A prosa poética de Khalil Gibran

No começo da pandemia, quando estava na moda incentivarmo-nos mutuamente a ficar em casa, ganhei da minha sogra uma coleção de livros do famoso escritor libanês Khalil Gibran (1883-1931). São dez exemplares já amarelados e gastos da década de 1980, com tradução para o português de Mansour Challita. Raridades que hoje só se encontram nos melhoresContinuar lendo “A prosa poética de Khalil Gibran”

A solidão amiga – Rubem Alves

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão desligada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão. O que mais você deseja é não estar em solidão. Mas deixa queContinuar lendo “A solidão amiga – Rubem Alves”

Padres, revolucionários e poetas

Crônica de Aires Almeida, professor de filosofia em uma escola secundária de Portugal, publicada em novembro de 2008 no blog Questoes Básicas. Nunca mais me esqueço do que, há muitos anos, um colega mais velho de matemática me disse na sala dos professores. Além do seu cachimbo (nessa altura ainda se fumava nas escolas), esse colegaContinuar lendo “Padres, revolucionários e poetas”

A arte de envelhecer

O tema da velhice foi objeto de brilhantes filósofos ao longo dos tempos. Um dos melhores livros já escritos sobre o assunto foi A arte do envelhecimento, de Cícero. Ele nota, primeiramente, que todas as idades têm seus encantos e suas dificuldades. E depois aponta para um paradoxo da humanidade. Todos sonhamos ter uma vida longa, o queContinuar lendo “A arte de envelhecer”

Poema com palíndromos

O poema a seguir é de minha autoria. Digo isso não absolutamente, pois não criei nenhum desses versos. Após reunir todos os palíndromos que encontrei em língua portuguesa (55 no total), isolados e espalhados por diversas fontes, meu trabalho consistiu apenas em organizá-los, dispondo-os numa ordem lógica de modo a dar-lhes sentido semântico. Gostei do resultado eContinuar lendo “Poema com palíndromos”

Parmênides e “Interestelar”

Os corcéis que me transportam, tanto quanto o ânimo me impele, conduzem-me, depois de me terem dirigido pelo caminho famoso da divindade, que leva o homem sabedor por todas as cidades. Por aí me levaram os habilíssimos corcéis, puxando o carro, enquanto as jovens mostravam o caminho. O eixo silvava nos cubos como uma siringe,Continuar lendo “Parmênides e “Interestelar””

As proezas de João Grilo

Estes versos são talvez os mais famosos e icônicos da literatura de cordel. Lembro que meu avô lia isso pra mim na infância (boa parte ele apenas recitava, pois sabia de cor). A autoria é do cordelista paraibano João Martins de Athayde (1880-1959). O personagem João Grilo foi quem inspirou o protagonista homônimo de “O Auto daContinuar lendo “As proezas de João Grilo”

Sonetos de Augusto dos Anjos

No centenário da morte do maior poeta paraibano, Augusto dos Anjos (1884-1914), compartilho com vocês nove de seus melhores sonetos. Saboreie a poesia, aprendendo a apreciar inclusive o gosto amargo de seus versos fúnebres, viscerais e verminais. Versos íntimos Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a ingratidão – esta pantera – Foi tuaContinuar lendo “Sonetos de Augusto dos Anjos”

Liberdade – Cecília Meireles

A poetisa, professora e jornalista carioca Cecília Meireles (1901-1964) estaria completando 113 anos hoje, se ainda não nos tivesse deixado. A crônica a seguir foi publicada no livro Escolha o seu sonho, no Rio de Janeiro, em 1964, ano de sua morte. Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponda a essa palavra “liberdade”,Continuar lendo “Liberdade – Cecília Meireles”

O galo e a pérola

Fábula em poema do poeta português Curvo Semedo (1766-1838). Num monturo esgravatando Formoso galo aguerrido Acha uma pérola fina Que havia um nobre perdido. Por três vezes a escoucinha Sem nela querer pegar À quarta, erguendo-a no bico, Põe-se a cacarejar. Vêm logo algumas galinhas Cuidando que era algum grão Mas vendo a pérola, tristes, Vão-se deixando-aContinuar lendo “O galo e a pérola”