Poema com palíndromos

O poema a seguir é de minha autoria, muito embora eu não tenha criado nenhum destes versos. Após reunir os melhores palíndromos* que encontrei em língua portuguesa (126 no total), isolados e espalhados por diversas fontes, meu trabalho consistiu apenas em organizá-los, dispondo-os numa ordem lógica de modo a dar-lhes algum sentido semântico. Gostei do resultado e resolvi compartilhá-lo.

* Palíndromos são palavras ou frases que permanecem iguais quando lidas de trás para frente. A palavra vem do grego palin (“para trás”) + dromos (“caminho”).

Ame o poema
Soa como caos

Nos ligou o Gilson
Saíram o tio e oito marias
Até o poeta
Aí, Lima falou: Olá, família!
A mãe te ama!
Olá, galo!
Oi, rato otário!
Pivete vip
O Atari piratão
Irene ri

Rir, o breve verbo rir
Eco? Vejo hoje você
Som? Só com o cosmos
E telas eram usadas à caneta até na casa da Sumaré, Salete!
Ali, lado da Lila
Zé de Lima, Rua Laura, Mil e Dez
A sacada da casa
A porta rangia à ignara tropa
O muro: rever o rumo
A torre da derrota
A base do teto desaba
Acuda cadela da Leda caduca
Ajudem Edu já!

Amora me tem aroma
Roma me tem amor
O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro
Ana me rola, calor emana
Ana, case, esse é sacana!
Marujos só juram
A pateta ama até tapa
Ódio do doido!
Laço bacana para panaca boçal
E Leda, sacana, ia na casa dele
Sem o dote, é todo mês
Ato idiota
Mega bobagem

Amar dá drama
O teu drama é amar dueto
Saúda e paga o ágape a duas
Raul ama Luar, Luar ama Raul
Leon ama Noel, Noel ama Leon
Ah, livre era papai Noel: Leon ia papar é ervilha!
Ramon ama dama de Ed: a má dama no mar
Ari é fã da danada da feira
Luza Rocelina, a namorada do Manuel, leu na Moda da Romana: “anil é cor azul”
Amada dádiva, a luz azula a vida da dama
A dama admirou o rim da amada
A diva ávida, dádiva à vida
A diva em Argel alegra-me a vida

No cabaré terá bacon
Sem o cu, tu comes?
O terrível é ele vir reto!
E temo-a no caso: no saco não mete
O cotonete no toco
Roda esse corpo, processe a dor
Ele padece da pele
O Cid é médico
Lá tem metal
O trote torto
O treco certo
O medo do certo é o treco do demo
Acata o danado e o danado ataca
Ótimo, só eu que os omito

O mito é ótimo!
A miss é péssima!
A cara rajada da jararaca!
Asnos levam a amável sonsa
A mala nada na lama
Ama fama? Vê lá, leva má fama!
Ana Rita: a tirana!
À Rita, sátira!
À Rita, sobre vovô, verbos atira.
Ésio, fale! Ela foi-se
A Daniela ama a lei? Nada!
O caso da droga da gorda do saco
A droga do dote é todo da gorda
A gorda ama a droga
O pó de cocaína mata maníaco cedo, pô!
O duplo pó do trote torpe de potro meu que morto pede protetor todo polpudo
A cera causa sua careca

A grama é amarga
E assim a missa é
E até o papa poeta é
Orava o avaro
Ias em missa? Logo, o gol assim me sai
Ande logo, ela vale o gol, Edna!
Até time demite, tá?
Assim, a aluna anula a missa
Assim, a sopa só mereceremos após a missa
Em roda, tropa; após a sopa, à porta dorme
Morram após a sopa marrom!

Oto come sopa, siri, sapos e mocotó
Oto come doce seco de mocotó
Seco de raiva, coloco no colo caviar e doces
Olé! Maracujá, caju, caramelo!
Atino… banana bonita
O lobo ama o bolo
A babá baba
A rara arara
Ladra pardal
O galo ama o lago
Eva, asse essa ave!
Ave veloz o leve. Vá!
Me vê se a panela da moça é de aço, Madalena Paes, e vem
Arroz é zorra
Ser belo: lebres
E vou ao Batata Boa, ouve?
Lava esse aval

O voo do ovo
O céu sueco
Aula é a lua
A Varig girava
Salta o Atlas
Rota de redator
Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos!
A lupa pula
Soluço-me sem óculos
Adias a data da saída?
Anotaram a data da maratona?
Anotaram? Meu erro comum ocorreu em maratona
Oh, nossas luvas avulsas, sonho…

Livre do poder vil
Lá vou eu em meu eu oval
Reviver

Charles Andrade

Publicado por Charles Andrade

Filósofo (PhD), amante do saber, da estrada e da natureza. Pai de Catarina e Matias, casado com Mila.

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