Solidão amiga – Rubem Alves

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão desligada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão. O que mais você deseja é não estar só. Mas deixa que euContinuar lendo “Solidão amiga – Rubem Alves”

Crônicas sobre nossa percepção do tempo

Reuni todas estas crônicas em um único post porque elas tratam de um assunto em comum: a nossa percepção do tempo. Não são sobre o tempo propriamente dito, enquanto categoria da física, da cosmologia ou da metafísica. São sobre a maneira como nós o experimentamos, como o percebemos no cotidiano, como lidamos com ele noContinuar lendo “Crônicas sobre nossa percepção do tempo”

Sobre a morte e o morrer

Celebra-se hoje no Brasil o Dia de Finados, uma data em que milhões de pessoas, muitas delas em visitas aos cemitérios, relembram e homenageiam entes queridos que já se foram. Aproveitando a ocasião, compartilho a crônica abaixo, escrita por Rubem Alves e publicada no jornal Folha de São Paulo do dia 12 de outubro de 2003.Continuar lendo “Sobre a morte e o morrer”

Os grandes contra os pequenos – Rubem Alves

Vou contar uma estória que aconteceu de verdade. Sobre um menininho de oito anos, meu amigo. Passei, por acaso, na cidade onde ele mora. O avião chegou tarde. Seus pais foram me esperar no aeroporto. Enquanto íamos para casa, perguntei: “Então, e o Gui, como vai?”. “Ah! Não vai bem, não”, revelou a mãe. “NaContinuar lendo “Os grandes contra os pequenos – Rubem Alves”

O legado literário de João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna

Julho de 2014 ficou marcado como um mês de luto para a literatura brasileira. Neste momento deve estar acontecendo um festival literário no além. Aparentemente, só isso pode explicar que, no espaço de apenas uma semana, tenhamos perdido três grandes escritores brasileiros. Por ironia do destino, a semana que começou na última sexta-feira com a morte de João Ubaldo RibeiroContinuar lendo “O legado literário de João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna”

Cálculos cerebrais – Rubem Alves

Minha neta parecia absorta, lendo seu livro de biologia. 16 anos, idade tão bonita, o mundo inteiro a ser compreendido – especialmente em se tratando de biologia. Haverá coisa mais fascinante que a vida? Toda moça de 16 anos quer compreender a vida, pois a vida está borbulhando dentro dela. Olhei para o livro: ilustrações coloridas,Continuar lendo “Cálculos cerebrais – Rubem Alves”

A arte de produzir fome – Rubem Alves

Adélia Prado me ensina pedagogia: “Não quero faca nem queijo, quero é fome”. O comer queijo não começa com o queijo. O comer queijo começa com a fome de queijo. Se não tenho fome de queijo, é inútil ter queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, dou um jeito de arranjarContinuar lendo “A arte de produzir fome – Rubem Alves”

Sobre o casamento – Rubem Alves

Depois de muito meditar sobre o assunto, concluí que os casamentos são de dois tipos: tênis e frescobol. Casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e costumam ter vida longa. Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, comContinuar lendo “Sobre o casamento – Rubem Alves”

Muito cedo para decidir – Rubem Alves

Crônica de Rubem Alves em resposta a uma estudante que lhe escreveu angustiada por não saber qual curso escolher na inscrição do vestibular. O texto foi extraído do livro Estórias de quem gosta de ensinar: o fim dos vestibulares (São Paulo, 1995). Gandhi se casou menino. Foi casado menino. Foram os adultos que assinaram o contrato. Os dois sequerContinuar lendo “Muito cedo para decidir – Rubem Alves”

A complicada arte de ver – Rubem Alves

Crônica de Rubem Alves publicada no jornal Folha de S.Paulo do dia 26/10/2004. Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, osContinuar lendo “A complicada arte de ver – Rubem Alves”