A solidão amiga – Rubem Alves

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão desligada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão. O que mais você deseja é não estar em solidão. Mas deixa queContinuar lendo “A solidão amiga – Rubem Alves”

Crônicas sobre nossa percepção do tempo

Reuni todas estas crônicas em um único post porque elas tratam de um assunto em comum: a nossa percepção do tempo. Não são sobre o tempo propriamente dito, enquanto categoria da física, da cosmologia ou da metafísica. São sobre a maneira como nós o percebemos no cotidiano, como lidamos com ele no dia a dia.Continuar lendo “Crônicas sobre nossa percepção do tempo”

A morte como ela é

Não é tão simples quanto parece: quando morremos, milhares de partes do nosso corpo estão na ativa tentando reverter o processo. E muita coisa ainda acontece depois que damos o último suspiro. É o que mostra esta matéria da Superinteressante. Quando Steven Thorpe chegou ao Hospital Universitário de Coventry, no Reino Unido, a equipe médica disse àContinuar lendo “A morte como ela é”

Os grandes contra os pequenos

Crônica de Rubem Alves. Vou contar uma estória que aconteceu de verdade. Sobre um menininho de oito anos, meu amigo. Passei, por acaso, na cidade onde ele mora. O avião chegou tarde. Seus pais foram me esperar no aeroporto. Enquanto íamos para casa, perguntei: “Então, e o Gui, como vai?”. “Ah! Não vai bem, não”, revelouContinuar lendo “Os grandes contra os pequenos”

O legado de João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna

Julho de 2014 ficou marcado como um mês de luto para a literatura brasileira. Neste momento deve estar acontecendo um festival literário no além. Aparentemente, só isso pode explicar que, no espaço de apenas uma semana, tenhamos perdido três grandes escritores. Por ironia do destino, a semana que começou na última sexta-feira com a morte de João Ubaldo Ribeiro (diaContinuar lendo “O legado de João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna”

Cálculos cerebrais – Rubem Alves

Minha neta parecia absorta, lendo seu caderno de biologia. 16 anos, idade tão bonita, o mundo inteiro a ser compreendido – especialmente em se tratando de biologia. Haverá coisa mais fascinante que a vida? Toda moça de 16 anos quer compreender a vida, pois a vida está borbulhando dentro dela. Olhei para o caderno: ilustrações coloridas,Continuar lendo “Cálculos cerebrais – Rubem Alves”

A arte de produzir fome – Rubem Alves

Adélia Prado me ensina pedagogia: “Não quero faca nem queijo; quero é fome”. O comer não começa com o queijo. O comer começa na fome de queijo. Se não tenho fome, é inútil ter queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, dou um jeito de arranjar queijo. Sugeri, faz muitos anos,Continuar lendo “A arte de produzir fome – Rubem Alves”

Cartas de Amor – Rubem Alves

“Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.” (F. P.) Tenho no meu escritório a reprodução de uma das telas mais delicadas que conheço: “Mulher lendo uma carta”, de Johannes Vermeer (1632-1675). Uma mulher, de pé, lê uma carta. O seu rosto está iluminado pela luz daContinuar lendo “Cartas de Amor – Rubem Alves”

Sobre o casamento – Rubem Alves

Depois de muito meditar sobre o assunto, concluí que os casamentos são de dois tipos: tênis e frescobol. Casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e costumam ter vida longa. Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, comContinuar lendo “Sobre o casamento – Rubem Alves”

Muito cedo para decidir – Rubem Alves

Crônica de Rubem Alves em resposta a uma estudante que lhe escreveu angustiada por não saber qual curso escolher na inscrição do vestibular. O texto foi extraído do livro Estórias de quem gosta de ensinar: o fim dos vestibulares (São Paulo, 1995). Gandhi se casou menino. Foi casado menino. Foram os adultos que assinaram o contrato. Os dois sequerContinuar lendo “Muito cedo para decidir – Rubem Alves”