Sonetos de Augusto dos Anjos

No centenário da morte do maior poeta paraibano, Augusto dos Anjos (1884-1914), compartilho com vocês nove de seus melhores sonetos. Saboreie a poesia, aprendendo a apreciar inclusive o gosto amargo de seus versos fúnebres, viscerais e verminais. Versos íntimos Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a ingratidão – esta pantera – Foi tuaContinuar lendo “Sonetos de Augusto dos Anjos”

Liberdade – Cecília Meireles

Cecília Meireles (1901-1964) estaria completando 113 anos hoje, se ainda não nos tivesse deixado. A crônica a seguir foi publicada no livro Escolha o seu sonho, no Rio de Janeiro, em 1964, ano de sua morte. Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponda a essa palavra “liberdade”, pois sobre ela se têm levantadoContinuar lendo “Liberdade – Cecília Meireles”

O galo e a pérola

Fábula em poema do poeta português Curvo Semedo (1766-1838). Num monturo esgravatando Formoso galo aguerrido Acha uma pérola fina Que havia um nobre perdido. Por três vezes a escoucinha Sem nela querer pegar À quarta, erguendo-a no bico, Põe-se a cacarejar. Vêm logo algumas galinhas Cuidando que era algum grão Mas vendo a pérola, tristes, Vão-se deixando-aContinuar lendo “O galo e a pérola”

Ariano Suassuna (in vitae)

Ariano Suassuna não morreu. E isso não é uma frase utópica de um fã inconformado, como a que se refere a Elvis. Ariano realmente não morreu: continua vivinho da silva, do alto de seus 87 anos muito bem vividos. Mas o escritor e dramaturgo paraibano passou por maus bocados na noite de ontem (21) emContinuar lendo “Ariano Suassuna (in vitae)”

Cartas de Amor – Rubem Alves

“Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.” (F. P.) Tenho no meu escritório a reprodução de uma das telas mais delicadas que conheço: “Mulher lendo uma carta”, de Johannes Vermeer (1632-1675). Uma mulher, de pé, lê uma carta. O seu rosto está iluminado pela luz daContinuar lendo “Cartas de Amor – Rubem Alves”

Sobre o casamento – Rubem Alves

Depois de muito meditar sobre o assunto, concluí que os casamentos são de dois tipos: tênis e frescobol. Casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e costumam ter vida longa. Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, comContinuar lendo “Sobre o casamento – Rubem Alves”

A complicada arte de ver – Rubem Alves

Crônica de Rubem Alves publicada no jornal Folha de S.Paulo do dia 26/10/2004. Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, osContinuar lendo “A complicada arte de ver – Rubem Alves”