentido. Veja aqui o Manuscrito Voynich e assista os vídeo abaixo para saber mais.


Codex Seraphinianus: o misterioso livro
escrito em uma língua que não existe

Em 1981, o artista e arquiteto italiano Luigi Serafini publicou uma enciclopédia com mais de mil ilustrações e extensos textos sobre animais, plantas, roupas e pessoas. Nada de mais até aí. O que intrigou na época e continua um mistério até hoje é que o livro é escrito em uma língua que, até onde se sabe, não existe, e as ilustrações parecem interpretar zoologia, mineralogia, botânica, antropologia, física e arquitetura de uma maneira que simplesmente não existem no mundo que conhecemos. O artista italiano passou 30 meses dedicado a escrever o Codex, que tem quase 400 páginas.

Serafini nega que o texto do livro tenha qualquer significado – alega que são caracteres inventados e é tudo uma obra de ficção. Eu não acredito nele (e muita gente também não), mas ninguém teve sucesso, até hoje, em desvendar a escrita de Serafini ou encontrar ao menos uma sintaxe entre as “letras”. O texto inclui também palavras em inglês e francês usadas aleatoriamente e de maneira incompreensível no contexto. Alguns dizem que o Codex é diretamente inspirado no Manuscrito Voynich – as ilustrações, no entanto, retratam coisas que conhecemos.

A editora italiana Rizzoli está lançando uma nova edição do Codex Seraphinianus. O Dangerouns Minds entrevistou o editor responsável pelo lançamento, Charler Miers. Curiosamente evasivo, em um tom quase humorístico, ele disse ao site que Serafini existe e não é um pseudônimo, que o autor tem casas em Roma e em Milão e uma oficina de cerâmica na Umbria, e que a nova edição traz, além de novas ilustrações, 22 páginas inéditas em que o autor explica a origem do livro: um gato vira-lata branco teria se juntado ao autor enquanto ele escrevia a obra e a teria transmitido telepaticamente para ele (isso é sério). O vídeo abaixo tem uma porção de páginas do Codex:

Um pouco distraído – Fernando Sabino

Ando um pouco distraído ultimamente. Alguns amigos mais velhos sorriem, complacentes, e dizem que é isso mesmo, costuma acontecer com a idade, não é distração: é memória fraca mesmo, insuficiência de fosfato. O diabo é que me lembro cada vez mais de coisas que deveria esquecer: dados inúteis, nomes sem significado, frases idiotas, circunstâncias ridículas, detalhes sem importância. Em compensação, troco o nome das pessoas, confundo fisionomias, ignoro conhecidos, cumprimento desafetos. Nunca sei onde largo objetos de uso pessoal e cada saída minha de casa representa meia hora de atraso em aflitiva procura: cadê minhas chaves, meus cigarros, meu isqueiro, minha caneta? Estou convencido de que tais objetos, embora inanimados, têm um pacto secreto com o demônio para me atormentar: eles se escondem.

Recentemente descobri uma maneira infalível de derrotá-los. Ainda há pouco quis acender um cigarro e dei por falta do isqueiro. Em vez de procurá-lo freneticamente, como já fiz tantas vezes, abrindo e fechando gavetas, revirando a casa feito doido, para acabar plantado no meio da sala apalpando os bolsos vazios como um tarado, levantei-me com naturalidade sem olhar para lugar nenhum e fui olimpicamente à cozinha apanhar uma caixa de fósforos. Ao voltar — eu sabia! — dei com o bichinho ali mesmo, na ponta da mesa, bem diante do meu nariz, a olhar-me desapontado. Tenho a certeza de que ele saiu de seu esconderijo para me espiar. Até agora estou vencendo: quando eles se escondem, saio de casa sem chaves e bato na porta ao voltar; compro outro maço de cigarros na esquina, uma nova caneta, mais um par de óculos escuros; e não telefono para ninguém até que minha agenda resolva aparecer. É uma guerra sem tréguas, mas hei de sair vitorioso. Daí para me considerar um distraído, vai um grande passo. Passo esse que, aliás, quase dei outro dia, ao abrir a porta do meu quarto e ganhar calmamente o corredor. A empregada me olhava espavorida, mas logo pude considerar justificável a sua estranha reação, dado que me esquecera de vestir as calças.

Alarmado, confidenciei a um amigo este e outros pequenos lapsos que me têm ocorrido, mas ele me consolou de pronto, contando as distrações de um tio seu, perto do qual não passo de mero principiante. Trata-se de um desses que põem o guarda-chuva na cama e se penduram no cabide, como manda a anedota. Já saiu à rua com o chapéu da esposa na cabeça. Já cumprimentou o trocador do ônibus quando este lhe estendeu a mão para cobrar a passagem. Já deu parabéns à viúva na hora do velório. Certa noite, recebendo em sua casa uma visita de cerimônia, despertou de um rápido cochilo e se ergueu logo, dizendo para sua mulher: “Vamos, meu bem, que já está ficando tarde”. O contrário se deu quando, recentemente, errou de porta e entrou em casa alheia, estirou-se na poltrona, abriu o jornal e tirou os sapatos, estranhando a empregada que o olhava estupefata: “Empregada nova? Avise à patroa que já cheguei. E traga meus chinelos”.

Contou-me ainda o sobrinho do monstro que sair com um sapato diferente em cada pé, tomar ônibus errado, esquecer dinheiro em casa, são coisas que ele faz quase todos os dias. A mulher fica aflita, temendo que um dia ele esqueça definitivamente o caminho de casa. Perde, em média, um par de óculos por semana e nunca trouxe de volta o mesmo guarda-chuva com que saiu. Já lhe aconteceu tanto se esquecer de almoçar como almoçar duas vezes. Outro dia arranjou para o sobrinho um emprego num escritório de advocacia, para que fosse praticando, enquanto estudante. — Você sabe — me conta o sobrinho: — O que eu estudo é medicina… Não, eu não sabia: para dizer a verdade, só agora o estava identificando. Mas não passei recibo — faz parte de minha nova estratégia, para não acabar como o tio dele: dar o dito por não dito, não falar mais no assunto, acender um cigarro. É o que farei agora. Isto é, se achar o cigarro.