Uma ótima notícia para a humanidade: Obesidade já mata mais do que a fome

Um dos mais completos estudos sobre as causas de morte no mundo indicou que a obesidade mata mais do que a desnutrição nos dias atuais. De acordo com o relatório da Global Health Burden, instituição ligada à Organização Mundial de Saúde, problemas físicos gerados pela obesidade mórbida foram responsáveis por 3 milhões de mortes em 2010. O número é 3 vezes maior que os óbitos relacionados à desnutrição. Segundo o estudo, feito por 500 cientistas de 300 instituições em 187 países, as mortes relacionadas à subnutrição caíram de 3,4 milhões, em 1990, para 1,4 milhão em 2010, último ano analisado. Em 1990, a subnutrição era a maior causa de mortalidade em pessoas saudáveis. Agora, ela despencou no quadro geral para oitavo lugar. Já a obesidade subiu de décimo para o sexto lugar. A má alimentação (dieta pobre em nutrientes) aparece em quinto lugar. Na frente estão a pressão alta, o tabagismo, o uso de álcool e a poluição.

Segundo um dos pesquisadores, o professor Alan Lopez, da Universidade de Queensland, na Austrália, o resultado surpreendeu. Ele ressaltou que embora esse seja um fenômeno mais acentuado nos países ricos, a obesidade também se tornou um problema nas nações em desenvolvimento. “Foi surpreendente para nós a disseminação da obesidade em países em desenvolvimento. Não é como nos países ricos, mas (o fenômeno) está crescendo”, disse. Nos Estados Unidos, o excesso de peso é considerado uma epidemia que atinge mais de um terço dos adultos e 17% das crianças. Atualmente, mais de 500 milhões de adultos e 43 milhões de crianças abaixo de cinco anos são obesos, e as doenças relacionadas a esse problema estão no topo da lista de causas evitáveis de morte. Indivíduos com sobrepeso têm maiores chances de desenvolver hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.

Fonte: BBC Brasil e Eu Atleta.


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Alimentos naturais

Nossa sociedade está perdendo a noção de significado da palavra “natural”, especialmente quando se trata de alimentação. Hoje fui procurar um lugar pra fazer um lanche perto da pediatra de Catarina e encontrei duas opções, uma ao lado da outra. Uma era uma lanchonete tradicional, bem simples. Exatamente ao lado tinha um ambiente mais sofisticado no qual estava escrito com letras enormes: ALIMENTOS NATURAIS. É claro que escolhi a segunda opção. Entrei, dei uma olhada e, para minha surpresa, a única coisa efetivamente natural que encontrei foi um saquinho de castanha de caju por 15 reais. O resto era suco de caixinha ou de copinho industrializado, água de côco industrializada, barras de cereais, tortas, bolos, biscoitos e salgados com massa integral, pastel integral à base de soja sabor ricota com num sei o quê, brigadeiro sem açúcar, etc. Não tinha absolutamente nada que pudesse ser preparado na hora, com ingredientes frescos e in natura. Estava tudo pronto, embalado, empacotado, com rótulo e data de validade. Saí imediatamente do estabelecimento e pedi um cheese-egg-bacon na lanchonete ao lado. Estava uma delícia. Tirando o pão, o queijo e o hambúrguer, os demais ingredientes eram todos genuinamente naturais: a salada de alface, tomate e cebola estava fresca; o ovo e o bacon foram fritos na hora, na minha frente. Foi a coisa mais natural que encontrei pra comer essa tarde, no melhor sentido da palavra.


A comida que é um castigo

Fácil de preparar, barato e com todos os nutrientes que seu corpo precisa. Parece tentador? Conheça o nutraloaf (pão nutritivo), alimento que é servido em prisões dos Estados Unidos e está causando polêmica por lá porque não tem absolutamente gosto nenhum. A receita exata varia conforme o fornecedor, mas geralmente leva carne moída, pão integral, queijo cheddar, cenoura, espinafre, feijão, batata, tomate, leite em pó e uva passa. Parece uma combinação aleatória, mas não é. Cada ingrediente foi escolhido cuidadosamente para anular o sabor dos demais. Segundo a Aramark Correctional Services, uma das fornecedoras, a meta é que o resultado final seja completamente neutro, sem gosto. Isso porque ele é usado como castigo para detentos que tiveram mau comportamento, e aí passam um tempo comendo apenas o nutraloaf (dois por dia, cada um com 1.100 calorias). Mas os presos de 7 Estados americanos decidiram processar o governo, alegando que isso é tortura. No Estado de Oregon, chegaram a vencer em primeira instância, mas o governo recorreu e ganhou. Em Illinois, onde um preso fez greve de fome, os detentos recorreram e conseguiram que o julgamento fosse reaberto. Críticos culinários provaram a gororoba e constataram que realmente não tem gosto. “Eu queria sentir qualquer sabor, até se fosse ruim”, opinou o americano Jeff Ruby, da revista Chicago. Ele não conseguiu terminar – e ficou indisposto o resto do dia.

Fonte: Superinteressante.

Por que somos míopes?

Tradução de uma matéria publicada na BBC Future.

Quando eu era adolescente, minha visão aos poucos começou a ficar ruim e tive que passar a usar óculos. O que começou como uma fina lente de vidro logo se aproximava de um fundo de garrafa. “Por quê?”, eu perguntava ao oftalmologista. E a resposta dele era sempre a mesma: “A culpa é dos seus genes e do seu gosto pela leitura”. Eu não tinha por que duvidar dele. É provavelmente a mesma coisa que o seu oftalmologista disse se você também sofre de miopia. Mas pesquisas recentes sugerem que esses argumentos estão relativamente enganados. Muitos outros fatores do mundo moderno podem estar levando as pessoas a ter uma visão pior. E, com algumas medidas simples, nossos filhos podem se ver livres de uma “maldição” que já dura gerações.

A ideia de que a miopia é primariamente genética nunca me pareceu verdadeira. Sem meus óculos, eu não consigo saber se o que tenho na minha frente é uma enorme pedra ou um rinoceronte. Então como é que meus ancestrais não foram eliminados se tinham dificuldades de enxergar? Além disso, a miopia é como uma epidemia: de 30% a 40% dos habitantes da Europa e dos Estados Unidos precisam de óculos, enquanto na Ásia esse número pode chegar a 90%. Se tivéssemos genes da miopia, os ancestrais dessas pessoas seriam “heróis” que conseguiram sobreviver apesar de sua clara desvantagem.

Experiências com a comunidade inuit do Canadá deveriam ter resolvido essa questão há quase 50 anos. Enquanto a geração mais velha dessa população indígena praticamente não apresentava casos de miopia, de 10% a 25% das crianças precisavam de óculos. “Isso não seria possível com uma doença genética”, diz Nina Jacobsen, do Hospital Universitário Glostrup de Copenhague, na Dinamarca. O que os cientistas perceberam é que, no intervalo entre as gerações, os inuit foram abandonando seus hábitos tradicionais de caçar e pescar em troca de um modo de vida mais ocidentalizado – uma causa muito mais provável para o problema.

“A miopia é uma doença industrial”, define Ian Flitcroft, do Children’s University Hospital de Dublin, na Irlanda. “Nossos genes podem até ter um papel ao definir quem se tornará míope, mas foi apenas por causa de uma mudança ambiental que os problemas surgiram”. A conclusão imediata tirada pelos cientistas foi a de que a maneira como somos educados hoje em dia pode ter provocado o aumento da miopia. Dê uma olhada no mar de óculos em qualquer sala de aula de uma universidade e você pensará que há uma ligação entre uma coisa e a outra. Estudos epidemiológicos, no entanto, sugerem que os efeitos são muito menores do que se acreditava. Muitos cientistas argumentam que é o tempo passado dentro de espaços fechados que mais influencia na visão, e não o ato de ler. Pesquisas realizadas na Europa, na Austrália e na Ásia indicam que as pessoas que passam mais tempo ao ar livre têm bem menos chances de desenvolver a miopia do que aqueles cujas vidas acontecem entre quatro paredes.

E por que isso acontece? Uma explicação popular é a de que a luz do sol nutre os olhos, de alguma forma, o que foi verificado por um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália. Também pode ser porque a luz do sol estimula a fixação de vitamina D, responsável pela saúde do cérebro e do sistema imunológico, e que também pode regular a saúde dos olhos. Uma ideia com mais aceitação é a de que o sol estimula a liberação de dopamina diretamente nos olhos. A miopia é causada pelo crescimento excessivo do globo ocular, dificultando a formação de uma imagem na retina. Mas a dopamina parece conter esse crescimento, mantendo o olho saudável.

É possível também que se trate de uma questão de cor. Ondas de luz verde e azul tendem a entrarem em foco na frente da retina, enquanto a luz vermelha atinge a parte de trás. Como a iluminação artificial de um espaço coberto tende a ser mais vermelha do que os raios solares, o desencontro poderia confundir os mecanismos de controle do globo ocular. “Eles dizem ao olho que ele não está focalizando no melhor ponto, então ele cresce para compensar isso”, explica Chi Luu, da Universidade de Melbourne, na Austrália.

Já Flitcroft acredita que o problema está no aglomerado de objetos poluindo nosso campo visual. Dê uma olhada à sua volta e entenderá o que ele quer dizer. “Quando você olha para a tela de um computador, tudo o que está atrás dela fica bem fora de foco. Se você muda o olhar da tela para um relógio, há uma enorme inversão – o relógio fica em foco, mas outras coisas perto de você ficam borradas”, diz ele. Onde quer que você pouse seu olhar, sempre há um ponto desfocado que brinca com os mecanismos de feedback dos olhos. Mas na rua as coisas tendem a ficar separadas por uma distância maior, resultando em uma imagem mais limpa que ajuda a regular o desenvolvimento dos olhos.

Essas descobertas podem render novos tratamentos. Luu, por exemplo, pretende realizar um ensaio que oferece sessões com luz azul para crianças míopes. Ele espera que a deterioração da visão delas seja mais lenta ou até se reverta. Flitcroft destaca que estão sendo realizados testes promissores com lentes de contato que reduzem os objetos borrados na nossa visão periférica. Ele também está otimista quanto a um colírio chamado atropina, que desacelera os sinais que incentivam o crescimento do globo ocular e a miopia. Seus efeitos colaterais desagradáveis – como a dilatação das pupilas e os halos vistos em fontes de luz – tornaram seu uso inviável. Mas uma descoberta acidental mostrou que a substância pode ser eficiente com um centésimo da dose original, com efeitos colaterais mínimos.

Por enquanto, os cientistas recomendam cautela. Um erro muito comum é acreditar que os óculos são ruins para seus olhos: isso não é verdade. Mas se você quer já tomar algum tipo de atitude, vai gostar de saber que a maioria dos pesquisadores concorda que incentivar as crianças a brincar ao ar livre é uma boa ideia. Um teste feito em escolas em Taiwan até mostrou que a iniciativa teve um sucesso moderado. “Se deixados em seu habitat natural, ao ar livre, os humanos não se tornam míopes”, conclui Flitcroft.

Cinco casos famosos de crianças selvagens

Existem muitos casos conhecidos de crianças selvagens, pessoas que foram perdidas ou abandonadas quando ainda eram bebês e conseguiram sobreviver mesmo sem ter nenhum contato com outros humanos, sendo criados por animais. Essas histórias fantásticas inspiraram muitos filmes e personagens fictícios como Mogli e Tarzan. A maioria das crianças nesse estado acabam morrendo, obviamente. Mas algumas conseguem sobreviver e são encontradas, depois de muitos anos, por outras pessoas, as quais tentam, quase sempre inutilmente, introduzi-las tardiamente na sociedade. Veja cinco casos famosos:


Oxana Malaya, a garota cachorro

Oxana Malaya foi encontrada na Ucrânia em 1991. Na ocasião, ela aparentava ter 8 anos de idade, tendo vivido grande parte desse tempo na companhia de cachorros. Acredita-se que Malaya foi abandonada por seus pais aos 3 anos de idade e, por pelo menos 5 anos, viveu entre cães e sobreviveu comendo carne crua e restos de comida. A garota adaptou-se a uma série de hábitos de cachorro e não aprendeu a falar. Quando foi achada, estava correndo de quatro e latindo. Se tinha uma coceira atrás da orelha, coçava com o pé. Como um cachorro com um osso, o seu primeiro instinto era esconder tudo que lhe era dado.

Ela foi levada para um orfanato, onde foi educada até a idade adulta. Lá ela aprendeu a andar em pé, comer usando as mãos e, com muita dificuldade, também aprendeu a falar. Especialistas concordam que, a não ser que uma criança aprenda a falar até os 5 anos, o cérebro fecha a janela de oportunidade de aprender uma língua. Malaya só conseguiu aprender a falar de novo porque ela já tinha uma fala infantil antes de ser abandonada aos 3 anos.

Ela tem apenas 1,52 m de altura, mas quando brinca de empurrar com os amigos, há um palpável ar de ameaça e força bruta. Quando, em 2006, aos 23 anos, ela mostrou ao seu namorado o que ela um dia foi e o que ainda podia fazer, ele se assustou e o relacionamento acabou. Atualmente ela vive numa clínica para deficientes mentais na cidade de Odessa, na Ucrânia. Veja imagens de 2006:


Sujit Kumar, o garoto galinha

Em um remoto vilarejo no interior de Fiji, um país arquipélago composto por mais de 300 ilhas no sul do Pacífico, um menino cresceu com as galinhas. Sujit Kumar perdeu os pais ainda criança. A mãe cometeu suicídio e o pai foi assassinado logo depois. Os avós colocaram o garoto no galinheiro, no andar debaixo da casa. Lá, ele viveu por 6 anos. O menino dormia no poleiro, se alimentava com as galinhas e aprendeu a andar e a se comunicar como os animais. Sujit Kumar nunca foi ensinado a falar, mas sabe cacarejar. Ele sacode a cabeça e cisca como os galináceos, pega a comida com a boca formando um bico para imitar os bichos.

Sujik Kumar não tinha contato com o mundo exterior. Sua família e seus amigos eram as aves com quem conviveu até ser removido pelo poder público, aos 8 anos de idade. Era para ser a salvação do menino, mas a mudança se transformou em outro triste capítulo de sua história. No final dos anos 1970, Fiji não tinha orfanato. Sem chances de ser adotado por causa do seu comportamento, Sujit foi colocado em um asilo de idosos. Ele praticamente não havia visto gente durante a maior parte da vida; então, muitas vezes, se tornava agressivo. Por isso, ficou os 22 anos seguintes preso à cama, amarrado com lençóis. Sujit passou o final da infância, a adolescência e grande parte da vida adulta dentro do quarto.

No final de 2002, a visita de um grupo do Rotary Clube seria o começo de uma nova vida para o “garoto galinha”, como ficou conhecido pela comunidade. Elizabeth Clayton fazia parte da comitiva que foi doar mesas de plástico para a instituição. A australiana era uma empresária de sucesso, que fez fortuna fabricando e exportando móveis em Fiji, para onde tinha se mudado há 10 anos. Poucos meses antes do encontro com Sujit, ela ficou viúva. O marido Roger Buick morreu tentando escalar o monte Everest. Elizabeth nunca esquece o primeiro momento em que viu o rapaz. “Ele estava tão debilitado e maltratado. Apanhou no rosto e tinha os dedos inchados, além dos dentes e o nariz quebrados. Quando o vi, eu não sabia se era uma criança ou um homem. Sua aparência era decrépita. A barba estava longa e as pessoas pensavam que ele era selvagem”, recorda. Naquele momento, ela tomou a decisão que mudaria também seu próprio destino. “Eu vi um brilho nos olhos dele. Não podia simplesmente virar minhas costas”, declarou.

As frequentes visitas ao asilo aumentaram o vínculo entre os dois, até que Elizabeth decidiu levar o garoto para morar com ela. Precisou de muito amor e paciência para superar a fase inicial. “Ele bicava a parede e coisas assim. Sujit também não conseguia dormir na cama; então, se levantava e se empoleirava na cadeira, por exemplo”, conta. Algumas vezes, o comportamento era violento: “Ele me mordia, me arranhava e me empurrava. Meu maior sonho é que ele seja independente nos seus hábitos pessoais. Assim, conseguirá escovar seus dentes, ir sozinho ao banheiro e até se barbear. Meu maior sonho, na verdade, é que ele consiga falar. (…) Por causa das crises, os familiares pensaram que era um espírito demoníaco e daí quiseram se livrar dele. Lá (em Fiji), as pessoas pensam que o espírito do mal é a causa dos problemas da família”. Para se dedicar totalmente a Sujit, Elizabeth vendeu o negócio e viajou com o garoto para a Austrália, onde consultou diversos especialistas: fonoaudiólogos, professores de educação especial, neurologistas…

Sua dedicação ao garoto recebeu críticas. O irmão da australiana chegou a dizer que era uma “perda de tempo, porque Sujit é animalesco e não vai melhorar”. O governo de Fiji tirou o rapaz da casa dela. “Eles não me deram nenhuma explicação. Fiquei devastada e chorei muito. Eles não perceberam a importância do nosso vínculo. Tinha que lutar por ele e acabei nos tribunais”, recorda. No dia do julgamento, Sujit correu para os braços dela e o juiz acabou concedendo a custódia.

Com cerca de 40 anos (já que ninguém tem certeza absoluta da verdadeira idade do rapaz), Sujit ainda não conseguia falar, mas já se comunicava através de gestos. Quando queria água, pegava um copo; quando queria passear, pega a chave do carro. De vez em quando, Sujit ainda sacode a cabeça, cisca ou pega a comida com as pontas dos dedos, mas está aprendendo. Ele já caminha quase normalmente e circula entre as pessoas sem medo. Elizabeth investiu o dinheiro da venda da empresa na criação de um lar para crianças. Hoje, a australiana recolhe meninas e meninos nas ruas de Fiji e vive com eles no local chamado “Happy House”.


O Enigma de Kaspar Hauser

Kaspar Hauser (1812-1833) foi uma criança abandonada, envolta em mistério, encontrada numa praça em Nuremberg, na Alemanha. Passou os primeiros anos de sua vida aprisionado numa cela, sem contato verbal com ninguém, o que o impediu de aprender a falar. Com o seu posterior contato com a sociedade, na adolescência, lhe foram ensinadas as primeiras palavras e ele pôde paulatinamente aprender a falar, da mesma maneira que uma criança o faz. A exclusão social de que foi vítima não o privou apenas da fala, mas também de uma série de conceitos e raciocínios, o que fazia, por exemplo, com que Hauser não conseguisse diferenciar sonhos de realidade durante o período em que passou aprisionado.

Supostamente com 15 anos de idade, Hauser foi abandonado em uma praça pública de Nuremberg, em 26 de maio de 1828, portando apenas algumas peças de roupas velhas, um chapéu, um livro de orações e uma carta endereçada ao oficial chefe da guarda da cidade, explicando parte de sua história e contendo indicações de que ele provavelmente pertencia a uma família da nobreza. Ele se recusava a comer e beber qualquer coisa além de pão e água, com o que provavelmente se alimentara durante todos os anos de cativeiro. Aprendeu a falar, a ler e a se comportar socialmente, e a sua fama correu a Europa. Obteve um desenvolvimento do lado lógico e racional do cérebro notoriamente maior que o do lado emotivo e social, o que lhe proporcionou avanços consideráveis no campo da música. Em dezembro de 1833, Hauser foi assassinado com uma facada no peito enquanto caminhava pelos jardins do palácio de Ansbach. As circunstâncias, motivações e autoria do crime jamais foram esclarecidas, apesar da recompensa de 10 mil guldens (algo em torno de 180 mil euros hoje) oferecida pelo rei Luís I da Baviera.

A intrigante história de Kaspar Hauser foi adaptada para o cinema no filme “Jeder für sich und Gott gegen alle” (“Cada um por si e Deus contra todos”, em tradução livre), de 1974, dirigido pelo cineasta alemão Werner Herzog e lançado em português com o título “O Enigma de Kaspar Hauser”.


Dina Sanichar, o verdadeiro Mogli

Em 1867, nas profundezas das florestas da Índia, caçadores fizeram uma descoberta que ecoaria pela história. Encontraram Dina Sanichar, um pequeno garoto de apenas seis anos, rastejando de quatro, rosnando e vivendo dentro de uma caverna, cercado por uma alcateia de lobos. Ele havia sido criado pela natureza selvagem, não por pessoas, um verdadeiro “filho da selva”. Quando os resgatadores o levaram para um orfanato em Agra, tentaram ensiná-lo a falar, a andar ereto e a comer alimentos cozidos. Mas a floresta já o havia reivindicado, suas raízes estavam profundas demais. Dina aprendeu a ficar de pé e a usar roupas, contudo, ele ainda afiava os dentes em ossos e preferia carne crua a qualquer outra coisa. Ele nunca proferiu uma única palavra em qualquer idioma.

Sua vida foi curta, ele morreu jovem, por volta dos 30 anos, de uma doença respiratória, depois de, curiosamente, começar a fumar copiando os homens que cuidavam dele. Embora sua história assombrosa tenha inspirado o lendário Mogli de Rudyard Kipling, a verdade era muito menos romântica, um vislumbre perturbador de quão frágil e tênue pode ser a linha entre o humano e o selvagem.


Victor de Aveyron, o garoto selvagem

Victor de Aveyron (1788-1828) foi uma criança selvagem encontrada em 1799. No dia 9 de Janeiro daquele ano, uma estranha criatura surgiu dos bosques próximos ao povoado de Saint-Serin, no sul da França. Apesar de andar em posição ereta, se assemelhava mais a um animal do que a um ser humano, porém, imediatamente foi identificado como um menino de uns 11 anos. Ele não falava: emitia apenas estridentes e incompreensíveis grunhidos. Fazia suas necessidades onde e quando lhe apetecia. Foi conduzido para a polícia local e, mais tarde, para um orfanato, de onde escapava constantemente. Era difícil voltar a capturá-lo. Negava-se a se vestir e rasgava as roupas quando lhes punham.

O menino foi submetido a um minucioso exame médico no qual não se encontrou nenhuma anormalidade importante. Quando foi colocado diante de um espelho, viu sua imagem sem reconhecer a si mesmo. Em uma ocasião, tentou alcançar através do espelho uma batata que viu refletida (a batata era segurada por alguém atrás de sua cabeça). Depois de várias tentativas, e sem voltar a cabeça, colheu a batata por cima de seu ombro. Um padre que observava ao menino diariamente descreveu esse incidente da seguinte forma: “Todos estes pequenos detalhes demonstram que este menino não carece totalmente de inteligência, nem de capacidade de reflexão e raciocínio. Contudo, nos vemos obrigados a reconhecer que, em todos os aspectos que não tem a ver com as necessidades naturais ou a satisfação dos apetites, se percebe nele um comportamento puramente animal. Poderia pensar-se que não existe conexão entre sua alma e seu corpo”.

Posteriormente, foi levado a Paris, onde ocorreram tentativas sistemáticas de transformar-lhe “de besta em humano”. O esforço resultou parcialmente satisfatório. Aprendeu a utilizar o banheiro, aceitou usar roupa e aprendeu a se vestir sozinho. No entanto, não lhe interessavam nem as brincadeiras nem os jogos e nunca foi capaz de articular mais que um reduzido número de palavras. Com o tempo fez escassos progressos e morreu em 1828, quando tinha por volta de 40 anos.

Cinco falhas psicológicas ou vieses cognitivos comuns

1. Pareidolia: Sabe quando alguém cisma que está vendo a imagem de um santo em uma mancha na janela ou quando você distingue o formato de animais em nuvens? Esse fenômeno se chama pareidolia e acontece quando interpretamos um estímulo totalmente vago (uma imagem, som ou outros tipos de sinais) como algo cheio de significado. Tudo por causa da mania do cérebro em procurar padrões em tudo. O teste de Rorschach – aquele das pranchas com manchas de tinta em que você tem de dizer o que está vendo – foi criado para explorar a pareidolia e sua possibilidade de revelar o que há na mente.

2. Falácia do jogador: É a tendência a achar que eventos relacionados a probabilidades podem ser influenciados por eventos aleatórios anteriores. Para entender: você joga uma moeda 3 vezes e em todas elas dá coroa. Em que apostaria na quarta vez? A tendência é acharmos que, se já saiu coroa 3 vezes, a próxima deverá ser cara. Mas a probabilidade, é claro, continua sendo a mesma: há 50% de chance de sair cara e 50% de sair coroa, não importa quantas vezes tenha saído cada um dos lados. Pode parecer óbvio, mas esse erro de pensamento é responsável por fazer com que muita gente perca dinheiro em jogos de azar.

3. Ilusão do controle: Você sabe por que as pessoas que estão jogando dados em um cassino costumam soprá-los ou agitá-los bem antes de lançá-los à mesa? Tudo culpa da chamada ilusão do controle, a tendência de acreditar que podemos controlar ou, pelo menos, influenciar acontecimentos sobre os quais não temos nenhum controle. Quando acertam o resultado do lançamento de um dado, por exemplo, a pessoa interpreta isso como a confirmação de que tem algum controle sobre o evento, sem considerar que havia, de fato, 1/6 de chance de acertar. Essa falha cognitiva está ligada à superstição e é responsável por fazer as pessoas repetirem certos rituais achando que poderão influenciar o futuro.

4. Desconto hiperbólico ou gratificação instantânea: O que você prefere: ganhar R$ 500 hoje ou R$ 1.000 daqui a seis meses? A maioria das pessoas age como uma criança nessa hora e prefere garantir os R$ 500 na hora a esperar seis meses, mesmo que seja para receber uma quantia duas vezes maior. O viés do desconto hiperbólico ou gratificação instantânea nos faz prefir benefícios imediatos a gratificações posteriores, mesmo que isso envolva perdas. É o que ocorre com quem prefere comprar algo a prazo em vez de poupar e esperar um pouco para pagar à vista, ainda que os juros a serem pagos quase dobrem o valor da coisa.

5. Efeito placebo: Ocorre quando uma substância sem nenhuma propriedade medicinal é dada a um doente com a promessa de que irá curá-lo e acaba realmente melhorando os seus sintomas. Esse fenômeno é tão forte que chegam a ocorrer alterações fisiológicas na pessoa – mas, diferente de um tratamento de verdade, os efeitos são passageiros. Por isso, o efeito placebo é usado em testes para determinar se determinados medicamentos funcionam ou não.

A carta do cacique Seattle

Em 1854, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, enviou esta carta ao então presidente dos Estados Unidos, Francis Pierce, depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios, no oeste do país. A carta tem mais de um século e meio, mas o desabafo do cacique é incrívelmente atual. Eis a carta:


O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.

Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal ideia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo. Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos.

Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende. Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entendo, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d’água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens… Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.

Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.

Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso. De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador.

O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo da luta pela sobrevivência. Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho.

Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar nosso destino comum.

Mapas mostram níveis de irradiação solar no mundo

É certo que, sem irradiação solar, a vida seria impossível na Terra. Mas a luminosidade e o calor excessivos devem ser apreciados com moderação. Níveis muito elevados de irradiação solar podem causar problemas ambientais, como queimadas e desertificação, e também problemas de saúde, como câncer e envelhecimento precoce da pele. Veja abaixo vários mapas produzidos pelo SolarGIS mostrando os níveis médios de irradiação solar em todos os continentes do planeta. Neste e nos próximos verões, se você vive numa das regiões mais alaranjadas ou avermelhadas do mapa, fique atento e não esqueça de usar protetor solar. Saiba também que a sua região tem muito potencial para a produção de energia solar e que seria ótimo se esse potencial fosse aproveitado.

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Sobre a origem dos nomes dos meses e dias da semana

Desde criança, uma pergunta me inquieta, mas nenhum dos adultos que eu conhecia jamais foi capaz de respondê-la. Eu mesmo me tornei adulto, mas até pouco tempo atrás não conseguia ainda saciar a curiosidade da criança dentro de mim. A pergunta continuava insolúvel, e consistia no seguinte: Por que o mês de setembro não é o mês de número sete, outubro não é o oito, novembro não é o nove, e dezembro não é o dez, como seus nomes sugerem? Ora, não precisa ser um gênio para notar que os radicais das palavras setembro, outubro, novembro e dezembro vêm de sete, oito, nove e dez, respectivamente. Mas por que isso não condiz com a realidade? Por que insistimos que setembro é o mês nove, outubro é o dez, novembro é o onze e dezembro é o doze? Isso não faz nenhum sentido do ponto de vista linguístico! Vejamos então o que diz a História.

Apenas abrindo um parêntesis, o mesmo pode ser dito dos calendários e agendas que colocam a semana começando na segunda-feira, fazendo do sábado e domingo literalmente um “final de semana”. Isso pode até ser útil, porque na prática, é assim mesmo que funciona. Mas do ponto de vista linguístico (de novo) não faz sentido, já que segunda, terça, quarta, quinta e sexta significam literalmente segundo dia, terceiro dia, quarto dia, quinto dia e sexto dia, respectivamente. Isso sem falar que o sábado recebeu esse nome da tradição judaica por ser o último dia da semana, o dia do descanso; e que o domingo foi instituído pelos romanos como o “dia do Senhor” (do latim “dies Dominicus”), justamente por ser o primeiro e mais importante da semana.

Mas, voltando aos nomes dos meses, por que há essa confusão? Não sou nenhum especialista no assunto, mas, depois de uma pesquisa na internet, eis o que encontrei: setembro, outubro, novembro e dezembro são assim chamados porque eles de fato eram o sétimo, oitavo, nono e décimo mês do ano; que, por sinal, começava em março, lá pelo começo da primavera no hemisfério norte, o que faz bastante sentido. Essa ordem só mudou no ano 46 a.C., por decreto do imperador romano Júlio César. Mas acho melhor contar a história do começo.

Os nomes dos meses, tais como os herdamos na língua portuguesa, são de origem latina e foram instituídos na criação do calendário romano, que começa na própria fundação da cidade de Roma pelo lendário Rômulo, considerado seu fundador e primeiro rei, na data tradicionalmente estabelecida como o dia 21 de abril de 753 a.C. Nesse calendário romano, o ano tinha apenas 10 meses, que totalizavam 304 dias (os demais 61 dias, que coincidiam com o inverno, não entravam no calendário, havendo pouco interesse de acompanhamento temporal nesse período do ano).

  • Márcio (31 dias)
  • April (30 dias)
  • Maio (31 dias)
  • Júnio (30 dias)
  • Quintil (30 dias)
  • Sextil (30 dias)
  • Setembro (30 dias)
  • Outubro (31 dias)
  • Novembro (30 dias)
  • Dezembro (30 dias)

A primeira reforma do calendário ocorreu com Numa Pompílio, o segundo dos sete reis de Roma, por volta de 713 a.C., que adicionou os meses de Januarius e Februarius no final do calendário, aumentando o seu tamanho para 355 dias. Este calendário fora baseado no calendário grego praticado em Atenas, que já era um calendário luni-solar e bem mais preciso que aquele primeiro praticado em Roma e que também passou a ser de 12 meses. É por isso que até hoje fevereiro tem menos dias, porque era o último mês do ano.

  • Márcio (31 dias)
  • April (29 dias)
  • Maio (31 dias)
  • Júnio (29 dias)
  • Quintil (31 dias)
  • Sextil (29 dias)
  • Setembro (29 dias)
  • Outubro (31 dias)
  • Novembro (29 dias)
  • Dezembro (29 dias)
  • Januário (29 dias)
  • Februário (28 dias)

Mas qual a origem desses nomes? Alguns foram dados em homenagem a deuses, imperadores ou festas, enquanto os outros simplesmente simbolizam uma ordem numérica. Março é em homenagem a Marte, o deus da guerra. Para abril há duas versões: A primeira baseia-se em uma comemoração sagrada: aprilis, feita em homenagem a Vênus, deusa do amor. A segunda versão viria de aperire (abrir, em latim), referência à abertura das flores, já que, nesse período, é primavera no hemisfério norte. Maio é em homenagem à deusa romana Maia. Junho homenageia Juno, deusa que protegia a maternidade e as mulheres casadas. Quintil, sextil, setembro, outubro, novembro e dezembro refletem apenas a ordem numérica. Janeiro é em homenagem a Janus, deus que protegia as portas de Roma. E, por fim, fevereiro faz referência a um festival que era celebrado nessa época do ano, em Roma, chamado Februália, ou “Purificação”. Nessas festas, os romanos se preparavam para a chegada do ano novo, que começava em março, e ofereciam sacrifícios para expiar as faltas cometidas durante todo o ano.

Como o ano solar tem na verdade aproximadamente 365 dias e 6 horas, o calendário romano (de 304 dias), mesmo após a reforma de Pompílio (quando mudou para 355 dias) acabou ficando, depois de alguns séculos, com muita defasagem. Numa tentativa de corrigir essa falha no calendário, o então imperador de Roma Júlio César instituiu em 46 a.C. o calendário juliano, com 365 dias distribuídos em 12 meses, baseado em um modelo utilizado pelos egípcios. Além de aumentar os dias do ano para 365, Júlio César fez ainda outras três alterações significativas: Primeiro, instituiu os chamados anos bissextos, usados até hoje, para corrigir defasagens no calendário de 365 dias. Depois, mudou o nome do mês “quintil” para “julho”, em sua homenagem. Seu sucessor, César Augusto, gostou da ideia e também mudou, no ano 8 d.C., o nome do mês “sextil” para “agosto”, também em homenagem própria. Por fim, a mudança mais importante: Mudou os meses de janeiro e fevereiro do final do ano para o começo. Dessa forma, o deus Janus, protetor das portas de Roma, deus das entradas e saídas, términos e recomeços, passaria a ser homenageado na passagem para o ano novo. E é por isso, amiguinhos, que os nomes dos quatro últimos meses do ano ficaram sem sentido.

O problema do calendário juliano é que, para ser bem preciso, um ano solar tem 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos; ou seja, cerca de 11 minutos a menos do que os astrônomos estimavam naquela época (eles calcularam 365 dias e 6 horas). Ao longo dos séculos, essa defasagem se acumulou novamente e, para corrigir isso, o papa Gregório XIII instituiu, em 1582, o calendário gregoriano, que substituiu em todo o ocidente o calendário juliano. Não houveram grandes mudanças nessa transição, mas um fato curioso merece ser relatado: Por decreto do papa, foram omitidos dez dias do calendário juliano. A bula papal determinava que o dia depois da quinta-feira, 4 de outubro, fosse sexta-feira, 15 de outubro. Assim, os dias 5 a 14 de outubro de 1582 jamais existiram!

Por que os dias da semana têm “feira”?

“Dias úteis” é como são chamados aqueles dias da semana que são destinados ao trabalho, em oposição a “fim de semana”, que são os dias destinados ao descanso e ao lazer. Atualmente, a semana é dividida em 5 dias úteis e um fim de semana de 2 dias (sábado e domingo). Na língua portuguesa, o nome “sábado” tem origem judaica (do hebraico “shabāt”) e significa “dia do descanso”; ele geralmente é considerado o último dia da semana e tem seu fundamento na narrativa bíblica do Gênesis, em que Deus criou o mundo em 6 dias e descansou no último. O nome “domingo” tem origem romana (do latim “dies Dominicus”) e significa “dia do Senhor”; ele geralmente é considerado o primeiro dia da semana, aquele em que as pessoas se reúnem para cultuar a Deus (daí a tradição de ir à igreja aos domingos). Os demais dias (os “úteis”) foram nomeados pela sua ordem (segunda, terça, quarta…) acrescidos da palavra “feira”. Mas por quê?

O nome “feira” acrescido aos dias úteis da semana na língua portuguesa vem do latim “feria“, que também significa “dia de descanso”, “folga”, ou ainda mais literalmente “férias”. O termo passou a ser empregado no ano 563, após um concílio da Igreja Católica na cidade portuguesa de Braga. Na ocasião, o bispo Martinho de Braga decidiu que os nomes dos dias da semana usados até então, em homenagem a deuses pagãos, deveriam mudar. Mas espera aí: se feria significa dia de descanso, folga e férias, por que se usa “feira” para nomear os dias úteis? Isso acontece porque, no início, a ordem do bispo valia apenas para os dias da Semana Santa, em que todo bom cristão deveria descansar. Somente depois é que ela acabou sendo adotada para o ano inteiro.

A parte mais interessante dessa história é que tudo isso (os nomes dos dias e suas origens explicadas acima) é uma exclusividade dos países de língua portuguesa. No inglês, espanhol, francês, italiano, alemão e muitas outras línguas modernas, ao contrário do que queria o bispo Martinho de Braga, os deuses pagãos continuam sendo homenageados e batendo ponto dia após dia. Isso porque, na sua origem mais remota, os nomes dos dias da semana tinham influência na astrologia, e cada um representava um deus pagão, que por sua vez eram representados materialmente por um astro do nosso Sistema Solar: Sol (domingo), Lua (segunda), Marte (terça), Mercúrio (quarta), Júpiter (quinta), Vênus (sexta) e Saturno (sábado). Veja o exemplo do inglês: sunday (dia do Sol), monday (dia da Lua), tuesday (dia de Marte), wednesday (dia de Mercúrio), thursday (dia de Júpiter), friday (dia de Vênus) e saturday (dia de Saturno).

Outro dado curioso: por ordenação de trabalho e lazer e pela normalização ISO 8601, a segunda-feira é considerada o primeiro dia da semana, sendo o domingo o último dia e o sábado o penúltimo. No entanto, desde o ano 321 os calendários ocidentais começam a semana pelo domingo. A regra foi imposta naquele ano pelo imperador romano Constantino, que, além disso, estabeleceu que as semanas teriam 7 dias. A ordem não foi aleatória: embora na época os romanos adotassem semanas de 8 dias, a narrativa do Gênesis já dizia que Deus havia criado a Terra em 6 dias e descansado no sétimo e, ao que tudo indica, os babilônios também já dividiam o ano em conjuntos de 7 dias.

Com informações de Wikipédia e revista Mundo Estranho.

Breve definição de filosofia

Filosofia é o estudo das questões fundamentais. Em uma frase curta, essa é a melhor definição que consegui formular, aquela que considero a mais explicativa empregando a menor quantidade possível de palavras. Estendendo-nos um pouco mais, podemos dizer que filosofia é a dedicação intelectual aos problemas mais conceituais, às perguntas mais profundas, às dúvidas mais inquietantes que afetam nosso pensamento. Essa definição é objetiva porque diz qual é o objeto de estudo da filosofia, a saber, as questões fundamentais.

Tradicionalmente, consideramos questões fundamentais aquelas relacionadas à existência, ao conhecimento, ao pensamento e aos valores. A partir disso, desenvolveram-se as disciplinas principais da filosofia: ontologia (filosofar sobre a existência); epistemologia (filosofar sobre o conhecimento); lógica (filosofar sobre o pensamento); e a chamada filosofia prática (filosofar sobre os valores, sejam eles éticos, estéticos, políticos, etc.). Ontologia (comumente chamada também de metafísica), epistemologia (também chamada de teoria do conhecimento) e lógica constituem a parte teórica da filosofia; enquanto que ética, estética e filosofia política constituem a parte prática. É claro que, além desse tronco principal, a filosofia possui ainda outras disciplinas, como por exemplo a filosofia da mente, da linguagem, da natureza, da ciência, da religião, entre outras tantas “filosofias”.

Se um problema puder ser resolvido através do método científico, por mais profundo e fundamental que ele seja, ele não é um problema filosófico. Um problema filosófico é um problema que está para além dos limites do método científico e, portanto, não pode ser resolvido por meio de experimentos, mas apenas por especulação filosófica – ou religiosa, ou mitológica etc. Conforme a tecnologia humana avança, cada vez mais é possível resolver problemas por meio de experimentos e, por conseguinte, mais problemas que outrora foram considerados filosóficos deixam de sê-lo para se tornar problemas científicos. Há, porém, certos problemas que jamais poderão ser resolvidos pelo método científico. Estes problemas são essencialmente filosóficos, ou filosóficos por definição.

Por que existe algo ao invés do nada? Deus existe? O universo teve um começo ou é eterno? O que havia antes do Big Bang? Por que razão estamos aqui? Nossas vidas têm algum propósito? Nossa mente é de uma natureza diferente do nosso corpo? Existe livre-arbítrio? Como o conhecimento é possível? O que podemos conhecer? Quais são os limites da ciência? Quais os critérios da verdade? Como a linguagem se relaciona com a realidade? O que faz com que algumas ações sejam moralmente boas e outras más? Você provavelmente já se fez algumas dessas perguntas em algum momento da sua vida. Estas são as últimas perguntas com as quais finalmente nos deparamos se continuarmos, tal como comumente fazem as crianças, perguntando indefinidamente pelo porquê das coisas.

Essas perguntas não pertencem a uma ciência em particular, ao domínio exclusivo de alguma área especializada do saber, mas afligem todos aqueles que em algum momento deixaram de se contentar com a banalidade do cotidiano, do senso comum, das respostas prontas. Há mais de dois milênios surgiu na Grécia uma tradição de pensamento que desde então se dedica a essas questões. Filósofos desenvolvem-nas de uma maneira disciplinada, rigorosa e sistemática, com o objetivo não apenas de respondê-las, mas também, acima de tudo, de entender exatamente o que está sendo perguntado. Eles descobrem pressupostos ocultos e refletem criticamente sobre as razões de nossas crenças e ações. A esta intensa atividade intelectual é que chamamos “filosofia”.

Comparando com outros saberes, a filosofia não parece ser das coisas mais úteis. Mas se pensarmos no benefício pessoal, no prazer que proporciona, aí a história é bem outra. O alargamento do nosso pensamento, o alcance da nossa compreensão, a disciplina no raciocínio e o mero contato com o pensamento brilhante, legado desses grandes seres humanos, proporciona um engrandecimento de nosso espírito e um novo olhar sobre a nossa existência. São prazeres indescritíveis e indispensáveis depois de experimentados.

“Se os homens filosofaram para libertar-se da ignorância, é evidente que buscavam o saber unicamente em vista do próprio saber e não por alguma utilidade. Assim testemunham os próprios acontecimentos: quando já se possuía praticamente tudo de que se necessitava para a vida e também para o conforto e para o bem estar, então se começou a buscar essa forma de saber. É evidente, portanto, que não a buscamos por nenhuma vantagem que lhe seja externa; e, mais ainda, é evidente que, como chamamos livre o homem que é fim para si mesmo e não está submetido aos outros, assim só esta ciência, dentre todas as outras, é chamada livre, pois só ela é fim para si mesma.” (Aristóteles, Metafísica I, 2, 982b 19-28)


Escrevi esse texto assim, claro, direto e sucinto, porque textos como esse, especialmente quando o que se promete é uma definição de filosofia, são muito raros. A grande maioria dos textos introdutórios que se propõem esclarecer ao leitor leigo o que é a filosofia ou não suprem a expectativa, deixando o leitor frustrado, sem uma resposta, ou oferecem uma definição ampla demais, vaga demais, vazia de significado demais. Isso é parcialmente compreensível pela própria natureza da filosofia, de fazer pensar em vez de fornecer respostas prontas; e principalmente por causa do medo que os autores têm de serem taxados de dogmáticos. Eu não temo tal acusação. Considero uma grande virtude o poder de síntese, a habilidade de concisão, o saber indicar de modo sucinto e em poucas palavras a ideia principal, o ir direto ao ponto, sem enrolação, o não tomar desnecessariamente o tempo e a paciência do leitor ou ouvinte. Acredito que só entendeu verdadeiramente uma ideia quem é capaz de explicá-la em poucas palavras; e só compreendeu de fato um texto quem pode resumir a ideia principal em uma frase. Penso que essa irritante prolixidade acontece mais aqui no Brasil porque somos muito influenciados pela tradição continental de filosofia contemporânea. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde a tradição analítica é mais forte e presente, o paradigma é outro. Na página inicial do Departamento de Filosofia de Harvard, considerado um dos melhores do mundo, dois grandes botões direcionam os visitantes a textos muito curtos: What is Philosophy? (O que é filosofia?) e Why study Philosophy? (Por que estudar filosofia?). Como no texto acima, explica-se a definição de filosofia de forma clara, direta e sucinta, de modo que qualquer leigo possa compreender muito rapidamente o que se faz ali naquele departamento.


Se você tem alguma noção de filosofia e consegue ler razoavelmente em inglês, vai se divertir respondendo este pequeno teste. São 12 questões simples de múltipla escolha sobre variados temas e problemas filosóficos. Não há respostas certas ou erradas: o que se espera é a sua opinião honesta sobre cada tema. A partir de suas respostas, um algoritmo irá dizer com qual filósofo (ou escola filosófica) suas ideias mais se assemelham. Sem nenhuma surpresa, meu resultado deu majoritariamente Aristóteles (83%).

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Which philosopher are you (gotoquiz)


Filósofos mais citados nos verbetes “filosofia” e “philosophy” na Wikipedia:

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O que é filosofia?

Trecho de um ensaio de Adonai Sant’Anna, doutor em filosofia pela USP.

Em um primeiro momento pode-se afirmar que filosofia é a atividade intelectual caracterizada pela busca sistemática e crítica da verdade. O problema desta definição reside principalmente na qualificação sobre o que, afinal, é verdade; sendo que o próprio conceito de verdade é tema de debate interminável entre filósofos há milênios. Ou seja, se aceitarmos esta primeira definição de filosofia, é seguro dizer que nem mesmo filósofos conseguem qualificar o que é filosofia, de maneira a estabelecer um consenso entre eles.

Do ponto de vista histórico, filosofia pode ser percebida como a origem dos estudos sistemáticos que visam responder a questões fundamentais levantadas por seres humanos a respeito do mundo físico, da metafísica, da vida, da moral, das artes e da própria natureza humana. Neste sentido, com o passar do tempo a filosofia foi diluída em múltiplas disciplinas, como física, matemática, biologia, química, economia, sociologia, psicologia, linguística, ciência política, entre outras. Consequentemente, existe uma tendência natural entre pessoas de julgar que filosofia é um ramo do conhecimento distinto de outros, como as ciências exatas e as ciências biológicas.

Já do ponto de vista social, este modo de percepção fica mais acentuado diante da realidade do mercado de trabalho, no qual muitos filósofos trabalham simplesmente como professores, pesquisadores ou escritores. Mesmo que um filósofo trabalhe como um consultor jurídico, um conselheiro político, um diretor de relações públicas, um publicitário, um jornalista ou um administrador de empresas, pessoas em geral tendem a percebê-lo como um consultor jurídico, um conselheiro, um diretor, um publicitário, um jornalista ou um administrador, mas não como um filósofo. Menos ainda como um profissional da filosofia aplicada. Esta percepção reside principalmente no fato de que discussões claramente identificadas como filosóficas, nos dias de hoje, têm um caráter altamente especulativo ou, pelo menos, sem consenso algum. Com efeito, até hoje os filósofos não chegaram a um acordo sobre o que é, afinal, a verdade.

Logo, a ironia da filosofia é que ela foi o ponto de partida para estudos metodológicos sobre o mundo e o ser humano, sendo que esses mesmos estudos promoveram um distanciamento da própria filosofia, no atual sentido acadêmico do termo. Quando um físico teoriza sobre a origem do universo, ou um biólogo teoriza sobre a origem da vida, essas ideias são essencialmente filosóficas, mesmo que os próprios pesquisadores não percebam desta forma. A separação entre filosofia e ciência, apesar de suas origens históricas, sociais, institucionais e pragmáticas, não é algo trivialmente perceptível no que diz respeito às finalidades últimas tanto da filosofia quanto da ciência.

A obra mais conhecida de Isaac Newton, por exemplo, é o livro Princípios Matemáticos de Filosofia Natural. A ideia de estabelecer princípios matemáticos fundamentais que regem dinâmicas de objetos materiais sob a ação de forças é algo de caráter essencialmente filosófico. O problema de entender a dinâmica de corpos físicos foi qualificado e respondido por Isaac Newton. Hoje esta obra é percebida como uma das grandes conquistas da física, sendo que na época foi compreendida como um inspirador passo dado pela filosofia natural. Tanto é verdade que o próprio conceito de força, na mecânica de Newton, chegou a ser percebido como um conceito metafísico por pensadores importantes, como Heinrich Hertz e Hermann von Helmholtz.

Em um encontro da British Association for the Advancement of Science, realizado em junho de 1833, o filósofo William Whewell argumentou o seguinte: “Assim como os praticantes de artes são chamados de artistas, os praticantes de ciências deveriam ser chamados de cientistas”. Foi então que nasceu o termo “cientista”. E rapidamente Isaac Newton passou a ser menos conhecido como simplesmente um filósofo, para então ser reconhecido como um dos mais importantes cientistas de todos os tempos.

O distanciamento entre ciência e filosofia deu um importante passo, neste momento, graças a um filósofo. Mas que ninguém jogue a culpa sobre Whewell! Isso porque um filósofo jamais deve deixar de expressar o que pensa, mesmo que seu pensamento seja de alguma forma prejudicial à própria filosofia, enquanto prática cultural. Este é tão somente um exemplo irônico de como o pensamento pode minar o próprio pensamento. Apesar do inegável impacto filosófico da obra de Newton, não é usual entre estudantes de filosofia de hoje o estudo de cálculo diferencial e integral. Cientistas são aqueles que resolvem problemas importantes, enquanto filósofos são aqueles que discutem sobre especulações que estão fora do alcance das ciências, como o sentido da vida, a utopia política, o conceito de belo, o livre arbítrio, a existência de Deus, a imortalidade da alma, a vida após a morte, a natureza metafísica do universo, etc.

Enquanto um cientista é aquele que sabe (ou pelo menos julga que sabe), um filósofo é aquele que incessantemente busca saber. A própria origem etimológica das palavras sustenta pelo menos parcialmente esta visão. “Filosofia” deriva do grego φιλοσοφία, ou seja, “amor à sabedoria”, enquanto “ciência” deriva do latim scire, que se traduz simplesmente como “saber”. O amor à sabedoria é uma postura de questionamento crítico, enquanto o saber é algo que permite efetivamente resolver problemas.

O sucesso da obra de Newton para derivar matematicamente as leis de Kepler passou a ser percebido por muitos como um saber, um conhecimento, uma crença verdadeira: as órbitas planetárias seguem as leis de Kepler por consequência das leis físicas enunciadas por Newton. O filósofo, por sua vez, é aquele que reconhece que existem outras possíveis formulações matemáticas que igualmente permitem descrever as órbitas planetárias, em acordo com os princípios percebidos por Kepler. A teoria da relatividade geral de Einstein é um exemplo bem conhecido de teoria que permite descrever órbitas planetárias semelhantes, sem apelar de forma alguma a qualquer conceito de força. Portanto, forças existem no mundo real ou não? Onde está a verdade no conceito de força?

Os estudos alquímicos de Newton costumam ser ignorados por cientistas em geral, como uma espécie de embaraçoso erro intelectual daquele que deu início à ciência moderna. Quase setenta anos após a morte de Newton, em 1796, o historiador James Pettit Andrew se referiu à alquimia como uma “fantástica pseudociência”. E foi assim que nasceu a necessidade de se promover uma distinção entre ciência e pseudociência. Mas filósofos também não conseguem entrar em um acordo sobre qual seria exatamente a diferença entre ciência e pseudociência. Por enquanto não quero estender esta discussão sobre o papel da filosofia ao longo da história, uma vez que este ramo do conhecimento atinge não apenas a física, mas também as artes, a política, a psicologia, entre outras áreas.

Por que afirmei no início deste texto que “filosofia é a atividade intelectual caracterizada pela busca sistemática e crítica da verdade”? A resposta é simples. O ponto de partida de qualquer investigação filosófica é invariavelmente uma pergunta. E perguntas são comumente formuladas na esperança de se obter respostas. Essas respostas surgem à medida que investigações são feitas, de maneira sistemática e crítica.


A filosofia é superior?

Artigo de Luiz Helvécio Marques Segundo, professor de filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em Minas Gerais, publicado no portal Crítica.


É prática comum entre nós apresentar a filosofia ao grande público ou aos alunos que têm seu primeiro contato com a disciplina louvando-a como um presente dos deuses aos meros mortais. Dizem que nada lhe pode ser superior e que qualquer área de investigação lhe é subserviente. É como se o filósofo tivesse um acesso privilegiado à verdade. Dizem também que nada pode ser mais prático, pois a filosofia liberta o ser humano dos grilhões da ignorância. Salvo um pequeno fundo de verdade dessa última afirmação, o resto é enganador. A filosofia não é mais importante que a física, ou a matemática, ou a história; tem exatamente o mesmo valor que qualquer outra atividade cognitiva. E como essas disciplinas, tem também aplicações práticas.

O estudo da filosofia abarca apenas uma parte da realidade, a parte que diz respeito àquelas questões que só podem ser tratadas através da argumentação e do raciocínio intenso. O filósofo não se preocupa em responder questões do tipo “Qual é a constituição do átomo?” ou “É o teorema de Fermat verdadeiro?” ou ainda “Quais foram as causas da segunda grande guerra?”. Ao invés, tenta responder questões do tipo “Será toda a realidade formada apenas de partículas elementares, ou será que há coisas como pensamentos, números ou deuses?”, “Há limites para o conhecimento humano?” ou ainda “Há ações certas e ações erradas?”. Isso não significa que o filósofo despreze a ciência, significa apenas que o campo de investigação da filosofia é diferente do das ciências como a matemática, física ou história. A filosofia muitas vezes precisa da ciência, assim como a ciência da filosofia.

Assim como a filosofia tem seus limites de investigação de certo modo determinados, o mesmo acontece com a física ou a história. O físico tratará da parte da realidade onde há campos, átomos, energia, etc. O historiador tratará da parte da realidade onde estão envolvidos fatos importantes para o mundo e que precisam de ser interpretados, reconstituídos e documentados. Tentará mostrar, por exemplo, como se encadeiam os motivos que levaram as sociedades feudais européias a dar início às cruzadas. Bom seria se pudéssemos tratar disso tudo de uma só vez, mas infelizmente não é esse o caso. Somos limitados cognitivamente e essa limitação só nos permite investigar uma coisa de cada vez. Já se vê por que razão a filosofia não é mais importante que as outras áreas de investigação. Para oferecer uma explicação razoável da realidade precisamos dos melhores resultados de cada área de investigação. É como se estivéssemos a montar um quebra-cabeças: cada peça é igualmente importante para o resultado final — se faltar uma peça, ficamos sem conhecer pelo menos aquilo que estava naquela peça e o que ela representava no resultado final. O mesmo acontece no quebra-cabeças da realidade: se uma das áreas de investigação não fornece as peças que lhe cabem, a nossa imagem da realidade será pior do que se as tivéssemos.

A situação poderia ser revertida: há peças dispensáveis no quebra-cabeças da realidade, e tais peças são justamente as fornecidas pela filosofia. Geralmente, ouvimos essa reação com a famosa e irritante “A filosofia não serve para nada!”. Talvez alguns também protestassem que a filosofia só fornece pseudo-peças, pois só as ciências são capazes de fornecer as peças originais. Mas a resposta a isto é fácil; basta olhar para o quebra-cabeças: muitas pessoas acreditam em Deus, acreditam que o aborto ou a eutanásia são errados, e há também aqueles que acreditam que só as ciências empíricas (física, biologia, química, etc.) é que podem oferecer conhecimento genuíno sobre a realidade. É inegável que essas crenças são importantes para a maioria de nós; e defendê-las não deixa de ser menos importante. Ora, ninguém vai ao laboratório para tentar provar sua verdade; ao invés, usa o raciocínio puro para tentar mostrar a verdade dessas crenças. Portanto, as peças que a filosofia fornece ao nosso quebra-cabeças não são menos importantes do que as peças que a física, a biologia ou a história fornecem. E na aplicação, qual é a mais importante? A física oferece conhecimento suficiente para a construção de aviões, transferência de dados via internet, operações de correção da visão, etc. O avanço na biologia possibilitou a cura da pneumonia; e o estudo da história nos ajuda a evitar os erros que humanidade cometeu no passado.

E a filosofia? Bem, a filosofia… pode nos libertar dos grilhões da ignorância. A expressão “libertar dos grilhões da ignorância” é um tanto pomposa; melhor substitui-la por “a filosofia aguça nosso olhar crítico sobre a realidade”. Neste sentido, a aplicação prática da filosofia nada deve à das ciências. Mas a contribuição mais importante da filosofia para nossas vidas comuns é mesmo a avaliação de argumentos. Avaliar argumentos não é uma atividade exclusiva da filosofia, fazemos isso também em outras áreas. No entanto, pelo fato de a filosofia ser uma disciplina de natureza a priori, isto é, feita pelo raciocínio apenas, a avaliação de argumentos é uma de suas tarefas principais; e sendo esta uma tarefa principal, é de se esperar um grande avanço nas técnicas de avaliação de argumentos. Qualquer bom manual de lógica fornecerá uma quantidade razoável dessas técnicas. Ao avaliar argumentos filosóficos, os filósofos dão atenção às ambiguidades da linguagem natural, procuram imprecisões e ideias escondidas, e tentam tornar algumas ideias mais plausíveis, entre outras atividades.

Em suma, a filosofia torna nossa capacidade de pensamento muito mais precisa e eficaz. É de se esperar, portanto, que em situações corriqueiras onde estejam envolvidos argumentos, alguém que pense como um filósofo tenha mais probabilidades de avaliar corretamente tais argumentos e dizer se são bons ou não. O estudo da filosofia, portanto, fornece algo precioso ao ser humano: a capacidade para avaliar cuidadosamente as justificações que alguém tem para determinadas ações ou crenças. Mesmo não sendo a atividade intelectual mais importante — não há a mais importante! — a filosofia compõe, com certeza, uma parte interessante da investigação do quebra-cabeças da realidade. E ao montar essa parte do quebra-cabeças adquirimos certas capacidades extraordinárias para avaliar e oferecer razões a favor ou contra muitos dos nossos pontos de vistas mais comuns. Eis a modesta contribuição da filosofia para o ser humano comum.


A inevitabilidade da filosofia

Crônica de Desidério Murcho, professor de filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), publicado no jornal Público do dia 26 de fevereiro de 2008.


À parte alguns estudiosos, poucas pessoas sabem que Aristóteles (384-322 a.C.) escreveu uma humilde introdução à filosofia, hoje conhecida pelo seu título grego: Protréptico. O livro foi muitíssimo influente durante cerca de mil anos. Quando Boécio (480-524 d.C.) escreveu a sua famosa Consolação da Filosofia, tinha em mente a obra de Aristóteles, cujas ideias lhe chegaram através do Hortênsio, de Cícero (106-43 a.C.) — que, por sua vez, era uma espécie de versão romana do original de Aristóteles.

Por mais que muitas gerações de leitores se sentissem gratos a Aristóteles por ter escrito uma lúcida e iluminante introdução à filosofia, este não é o tipo de obra que os acadêmicos e os intelectuais — do passado e do presente — tenham tendência para estimar. Acarinharam, releram e mantiveram em boas condições as obras mais sofisticadas de Aristóteles, mas não a sua modesta introdução. E foi assim que este livrinho de Aristóteles ficou perdido e praticamente esquecido, até Ingram Bywater redescobrir alguns fragmentos, já no século 19.

Uma das ideias expostas por Aristóteles nesse livrinho exibe com mestria a natureza da filosofia. Não temos uma citação direta da passagem em causa, mas temos várias menções indiretas, e todas concordam que Aristóteles usou algo como o seguinte argumento a favor da filosofia: “Se temos de filosofar, temos de filosofar. Se não temos de filosofar, temos de filosofar. Logo, em qualquer caso, temos de filosofar”.

Isto parece um daqueles trocadilhos que dão mau nome à filosofia, mas há sabedoria nestas palavras. Trata-se de um pequeno argumento dedutivo, válido, com duas premissas apenas. A primeira é uma trivialidade, claro. A subtileza está na segunda. O que Aristóteles tinha em mente é que para argumentar que não temos de filosofar, temos de usar um argumento qualquer. Mas que tipo de argumento será? Quando pensamos nisso, vemos que não há argumentos biológicos, físicos, matemáticos ou históricos contra a filosofia. Qualquer argumento contra a filosofia teria de ser filosófico. Portanto, para rejeitar a filosofia temos de filosofar. O que demonstra que a filosofia é inevitável. Argumentar contra a filosofia é como gritar “Não estou gritando!”.

Não há maneiras não contraditórias de argumentar contra a filosofia porque a filosofia é o estudo cuidadoso das nossas ideias mais básicas. Mesmo quem pensa que a filosofia é uma besteira tem ideias filosóficas sobre a natureza do conhecimento (epistemologia) ou da realidade (metafísica). Filosofar é avaliar cuidadosamente essas ideias, em vez de as aceitarmos como se fossem as únicas alternativas viáveis. Assim, a opção não é entre ter ou não ter ideias filosóficas. É tão impossível viver sem ter ideias filosóficas como é impossível viver sem ter ideias físicas sobre o mundo à nossa volta. A opção é entre tê-las, estudando-as cuidadosamente, ou ter a ilusão de que não as temos, só porque não nos damos ao incômodo de as estudar.


O que é metafísica?

Artigo de Timothy Williamson, professor de filosofia da Universidade de Oxford, publicado originalmente em The British Academy. Traduzido por Charles Andrade.


Metafísica soa como se devesse ser algo como a física, só que “meta”. Na verdade, “meta” em grego antigo significa “depois”. A palavra “metafísica” foi cunhada por um antigo editor das obras de Aristóteles, que a empregou simplesmente para nomear os livros listados após os de física. Os livros de física discutiam coisas que mudam; os livros de metafísica discutiam coisas que não mudam. Hoje, a palavra “metafísica” é usada de forma mais ampla, para designar o ramo da filosofia que estuda, de uma forma muito geral, o que existe e como existe. Assim, a ideia de que tudo muda conta como uma ideia metafísica, embora exclua o assunto da Metafísica de Aristóteles.

Além da origem das palavras, há um problema mais profundo sobre como a metafísica se relaciona com a física e com as demais ciências naturais. Ora, as ciências naturais não descobrem o que existe no mundo e como ele está estruturado? Em caso afirmativo, que espaço sobra para a metafísica? Os cientistas naturais e os metafísicos parecem estar fazendo as mesmas perguntas. A diferença é que os cientistas naturais baseiam suas respostas na observação, experimentação, medição e cálculo, enquanto os metafísicos baseiam suas respostas em reflexão de poltrona. Isso quer dizer que a metafísica é apenas uma espécie de física preguiçosa, cuja data de validade expirou?

Os metafísicos podem alegar que as ciências naturais investigam o mundo da experiência, enquanto as questões metafísicas dizem respeito a aspectos da realidade que transcendem a experiência. O perigo disso é que qualquer tentativa de ir além de nossa experiência acaba em teorizações sem sentido, uma vez que não podemos entendê-las. Essas suspeitas em relação à metafísica existem desde David Hume e Immanuel Kant no século 18. Mas esses autores não são decisivos.

Podemos definir “naturalismo” como a opinião de que tudo o que existe é natural, o tipo de coisa estudada pelas ciências naturais, como elétrons e genes. O naturalismo é em si uma teoria metafísica significativa. Mas não é o tipo de teoria que os métodos usuais das ciências naturais são capazes de avaliar. Por exemplo, os números são naturais? A ciência natural usa matemática o tempo todo, mas não estuda os números em si – ela apenas os considera como garantidos e os aplica para medir as quantidades físicas. Então, os números são contraexemplos ao naturalismo? Outro ponto de vista é o de que realmente não existem coisas como números; eles são apenas ficções úteis. Mas explicar como uma mera ficção pode ser tão útil quanto os números para as ciências naturais provou ser uma tarefa terrivelmente difícil. Sem compreender a metafísica dos números, não podemos compreender adequadamente o papel da matemática na ciência.

A metafísica se esconde em lugares inesperados. Quando Margaret Thatcher era primeira-ministra do Reino Unido, ela fez uma declaração metafísica notória: “Não existe sociedade” (em uma entrevista para a revista Women’s Own, em 1987). Para ela, existem apenas os cidadãos individuais, que se relacionam entre si, mas não constituem com isso outra entidade, a qual chamaríamos de sociedade. Claro, o oposto também é uma afirmação metafísica: que existe uma coisa chamada sociedade. Ambas as afirmações dizem respeito aos tipos de coisas que existem. É uma disputa metafísica típica, entre visões reducionistas e antirreducionistas. Qual lado está certo? Pode parecer que isso não faz nenhuma diferença prática, exceto que um lado foi usado para justificar políticas sociais controversas. Um reducionista mais linha-dura do que a Sra. Thatcher diria: “Não existe tal coisa como o indivíduo”. Desse ponto de vista, existem apenas os átomos particulares, que estão relacionados uns com os outros, mas eles não constituem outra entidade, uma pessoa – por exemplo, você. Você já se perguntou que tipo de coisa você é: um animal humano, uma alma imortal, um fluxo de consciência, nada? Ao fazer essas perguntas, você já está fazendo metafísica.


O filósofo e o futuro

Quando pensamos no futuro, geralmente tentamos imaginar o que será diferente, o que vai mudar. Daí surgem as mais variadas especulações futurísticas sobre ciência, tecnologia e inovação. O papel do filósofo, ao contrário, é perguntar o que vai permanecer, o que vai continuar valendo, o que não vai mudar. Porque, afinal, é isso o que mais importa. Desisti de estudar jornalismo no primeiro ano do curso por um motivo muito simples: os textos jornalísticos não resistem ao tempo. Uma notícia, matéria, artigo de opinião ou reportagem incrivelmente bem escrita hoje, na qual o jornalista investiu tanto tempo, esforço e talento, estará velha amanhã ou semana que vem. Os textos jornalísticos relatam fatos do dia-a-dia, e estes estão sempre presos ao tempo em que aconteceram. Passam-se os dias e aquela reportagem magnífica já ficou ultrapassada por novos fatos, novas notícias, novos tempos. Em vez de jornalismo, resolvi estudar filosofia. E o motivo não foi outro: os bons textos filosóficos, ao contrário dos jornalísticos, pretendem-se atemporais, almejam a imortalidade, resistem aos séculos. Em suma, me interessam temas atemporais e universais. Me interessam os clássicos. Platão e Aristóteles, 25 séculos depois, continuam atuais; ao passo que ninguém mais lembra o que William Bonner disse semana passada no Jornal Nacional.


O Mundo de Sofia – Jostein Gaarder

Vamos resumir: um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pelos, lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se agarram com força aos pelos do coelho e berram para as pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida: — Senhoras e senhores — gritam eles —, estamos flutuando no espaço! Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessa pela gritaria dos filósofos: — Deus do céu! Que caras mais barulhentos! — elas dizem. E continuam a conversar: será que você poderia me passar a manteiga? Qual a cotação das ações hoje? Qual o preço do tomate? Você ouviu dizer que a Lady Di está grávida de novo?


O progresso na filosofia

As ciências têm implicações práticas óbvias, as pessoas facilmente veem seus resultados. A maioria das pessoas pensa que, se não podemos ver resultados, não há progresso. Como não veem o mesmo gênero de resultados na filosofia, concluem que na filosofia não há progresso. Isso é falso. Há muito progresso em filosofia, mas não o progresso a que as pessoas geralmente estão habituadas.

Imagine que houve um homicídio e ninguém sabe quem cometeu o crime. A polícia isola a área e um investigador experiente começa a fazer a perícia. Coleta evidências, segue pistas, ouve relatos, colhe impressões digitais e amostras de sangue que está no chão, fotografa a cena do crime etc. No fim das contas nunca se descobre quem é o assassino. Pergunta muito simples: quem sabe mais a respeito daquele crime? Este investigador ou um jornalista que se limita a dizer meia dúzia de coisas no jornal e publica vagamente a história? Evidente que o investigador. Ainda que não se tenha descoberto quem é o assassino, ele sabe muito acerca daquele homicídio.

Podemos fazer a mesma analogia com a filosofia. Um filósofo pode saber muito acerca de um problema filosófico sem no entanto respondê-lo definitivamente. Isso não significa que não há progresso. Na verdade, existe muito progresso, porque hoje conhecemos teorias que sabemos como funcionam, erros que já não cometeremos mais e muitas alternativas teóricas que as gerações passadas sequer conceberam. Muitas vezes temos, por exemplo, três alternativas teóricas, dentre as quais não sabemos qual é a verdadeira; mas ter essas três alternativas teóricas bem formuladas, caracterizadas e distintas umas das outras já é um grande progresso.

Ora, por que buscamos o progresso econômico, científico e tecnológico da humanidade? Pra que queremos riqueza, conforto e segurança material? Queremos essas coisas garantidas para poder fazer outras coisas que nos interessam: música, artes, literatura, esportes, filosofia… Na Antiguidade, isso era óbvio: estimamos as coisas úteis porque elas nos permitem ter tempo, conforto e segurança para fazermos as inúteis. Estimamos o negócio porque ele nos permite o ócio.

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Padres, revolucionários e poetas

Crônica de Aires Almeida, professor de filosofia em uma escola secundária de Portugal, publicada em novembro de 2008 no blog Questoes Básicas.


Nunca mais me esqueço do que, há muitos anos, um colega mais velho de matemática me disse na sala dos professores. Além do seu cachimbo (nessa altura ainda se fumava nas escolas), esse colega era conhecido por assumir frequentemente uma atitude intelectualmente provocadora e até politicamente incorreta, como hoje se diz. Esse colega, que eu ainda mal conhecia, se virou para mim e disse: “Olha lá, pá, ainda não cheguei a perceber se tu és dos padres, dos revolucionários ou dos poetas”. Fiquei intrigado com o comentário dele e perguntei o que queria dizer com aquilo. “Ora, todos os professores de filosofia que conheci ou pareciam padres ou revolucionários de esquerda ou tolinhos armados em poetas lunáticos”. Achei a generalização algo abusiva, mas quis saber como ele caracterizava cada um desses grupos. A resposta foi mais ou menos nestes termos: “Os padres ensinam filosofia como se fosse catequese; os revolucionários de esquerda não estão interessados em ensinar seja o que for, mas em levar a rapaziada a mandar bocas contra o sistema; os poetas lunáticos são aqueles que, sem paciência para raciocinar disciplinadamente, querem liberdade para dizer a primeira bobagem que lhes passe pela cabeça”.

Penso que o comentário do colega foi injusto, pois felizmente não se aplica a muitos professores de filosofia. Mas, ainda assim, não deixou de me fazer pensar. A verdade é que ele estava a tentar denunciar aquilo em que a filosofia não se pode tornar e que, a ser assim, a tornaria dispensável. O colega queria, no fundo, protestar contra a ideia de que a filosofia é um conjunto de preceitos que se transmitem dogmaticamente (os padres); ou um gesto de pura contestação, seja contra o que for (os revolucionários); ou ainda um pretexto para cada um exprimir o que lhe vai na alma, seja lá isso o que for (os poetas). Sem desprimor para os verdadeiros padres, revolucionários e poetas.

Ora bem, esta ideia não é totalmente uma invenção dele. A verdade é que a tentação para muitos de nós santificarmos ou idolatrarmos os nossos filósofos preferidos pode fazer-nos deslizar facilmente do campo do exercício crítico que caracteriza a filosofia para o campo da catequese quase religiosa. Assim como é fácil ser impaciente e criticar sem antes ter compreendido, ou confundir a ausência de dogmas com a livre expressão de sentimentos e o reino do vale tudo. Filosofia não é religião, não é política e não é poesia. A filosofia ocupa-se dos seus próprios problemas, apesar de alguns deles serem acerca da religião, da política e da poesia. É certo que estes domínios por vezes se contaminam, tal como se pode misturar água com café. Mas, tal como a água não passa a ser café e o café não passa a ser água, também a filosofia não passa a ser religião, política e poesia, bem como estas a ser filosofia. Também não é de estranhar que a melhor filosofia se manifeste na discussão direta com os filósofos, pois afinal são eles os profissionais do ofício, os que mais treinados estão para formular corretamente e discutir criticamente os problemas filosóficos. A filosofia tem um valor intrínseco e não precisa de se tornar religião, política ou poesia para ter dignidade.

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Refinamento de gosto intelectual

No final da adolescência, eu me interessava pelos livros que ficam logo na entrada dessas grandes livrarias de shopping, geralmente na categoria dos “mais vendidos”. Por um tempo, também cheguei a assinar e comprar nas bancas muitas dessas revistas populares de divulgação científica, no estilo Superinteressante, Galileu, National Geografic e similares. Crônicas, tirinhas e palavras cruzadas em jornais e nos livros didáticos de português eram um deleite.

No início da vida adulta, cancelei as assinaturas de revistas e já não me interessava mais pelos best-sellers. Passei a me interessar pelos livros que ficavam um pouco mais, digamos, escondidos no fundo ou no subsolo das grandes livrarias e passei a frequentar os sebos do centro da cidade em busca de conteúdos mais substanciais.

Quando entrei no curso de filosofia, passei a ter um cantinho certo para fuçar nas prateleiras dos sebos, livrarias e bibliotecas: a seção de filosofia, sempre em busca de novidades para incrementar minha estante. E fui me interessando mais pelos clássicos gregos, pelas grandes obras de filosofia antiga, especialmente Aristóteles.

Durante o mestrado, nada que eu pudesse encontrar nas livrarias me enchia mais os olhos. Aquilo que aparecia de minimamente interessante eu já tinha em casa, no computador ou sabia onde baixar em PDF. Além disso, acredito que uns 90% da bibliografia que me interessava só estava disponível nas bibliotecas das melhores universidades do país – e mesmo assim apenas em inglês, espanhol ou italiano (francês e alemão eu sequer me atrevi a tentar).

Agora no doutorado, há meses só tenho lido artigos científicos na minha área de pesquisa, até o ponto em que nenhum desses artigos responde mais os problemas com os quais estou lidando (ou respondem errado). Minha única saída é escrever, eu mesmo, minha própria tese, dialogando com especialistas do mundo todo e propondo uma contribuição original e relevante na minha área.

No fim das contas, após essa longa jornada, está claro para mim que a filosofia, de certo modo, é apenas isto: um certo refinamento do gosto intelectual.

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Os filósofos pré-socráticos

Este infográfico é uma excelente ferramenta para quem estuda História da Filosofia Antiga, especialmente os filósofos pré-socráticos (antes de Sócrates). Os nomes são posicionados de cima para baixo conforme a linha do tempo (lado esquerdo), as cores representam as diferentes escolas de pensamento (legenda do lado direito) e as setas representam as influências (as vermelhas por oposição). Clique para ver maior:

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38% dos universitários brasileiros são analfabetos funcionais, segundo Inaf

38% dos universitários brasileiros não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa. O indicador reflete o expressivo crescimento de universidades de baixa qualidade. Criado em 2001, o Inaf é realizado por meio de entrevista e teste cognitivo aplicado em uma amostra nacional de 2 mil universitários, que respondem perguntas relacionadas ao cotidiano, como, por exemplo, sobre o itinerário de um ônibus ou o cálculo do desconto de um produto. O indicador classifica os avaliados em quatro níveis de alfabetização: plena, básica, rudimentar e analfabetismo. Aqueles que não atingem o nível pleno são considerados analfabetos funcionais, ou seja, são capazes de ler e escrever, mas não conseguem interpretar e associar informações.

Para a diretora executiva do IPM, Ana Lúcia Lima, os dados da pesquisa reforçam a necessidade de investimentos na qualidade do ensino. “A primeira preocupação foi com a quantidade, com a inclusão de mais alunos nas escolas. Porém, o relatório mostra que já passou da hora de se investir em qualidade”, diz Ana Lúcia. Segundo dados do IBGE, cerca de 30 milhões de estudantes ingressaram nos ensinos médio e superior entre 2000 e 2009. Para a diretora do IPM, o aumento foi bom, pois possibilitou a difusão da educação em vários estratos da sociedade. No entanto, a qualidade do ensino caiu por conta do crescimento acelerado. “Algumas universidades só pegam a nata e as outras se adaptaram ao público menos qualificado por uma questão de sobrevivência”, diz.

Para a coordenadora da Ação Educativa, Vera Masagão, o indicativo reflete a “popularização” do ensino superior sem qualidade. “Num mundo ideal, qualquer pessoa com uma boa 8ª série deveria ser capaz de ler e entender um texto ou fazer problemas com porcentagem, mas no Brasil ainda estamos longe disso”. Segundo Vera, o número de analfabetos funcionais só vai diminuir quando houver programas que estimulem a educação como trampolim para uma maior geração de renda e crescimento profissional. “Existem muitos empregos em que o adulto passa a maior parte da vida sem ler nem escrever, e isso prejudica a procura pela alfabetização”.

Com informações de: Estadão.


Apenas 8% dos brasileiros adultos
são plenamente alfabetizados

Segundo relatório divulgado recentemente, apenas 8% das pessoas em idade de trabalhar são consideradas plenamente alfabetizadas, isto é, capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Eles estão no nível “proficiente” em um índice chamado Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional). Um indivíduo considerado “proficiente” é capaz de compreender e elaborar textos, além de conseguir opinar sobre o posicionamento ou estilo do autor do texto. Também é apto a interpretar tabelas e gráficos simples; e compreende, por exemplo, que tendências aponta ou que projeções podem ser feitas a partir dos dados. Numa situação ideal, todos os estudantes que completam o ensino médio deveriam alcançar esse nível. Segundo o relatório Alfabetismo e o Mundo do Trabalho, há cinco níveis de alfabetismo funcional: analfabeto (4%), rudimentar (23%), elementar (42%), intermediário (23%) e proficiente (8%). O grupo de “analfabeto” mais o de “rudimentar” são considerados analfabetos funcionais. O estudo foi conduzido pelo IPM (Instituto Paulo Montenegro) e pela ONG Ação Educativa. No conjunto, foram entrevistadas 2002 pessoas entre 15 e 64 anos de idade, residentes em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do país. (Fonte: UOL Educação)


A inferioridade do ensino superior

Artigo do professor André Gazola publicado no portal Lendo.

Ao fim você me chamará de romântico, mas ando mastigando essas coisas faz tanto tempo que esse artigo será nada menos que um grande cuspe. Cartazes, panfletos e propagandas de televisão têm me convidado a ingressar na universidade. Uma formação superior que abrirá as portas para uma brilhante carreira profissional, com salários exorbitantes, viagens para a Europa, apartamentos em Copacabana e uma família feliz. São todos os sonhos deles realizadosPasso pela prova de admissão — que exige todo o potencial de meus dois neurônios relapsos — e chego na primeira aula com meu boné, meus óculos escuros e as roupas largas que hoje impressionam as garotas (aquelas, lindíssimas, que às oito da manhã estão com 1 quilo de maquiagem no rosto) da mesma forma que o terno e a gravata impressionarão daqui a 5 anos.

Sou um universitário. Dirijo o carro importado que ganhei do papai como prêmio por passar no vestibular. Tenho aula de filosofia, política, ética, direito, religião, mas apesar de não entender uma palavra do que falam e não me preocupar em ler aquelas absurdas quatro páginas que o professor pediu, sei que tudo isso não adicionará nenhum zero em minha conta bancária e por isso vou faltar hoje, afinal a prova final é com consulta e em dupla. Finalmente a formatura. Minha família chorando de alegria vendo o filho receber um canudo e ser agraciado com o título de bacharel. Sou o primeiro da linhagem a alcançar tamanho sucesso. Meu currículo não é dos melhores, algumas reprovações atrasaram meus planos, mas nada que papai não resolva com aqueles amigos dele. É bom ir para o apartamento novo, jogar fora todas as tralhas da faculdade e finalmente descansar, afinal foram seis dolorosos anos aqueles. Principalmente o último, no qual quase todo mundo que vente monografias já estavam com clientes demais.

Essa é a vida do universitário médio, tipo que tem infestado o meio acadêmico. Sua simploriedade não é simplesmente textual, mas intelectual, crônica e contagiosa. Convencionou-se, ao longo dos últimos anos, que a universidade seria uma extensão, uma continuação do Ensino Médio. Bem, ela não é; apesar de estar se tornando. A universidade não foi criada para ensinar profissões. Ela foi criada para, lá dentro, você ver que existem pontos de vista diferentes do seu, ver que a realidade é muito maior e mais complexa do que você sempre imaginou ou ainda vai imaginar, para entender que você só é hoje porque alguém já foi um dia — e que você está intimamente ligado a tudo que aquele alguém fez ou deixou de fazer. Além disso, a universidade serve para dar voz às ideias que o mundo aqui fora não é capaz de compreender, tolerar ou praticar. A universidade é o lugar dos pensadores, não dos acomodados.

Sei que essa é uma visão extremamente romântica e que você já deve estar questionando o senso prático disso tudo com questões do tipo “o que eu vou ganhar com isso?”, “de que adianta eu ser assim se ninguém mais é?”, ou até com convicção: “assim eu vou ser passado pra trás”, etc. Na verdade, esse artigo desempenha exatamente o papel que a universidade deveria desempenhar: suscitar perguntas, não dar respostas. Os melhores universitários sabem, mesmo hoje, que vão sair da universidade com pouquíssimas respostas, mas com experiências que, ao longo dos anos, servirão para formular uma pergunta que lhes guiará pelo resto da vida acadêmica. Os demais, como alguém já disse um dia, talvez virem reitores.

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10 fatos curiosos sobre os sonhos

Os sonhos são uma das experiências mais misteriosas e interessantes das nossas vidas. As histórias que vivemos durante o sono intrigam especialistas e curiosos. Na busca de explicações para esse fenômeno, descobriu-se uma série de curiosidades que vale a pena compartilhar. Veja abaixo uma lista com 10 fatos curiosos sobre os sonhos, compilados pelo blog Mega Curioso:

1. Todo mundo sonha, inclusive cegos: Se você acha que não sonha, é porque não consegue lembrar dos seus sonhos. Com exceção de pessoas com distúrbios psicológicos extremos, todo mundo sonha, inclusive cegos. Pessoas que ficaram cegas podem ver imagens durante os sonhos. As que nasceram cegas possuem sonhos igualmente vívidos envolvendo apenas os outros sentidos.

2. Animais também sonham: Estudos realizados com diversos animais mostraram que eles apresentam a mesma frequência de ondas cerebrais que os humanos durante o sono. Se você quiser ver isso acontecendo de perto, assista a um cão ou gato dormir por alguns minutos. É comum flagrar esses animais movendo as patas como se estivessem correndo e fazendo sons como se estivessem caçando.

3. Sonhamos em média 4 a 7 vezes por noite: O sonho acontece na fase REM, período que corresponde de 20% a 25% do período que estamos dormindo. Portanto, se descansarmos aproximadamente 8 horas por dia, permanecemos nessa fase entre um hora e meia e duas horas diariamente. Esse momento é caracterizado pelo movimento rápido dos olhos e pela atividade cerebral semelhante à quando estamos acordados. Em média, é possível ter de 4 a 7 sonhos em uma única noite, cada um com duração de 5 a 20 minutos. Uma pessoa normal passa, em média, 6 anos da sua vida sonhando.

4. Esquecemos 95% dos sonhos: Já percebeu como é difícil se lembrar de um sonho? Isso acontece porque costumamos esquecer a metade do sonho apenas 5 minutos depois de acordarmos. E após 10 minutos, você já esqueceu cerca de 90% do que sonhou. Se você for acordado durante o sono REM, no entanto, tem mais chances de lembrar do sonho mais vividamente.

5. Todos os rostos são conhecidos: Nosso cérebro não é capaz de inventar rostos. Se algum estranho aparecer nos seus sonhos, saiba que você já viu esse rosto antes. Todas as feições com as quais sonhamos são de pessoas reais, quer você se recorde delas ou não. Como temos contato com milhares de pessoas ao longo da vida, nosso cérebro tem um repertório enorme de personagens para suas histórias.

6. Nem todo mundo sonha em cores: Sabe-se que 12% das pessoas com visão normal sonham exclusivamente em preto e branco. Para o restante, as imagens são sempre coloridas. Curiosamente, estudos realizados entre 1915 e 1950 apontavam que a maior parte das pessoas sonhava em preto e branco, mas isso começou a mudar a partir da década de 1960. Atualmente, apenas 4,4% dos sonhos de pessoas com menos de 25 anos são em preto e branco. Acredita-se que isso seja um reflexo da modernização do cinema e da televisão, que passaram a ser exibidos em cores.

7. Estímulos externos invadem os sonhos: É comum que nosso cérebro interprete os estímulos externos que recebemos durante o sono e faça com que eles participem dos sonhos. Isso explica porque o som do seu despertador pode ser interpretado como uma sirene que toca no meio de um sonho, mas nada mais é do que a incorporação desse estímulo sonoro. Esse fenômeno é tecnicamente chamado de “incorporação”. Um exemplo similar ocorre quando você sente sede ou vontade de urinar no mundo real enquanto dorme e isto é transportado para o sonho. A maioria das crianças urinam na cama por causa de incorporação: estão com a bexiga cheia, sonham que estão apertados e urinam no sonho ao mesmo tempo em que molham a cama. Pessoas com sede durante o sono relatam tomar copos de água dentro do sonho para, minutos depois, ficar com sede e tomar outro copo. O ciclo se repete até que a pessoa acorda.

8. Homens, mulheres e crianças sonham diferente: É estranho, mas cerca de 70% dos personagens dos sonhos dos homens são outros homens. As mulheres, por outro lado, costumam apresentar um equilíbrio entre personagens homens e mulheres em seus sonhos. Além disso, homens têm comprovadamente mais sonhos eróticos do que as mulheres. Já as crianças não sonham sobre si mesmas até aproximadamente os 3 anos. À partir desta idade, elas têm muito mais pesadelos do que os adultos até completar 7 ou 8 anos.

9. Sonhos recorrentes e sonhos lúcidos: Algumas pessoas têm sonhos recorrentes. Trata-se do mesmo sonho que se repete durante longos períodos de tempo. Geralmente possui aspectos de pesadelo e pode ser causado por estresse pós-traumático. Um sonho lúcido, por sua vez, é aquele em que você está consciente de que está sonhando, mesmo estando realmente dormindo. Durante essa experiência, você pode direcionar ou controlar o conteúdo do sonho. Aproximadamente metade de nós pode lembrar da experiência de um sonho lúcido. Alguns indivíduos podem ter sonhos lúcidos com bastante frequência.

10. Alguns sonhos são universais: Os sonhos normalmente são influenciados por experiências pessoais, mas certos temas são muito comuns em todas as culturas. Por exemplo, pessoas de todo o mundo frequentemente relatam a desconfortável sensação estar sendo perseguidas, fugindo, sendo atacadas ou despencando em queda livre. É muito comum também a sensação de tentar correr e não conseguir sair do lugar, sentir-se congelado e incapacitado de se mexer. Outras experiências comuns incluem eventos escolares, como estar sempre atrasado ou despreparado para um prova importante, sair de casa sem roupa e estar nu em público.

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