Foi a civilização suméria, cerca de dois mil anos antes de Cristo, que criou o sistema numérico sexagesimal. A escolha é bastante particular, já que a maioria das sociedades humanas escolheu 5, 10 ou 20 como seu número-base. Os sumérios achavam o 60 bastante flexível já que ele é o menor número simultaneamente divisível por 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Se isso já é uma vantagem hoje, imagine naquela época, quando as continhas eram feitas usando os dedos das mãos. Foi essa facilidade que fez com que o 60 ganhasse aura de número “mágico” e se tornasse tão importante para aquele povo.
Essa base sexagesimal deu origem a diversas unidades antigas, como a dúzia (12), submúltiplo de 60 (60 dividido por 5), que foi usada para dividir a parte clara e a parte escura do dia em 12 horas cada. “Só não dividiram as partes do dia em 60 porque ainda não havia instrumentos que pudessem chegar a essa fração tão pequena de tempo”, diz Roberto Boczko, do Instituto de Astronomia da USP. Quando os instrumentos tornaram-se mais precisos, notou-se a possibilidade – e a necessidade – de subdividir-se a hora. Assim, em 1670, surgiu o “minutum” que, em latim, significa “pequeno”. Foi o cientista holandês Christian Huygens, responsável pela divisão, quem decidiu manter a tradição suméria. Por volta de 1800, a necessidade de medir intervalos ainda menores levou ao aparecimento de um “pequeno de segunda ordem”, o que hoje chamamos só de segundo.
Dá uma olhada nesse gráfico. Ele mostra as novas edições de livros disponíveis no site da Amazon, a maior empresa de comércio eletrônico do mundo, distribuídos por década.
Agora se pergunte: O que é esse buracão entre 1920 e 1990? Direitos autorais. Eles surgiram em 1923. Todas as obras anteriores a esta data são de domínio público e portanto são frequentemente republicadas. De 1923 para frente, as editoras precisam pagar pelos direitos autorais e acabam optando por investir em títulos mais recentes, porque são os que vendem mais. O resultado é um desaparecimento da maioria dos livros do século passado das prateleiras das livrarias, sejam elas online ou offline.
Artigo de opinião de Olavo de Carvalho para o Jornal da Tarde em abril de 1998.
Já acreditei em muitas mentiras, mas há uma à qual sempre fui imune: aquela que celebra a juventude como uma época de rebeldia. Não dei crédito a essa patacoada nem mesmo quando, jovem eu próprio, ela me lisonjeava. Bem ao contrário, desde cedo me impressionaram muito, na conduta de meus companheiros de geração, o espírito de rebanho, o temor do isolamento, a subserviência à voz corrente, a ânsia de sentir-se iguais e aceitos pela maioria cínica e autoritária, a disposição de tudo ceder, de tudo prostituir em troca de uma vaguinha de neófito no grupo dos sujeitos bacanas. O jovem, é verdade, rebela-se muitas vezes contra pais e professores, mas é porque sabe que no fundo estão do seu lado e jamais revidarão suas agressões com força total. A luta contra os pais é um teatrinho, um jogo no qual um dos lados luta para vencer e o outro para ajudá-lo a vencer.
Muito diferente é a situação do jovem ante os da sua geração, que não têm para com ele as complacências do paternalismo. Longe de protegê-lo, essa massa barulhenta e cínica recebe o novato com o desprezo e a hostilidade que lhe mostram, desde logo, a necessidade de obedecer para não sucumbir. É dos companheiros de geração que ele obtém a primeira experiência de um confronto com o poder, sem a mediação daquela diferença de idade que dá direito a descontos e atenuações. É o reino dos mais fortes, dos mais descarados, que se afirma com toda a sua crueza sobre a fragilidade do recém-chegado, impondo-lhe provações e exigências antes de aceitá-lo como membro da horda.
A quantos ritos, a quantos protocolos, a quantas humilhações não se submete o postulante, para escapar à perspectiva aterrorizante da rejeição, do isolamento. Para não ser devolvido, impotente e humilhado, aos braços da mãe, ele tem de ser aprovado num exame que lhe exige menos coragem do que flexibilidade, capacidade de amoldar-se aos caprichos da maioria – a supressão, em suma, da personalidade. É verdade que ele se submete a isso com prazer, com ânsia de apaixonado que tudo fará em troca de um sorriso condescendente. A massa de companheiros de geração representa, afinal, o mundo, o mundo grande no qual o adolescente, emergindo do pequeno mundo doméstico, pede ingresso. E o ingresso custa caro. O candidato deve, desde logo, aprender todo um vocabulário de palavras, de gestos, de olhares, todo um código de senhas e símbolos: a mínima falha o expõe ao ridículo, e a regra do jogo é em geral implícita, devendo ser adivinhada antes de conhecida, macaqueada antes de adivinhada. O modo de aprendizado é sempre a imitação – literal, servil e sem questionamentos.
O ingresso no mundo juvenil dispara a toda velocidade o motor de todos os desvarios humanos: o desejo mimético de que fala René Girard, onde o objeto não atrai por suas qualidades intrínsecas, mas por ser simultaneamente desejado por um outro, que Girard denomina o mediador. Não é de espantar que o rito de ingresso no grupo, custando tão alto investimento psicológico, termine por levar o jovem à completa exasperação; impedindo-o, simultaneamente, de despejar seu ressentimento de volta sobre o grupo mesmo, objeto de amor que se sonega e por isso tem o dom de transfigurar cada impulso de rancor em novo investimento amoroso. Para onde, então, se voltará o rancor, senão para a direção menos perigosa? A família surge como o bode expiatório providencial de todos os fracassos do jovem no seu rito de passagem. Se ele não logra ser aceito no grupo, a última coisa que lhe há de ocorrer será atribuir a culpa de sua situação à fatuidade e ao cinismo dos que o rejeitam. Numa cruel inversão, a culpa de suas humilhações não será atribuída àqueles que se recusam a aceitá-lo como homem, mas àqueles que o aceitam como criança. A família, que tudo lhe deu, pagará pelas maldades da horda que tudo lhe exige. Eis a que se resume a famosa rebeldia do adolescente: amor ao mais forte que o despreza, desprezo pelo mais fraco que o ama.
Todas as mutações se dão na penumbra, na zona indistinta entre o ser e o não-ser: o jovem, em trânsito entre o que já não é e o que não é ainda, é, por fatalidade, inconsciente de si, de sua situação, das autorias e das culpas de quanto se passa dentro e em torno dele. Seus julgamentos são quase sempre a inversão completa da realidade. Eis o motivo pelo qual a juventude, desde que a covardia dos adultos lhe deu autoridade para mandar e desmandar, esteve sempre na vanguarda de todos os erros e perversidade do século: nazismo, fascismo, comunismo, consumo de drogas. São sempre os jovens que estão um passo à frente na direção do pior. Um mundo que confia seu futuro ao discernimento dos jovens é um mundo velho e cansado, que já não tem futuro algum.
A Autoridade Israelense de Antiguidades anunciou na última quinta-feira (18) que escavações na região das planícies do país desenterraram duas grandes construções que seriam datadas do século 10 a.C., período do reinado de Davi. Arqueólogos da Universidade Hebraica trabalharam por 7 anos no local denominado como Khirbet Qeiyafa, que corresponde a uma cidade fortificada dos primórdios de Israel, referida na Bíblia como Saraim (Josué 15:36, 1 Samuel 17:52, 1 Crônicas 4:31).
Os pesquisadores Yossi Garfinkel, da Universidade Hebraica, e Saar Ganor, da Autoridade Israelense de Antiguidades, garantem que um dos edifícios encontrados seria um dos palácios do rei Davi, e o outro seria uma espécie de celeiro real. O que os levou a essa conclusão são as enormes dimensões das estruturas, que incluem seções específicas para postos administrativos, ferreiros e ceramistas, além de restos de alabastro que teria sido importado do Egito. O local tem proeminência na gigantesca planície que o circunda, o que lhe dá uma privilegiada visão à distância, desde o Mar Mediterrâneo no oeste até as colinas de Jerusalém ao leste. Infelizmente, além dos danos causados por todas as batalhas históricas entre os reinos e impérios que dominaram a região ao longo dos séculos, quase todo o suposto palácio foi destruído 1500 anos depois de Davi e Salomão.
Apesar da notícia aparentemente espetacular, é preciso ter muito cuidado antes de confirmá-la, como acontece com toda descoberta que envolve a arqueologia bíblica. Aguardemos, portanto, estudos mais aprofundados e investigações independentes que confirmem se Khirbet Qeiyafa é realmente tudo isso o que os arqueólogos israelenses estão afirmando que é. Abaixo você pode ver fotos do local:
Há aproximadamente 1200 anos, a antiga cidade egípcia de Heracleion (conhecida pelos gregos como Thonis) desapareceu sob o Mediterrâneo. Fundada por volta do século 8 a.C., acredita-se que Heracleion serviu como porta de entrada obrigatória para todos os navios que vinham do mundo grego em direção ao Egito. Antes de sua descoberta em 2000, pelo arqueólogo Franck Goddio, nenhum traço de Heracleion tinha sido encontrado. Seu nome foi quase destruído pelos poucos registros, apenas preservada em textos clássicos antigos e inscrições raras encontradas em terra por arqueólogos. Franck Goddio e sua equipe localizaram, mapearam e escavaram partes da cidade de Heracleion. Ela está localizada dentro de uma área de pesquisa em Aboukir Bay, uma baía localizada no norte do Egito. Até agora foram encontrados:
Restos de mais de 64 navios
Moedas de ouro e pesos feitos de bronze e pedra
Estátuas gigantes de centenas de deuses
Lajes de pedra inscritas em egípcio e grego antigos
De tão ousada e inusitada, a ideia chegou a ser tachada como uma insanidade pelos colegas, mas o advogado mineiro Vinícios Leôncio ignorou os descrentes e iniciou há quase duas décadas o projeto de reunir em um livro toda a legislação tributária do país. Movido pela inconformidade com o que considera um excesso de normas, ele queria, a princípio, apenas mostrar de forma simbólica o peso da burocracia e excesso de leis no orçamento das empresas. Porém, ao agrupar numa publicação toda a legislação, Leôncio acabou por credenciar sua obra ao Guinness Book (Livro dos Recordes) como a obra com o maior número de páginas do mundo.
A obra pesa 6,2 toneladas e tem um total de 43.216 páginas (cada uma com 220 cm de altura por 140 cm de largura) que, se enfileiradas, alcançariam uma distância de 95 km! “A legislação brasileira é muito extensa, mas ela nunca teve visibilidade concreta. Essa foi a ideia, mostrar para a sociedade o tamanho dessa legislação, de um país que edita em média 35 normas tributárias por dia útil. A questão era justificar o peso que tem a burocracia tributária na economia das empresas e procurar saber por que o Brasil é o único país do mundo no qual as empresas consomem 2,6 mil horas anuais para liquidar seus impostos, só de burocracia”, destaca Leôncio.
Leôncio iniciou seu projeto em 1992. Desde então, empreendeu uma verdadeira cruzada para viabilizar tecnicamente a empreitada e desembolsou cerca de um milhão de reais, dos quais aproximadamente 350 mil foi gasto só com impostos. A primeira dificuldade foi encontrar uma gráfica que aceitasse a encomenda. Todas que foram procuradas recusaram. O Brasil não tem nenhuma impressora com esse padrão. Com o auxílio de um gráfico amigo, que topou o desafio, a solução encontrada foi adaptar uma impressora de outdoors. Para isso, no entanto, Leôncio precisou enviar emissários à China, que adquiriram equipamentos e importaram tecnologia para a manutenção da impressora. Ele praticamente montou uma gráfica em Contagem-MG, na região metropolitana de Belo Horizonte. Após muitos empecilhos, em 2010 os técnicos conseguiram que a máquina imprimisse os dois lados da folha imensa, em fonte Times New Roman tamanho 18. O advogado pretende também que a obra possa ser consultada, e pediu que um engenheiro aeronáutico desenvolvesse amortecedores para regular a virada das páginas.
Mas Leôncio considera que a maior dificuldade enfrentada foi agrupar as diferentes legislações dos 26 Estados e do Distrito Federal e os mais de 5 mil códigos tributários dos municípios brasileiros. “Em vários municípios, o código ainda está escrito a mão!”. Parte do levantamento precisou ser feito in loco. “No auge dessa pesquisa cheguei a ter 45 pessoas trabalhando para mim. Nem todos os municípios têm sites com a legislação disponibilizada eletronicamente. Mesmo assim, muitas prefeituras não se dispõem a colaborar e fornecer a legislação, embora seja pública”. O advogado garante que sua aspiração nunca foi o Guinness Book, mas sim chamar a atenção para a necessidade de uma reforma tributária. “Não me passava pela cabeça essa coisa de recorde, mas com o passar dos anos eu fui percebendo que o livro seria o maior do mundo”, diz, salientando que o atual título pertence a um livro sueco de 2,7 toneladas.
Leôncio assegura também que não espera nenhum retorno financeiro com o projeto. Enquanto apresenta à reportagem gráficos comparativos que mostram que o tempo anual gasto para o pagamento de impostos no Brasil é muito superior ao de outros países, ele observa que espera mesmo é que sua obra leve o próprio Estado a refletir. “Acho que a sociedade vai levar um susto com isso. A própria classe política, o Fisco, eles não tem noção, em todas as esferas estatais, do tamanho da legislação tributária brasileira”.
“Corruptissima republica plurimae leges”. Esta é uma máxima latina atribuída a Tácito (55–120 d.C.), historiador e político romano. Significa “As leis são muitas quando o Estado é corrupto”, ou, mais comumente, “Quanto mais corrupto o Estado, maior o número de leis”. O raciocínio em questão é que, quando há muita corrupção no Estado, as leis se multiplicam, porque há muitas transgressões – muitos são os cidadãos que transgridem a lei, porém pequena é a capacidade do Estado em fazê-la cumprir. Dessa forma, aumenta-se a quantidade de leis e de penas para tentar antever um enorme número de delitos, circunstâncias, brechas legais, agravantes, atenuantes, etc., sem contudo conseguir pôr fim à situação.
“Se existe um poder legislativo em atividade permanente, o número de leis aumenta continuamente até ultrapassar a capacidade de absorção não apenas do cidadão comum, mas até dos estudiosos especializados. Todos ficam à mercê de leis que desconhecem e cujo desconhecimento, ao mesmo tempo, não têm o direito de alegar. Com o tempo, as democracias se transformam em tiranias por meio do seu simples funcionamento normal, sem necessidade de nenhum golpe de Estado.” (Olavo de Carvalho)
“O excesso de leis, feitas para o bem do povo, acaba por sufocá-lo. (…) A quase totalidade das leis, como sucede aos espermatozoides, não é aproveitável.” (Carlos Drummond de Andrade, In: O Avesso das Coisas, 6º Edição, 2007)
O que define se um território é um país? O povo que mora nele? Não exatamente. Se fosse isso, países como China, Índia, Indonésia, Nigéria e Rússia se desmantelariam em milhares de grupos com língua, religião e história próprias. Só nesses cinco países teríamos a metade da humanidade em convulsão. A resposta oficial para a pergunta está na definição dada na Convenção Internacional de Montevidéu de 1933. Segundo ela, o Estado é uma entidade com “uma população permanente, território definido, governo e a capacidade de entrar em relação com outros Estados”. Parece simples, mas tem uma pegadinha aí. E ela está no quarto ponto. Ele depende, obviamente, não apenas de quem quer ser reconhecido, mas também dos que querem reconhecê-lo. Ou seja, a definição não é técnica, mas política. País é aquilo que outros países aceitam como país.
Para entender como funciona, primeiro é preciso levar em consideração que o planeta não tem um governo central. A Terra é uma verdadeira anarquia em que os Estados são atores que decidem sobre seu próprio destino, já que não há um poder executivo nem uma polícia planetária. A ONU é o palco onde esses atores se reúnem. Mas para entrar nesse elenco o país precisa ser aprovado pelos colegas, com dois terços dos votos da Assembleia Geral e a aprovação do Conselho de Segurança, composto por EUA, França, Reino Unido, Rússia e China. É nessa regra que surge o limbo dos países que não existem.
O exemplo mais clássico é o da República Popular da China contra a República da China. Em 1949, o nacionalista Chiang Kaishek perdeu para o comunista Mao Tse-tung a guerra civil chinesa. Com isso, o governo chinês deposto se refugiou na ilha de Taiwan, enquanto Mao ganhou Pequim. Só que desde a fundação da ONU o assento chinês era do governo refugiado em Taiwan. Então, embora a ilha tivesse apenas uma fração da população chinesa, permaneceu como a verdadeira China até 1971, quando a ONU concedeu a cadeira ao governo de Pequim. Hoje Taiwan tem 23 milhões de habitantes, um PIB per capita igual ao da Alemanha e o 18º maior orçamento militar do mundo – mas continua não reconhecida, nem mesmo pelos parceiros comerciais. Oficialmente não é um país.
Algo ainda mais impressionante acontece na Somália. Desde 1991 o país não tem um governo capaz de controlar seu território, e grande parte do sul está nas mãos de uma milícia ligada ao grupo terrorista Al Qaeda. Enquanto isso, no noroeste do país fica a Somalilândia – um país com governo central e moeda própria. A Somália, que não consegue governar seu próprio território, tem um assento na ONU. A Somalilândia não.
Agora é a vez da Palestina tentar sair desse limbo. Hoje ela é um quebra-cabeça territorial, com áreas sob controle palestino, áreas de controle israelense e outras sob controle civil palestino e controle militar israelense. Depois de 18 anos de negociações com Israel que não levaram à criação de seu Estado, o plano palestino é apresentar à Assembleia Geral da ONU o pedido de entrada como membro. Mesmo já tendo a aprovação de quase 130 dos 193 países-membros, esse plano precisa passar pelo Conselho de Segurança, em que os EUA têm – e provavelmente exercerão – poder de veto. Já se o pedido emplacar, o novo país teria direitos de qualquer Estado de verdade. Engraçado é que até Liechtenstein tem, embora não tenha um exército e sua população caiba toda num estádio de futebol. San Marino também é país; e não consta que alguém no mundo fale “san marinês”. Nem “monegasco”, embora Mônaco também tenha cadeira cativa na ONU desde 1993.
E quais são esses direitos de um Estado de verdade? Antes de mais nada, o novo país garantiria o monopólio do uso da força legítima em seu território, e ninguém poderia interferir, sob pena de ficar malvisto pela comunidade internacional – o que pode trazer embargos comerciais, por exemplo, contra quem violar a soberania de um país reconhecido. Até outro dia, porém, essa história de país parecia estar ficando obsoleta, com a União Europeia liderando a formação de blocos econômicos sem fronteiras internas. Era o primeiro passo para a utopia de um governo planetário. Mas agora, com a crise e o desfacelamento do euro, essa estrada virou rua sem saída – a começar com a Dinamarca, que voltou a controlar sua fronteira. Por enquanto, a única certeza é que a anarquia vai continuar sendo o sistema internacional de governo.
Recentemente soube de um amigo que, em viagem pela Europa, esteve no museu do Louvre, em Paris, o mais famoso do mundo. Ele conta que lá está exposto um quadro muito prestigiado que consiste numa tela toda branca, novinha em folha, inalterada. Abaixo dele, o título: “A Ausência da Arte”. Poucos dias depois, eis que leio (no G1e na Folha) a seguinte notícia: “Obra de Barnett Newman é vendida por US$ 44 milhões em Nova York“. Junto à manchete estava a imagem abaixo:
Ou seja, o sujeito pinta uma mesa de ping-pong (sem a rede, porque provavelmente ele não saberia pintar uma rede) e isso vale 44 milhões de dólares! Além do valor do quadro, o pintor ainda é chamado, na mesma notícia, de “um dos mais brilhantes representantes do expressionismo abstrato”. PQP! A mão de tinta não ficou nem tão boa assim! O cara que pintou meu apartamento faria melhor! (se acha que estou sendo muito duro com o “artista”, veja outros quadros do sujeito).
Na mesma semana, fiquei sabendo que um garoto esqueceu os óculos no chão do Museu de Arte Moderna de São Francisco, nos Estados Unidos, e o objeto foi confundido com uma obra de arte. Como se isso fosse pouco, tem ainda uma peça de teatro chamada “macaquinhos” que está se apresentando pelo Brasil (patrocinada pelo Governo Federal) e gerando polêmica por onde passa. Os atores e atrizes se apresentam completamente nus e fazem performances nas quais exploram, cheiram, enfiam o dedo e cutucam os cus uns dos outros (definitivamente não recomendo procurar isso para assistir no YouTube).
Para completar o absurdo, li recentemente no G1 que uma pintura de Jean-Michel Basquiat foi vendida ontem ao preço recorde de 110 milhões de dólares (cerca de 370 milhões de reais), em um leilão de arte contemporânea realizado em Nova York. A pintura se chama “Untitled” (sem título) e é considerada um marco importante na obra de Basquiat, que morreu de overdose aos 27 anos.
A Sotheby’s, responsável pelo leilão, estimava vender a obra por 60 milhões de dólares (pouco mais de 200 milhões de reais), e acabou conseguindo quase o dobro. A obra foi comprada pelo empresário e colecionador de arte japonês Yusaku Maezawa. A Sotheby’s postou no Twitter a foto do novo dono ao lado da pintura.
Permitam-me um último exemplo. Em fevereiro de 1964, quatro pinturas de um artista francês de vanguarda antes desconhecido, chamado Pierre Brassau, foram exibidas num evento de arte em Gotemburgo, na Suécia. No evento também havia trabalhos de artistas da Inglaterra, Dinamarca, Áustria, Itália e Suécia, mas foram os trabalhos do artista francês que atraíram as atenções. Críticos de arte, jornalistas e estudantes, com taças de vinho na mão, contemplaram silenciosamente as obras de Brassau. Os elogios eram quase unânimes. Rolf Anderberg, do jornal matinal Posten, escreveu que a maior parte das obras do evento eram “pesadas”, mas não as de Brassau: “Pierre Brassau pinta com pinceladas poderosas, mas também com clara determinação. Suas pinceladas giram com exigência furiosa. Pierre é um artista cuja performance tem a delicadeza de uma bailarina”.
Somente um crítico espinafrou o trabalho de Brassau, declarando que “somente um macaco poderia ter feito isso”. Como se revelou, este crítico tinha razão. Pierre Brassau era, de fato, um macaco. Especificamente, ele era um chimpanzé de quatro anos da África ocidental, chamado Peter, do zoológico sueco de Boras.
Pierre Brassau foi invenção de Åke “Dacke” Axelsson, um jornalista do Göteborgs-Tidningen, um dos jornais diários de Gotemburgo. Ele chegou à ideia de exibir o trabalho de um macaco num evento de arte como um modo de testar os críticos — eles conseguiriam perceber a diferença entre a arte moderna e a arte de um macaco? Axelsson convenceu o cuidador de Peter, um jovem de 17 anos, a dar um pincel e tintas a óleo ao chimpanzé. No começo, Peter preferia comer a tinta a passá-la na tela. Gostava especialmente do gosto azedo do azul cobalto. Mas finalmente começou a esfregar a tinta sobre as telas que lhe deram. Por causa de suas preferências de gosto, o azul cobalto apareceu bastante em suas obras.
Depois que Peter criou algumas pinturas, Axelsson escolheu as quatro melhores e providenciou que fossem exibidas num evento de arte na Galeria Christina. Depois que Axelsson revelou a fraude, Rolf Anderberg (o crítico que havia elogiado o trabalho) insistiu que o trabalho de Pierre era “ainda o melhor trabalho de pintura na exibição”. Um colecionador de arte comprou um dos trabalhos de Brassau por $90 (cerca de 700 dólares de hoje). Em 1969, Peter foi transferido para o Zoológico de Chester, na Inglaterra, onde viveu o resto de sua vida.
É por exemplos como esses (que estão longe de ser exceção) que digo sem nenhuma vergonha: Não entendo arte contemporânea. De duas, uma: ou eu sou um completo ignorante desprovido de senso estético, ou essa palhaçada não faz sentido mesmo. E eu não estou só por pensar assim. O jornalista americano Paul Joseph Watson expõe o establishment da arte contemporânea como ele realmente é: “uma grande panelinha de gente que tenta parecer sofisticada atribuindo sentido a algo que não possui sentido algum”. A arte moderna é uma competição entre o feio e o distorcido; a obra mais chocante vence. O que aconteceu? Como o belo veio a ser aviltado e o mau gosto veio a ser celebrado? No vídeo abaixo, o artista Robert Florczak explica a história por trás dessa mudança e como ela pode ser revertida.
Como um quadro pode valer milhões?
A arte movimenta uma das economias mais estranhas do mundo. Entenda as regras desse mercado na matéria a seguir, da revista Superinteressante.
“63 milhões de dólares. É um aviso. Estou vendendo”, ameaçou o leiloeiro, “64 milhões de dólares. Ainda em tempo”, continuou. Os lances, que elevavam o preço do quadro em um milhão de dólares a cada três segundos, eram sinalizados por placas levantadas no auditório da Sotheby’s. A cena durou poucos minutos, tempo suficiente para que um recorde fosse quebrado: a venda de um quadro de Mark Rothko por 72 milhões de dólares representava, até aquela noite de 2007, o maior preço na carreira do pintor. E, mesmo com tanto dinheiro flutuando pelo lugar, o leiloeiro parecia entediado. Com o corpo apoiado sobre um gabinete de madeira, o alemão Tobias Meyer recitava as cifras quase que com desdém. Aqueles milhões eram rotina. Como explicar o preço do quadro de Rothko? Parece estranho, mas apenas à primeira vista, porque o mercado possui regras. E elas até que funcionam na hora de decifrar o aspecto quase surreal dos preços.
Para começar, é importante encarar uma informação tão incômoda quanto verdadeira: o valor tem pouca relação com a complexidade da obra. Tome como exemplo as icônicas flores de metal do americano Jeff Koons. Mesmo simples, elas chegam a custar R$ 50 milhões. Também é preciso entender que as cifras não remetem muito à habilidade do artista. O inglês Damien Hirst, por exemplo, delega a produção de seus famosos quadros de bolinhas a assistentes. Mesmo assim, uma obra dessas já foi vendida a R$ 1,3 milhão. Tampouco importa o valor dos materiais que o artista usou. Basta ver as criações do inglês Chris Ofili, feitas com esterco de elefante e vendidas por mais de R$ 5 milhões. Fica então a pergunta: eliminados o toque do criador, a complexidade do quadro e o requinte dos materiais, quais fatores elevam o preço de uma obra?
O principal critério é o renome do artista, a marca que a sua assinatura atribui ao quadro. Para entender, pense que quando você compra cadernos Moleskine ou cafés Starbucks, você não adquire apenas um bloco de papel ou um copo de bebida, mas a inclusão num grupo e o reconhecimento dos integrantes deste círculo. Segundo Don Thompson, economista e colecionador, o mesmo vale para os grandes consumidores do mercado de arte. Com a diferença de que eles possuem milhões para gastar – e que as marcas que eles consomem ficam penduradas na parede. “Quando um artista se torna uma marca, o mercado tende a aceitar como legítima qualquer coisa que ele apresente”, conta Thompson. Este poder da marca explica muita coisa no mercado de arte.
Quando viram marca, os artistas adquirem o toque de Midas, capaz de transformar qualquer coisa, de esterco de elefante a cinzeiros de restaurante, em ouro. Mas, como esses nomes acabam virando uma grife? Os artistas não nascem sozinhos. Precisam do suporte de gente especializada em lançar marcas e gerenciar valores. Além disso, contam com pessoas dispostas a valorizar seus trabalhos. Hirst, por exemplo, recebeu ajuda do inglês Charles Saatchi, o grande colecionador da nossa época. De tão reconhecido, ele consegue transferir prestígio aos produtos que consome. “Um artista pode ser citado em artigos na imprensa como ‘colecionado por Saatchi’ ou ‘cobiçado por Saatchi'”, explica Thompson, “e cada uma dessas referências provavelmente aumentará o preço de suas obras”. Como aconteceu com a inglesa Jenny Saville, que pintou sustentada por Saatchi e vendeu suas criações para ele. Uma delas, adquirida por R$ 50 mil, dois leilões e duas décadas depois, valeria R$ 5 milhões, muito devido ao impulso que Saatchi deu à pintora.
E como ele conseguiu valorizar tanto a artista? Saatchi tem duas táticas muito espertas. Na primeira, ele investe em novatos e compra sua produção enquanto os preços ainda estão baixos. Depois, quando a notícia de que Saatchi está comprando aquele artista se espalha, os valores aumentam devido ao seu prestígio e ele vende as obras por um preço mais alto. A segunda estratégia consiste em emprestar os quadros para museus, que ajudam a aumentar os preços com exposições. Os museus são independentes do processo do mercado e por isso raramente têm seus juízos questionados. Considera-se que o artista e a obra exibida numa dessas instituições tenham “qualidade de museu”.
Ainda existem outras formas de fazer um quadro custar milhões. O artista pode controlar a quantidade de obras que coloca no mercado. E, normalmente, quanto menos produz, mais caro cada uma de suas obras custa. Além disso, ele pode batizar a criação de forma a explicar seu significado, facilitando a vida de todos que encaram o mistério. Hirst, por exemplo, é especialista nesta arte. Criou “A Impossibilidade Física da Morte na Mente de Alguém Vivo” e “Algum Conforto Ganho pela Aceitação das Mentiras Inerentes a Tudo”. Mesmo que “Impossibilidade Física” seja um tubarão num tanque e “Algum Conforto”, uma vaca aos pedaços, as criações ganham mais significado e ficam mais densas quando acompanhadas pela etiqueta na galeria do museu.
Depois do nascimento e do batismo, uma parte da produção será mandada diretamente para colecionadores e instituições. E são essas transações, distantes do martelo do leiloeiro, que lideram a lista de mais caras da história. Entre a primeira e a quarta posição, do francês Paul Cézanne ao austríaco Gustav Klimt, todas foram vendas privadas. Depois, aparece o primeiro recorde de leilão: uma das quatro versões de O Grito, vendida pela Sotheby’s por R$ 240 milhões. Não se sabe o nome do comprador: ele deu o lance por telefone e nunca foi identificado. Essas compras a distância são comuns. E não apenas com estrangeiros, mas com gente que está sentada no próprio auditório, a metros de distância do produto. Isso porque alguns compradores, para não aumentar a competição, preferem não aparecer para não dar na cara que desejam muito uma obra.
Todos estes preços, além de impressionantes, fazem do mercado de arte um dos mais movimentados do mundo. Para se ter uma ideia, no final do ano passado, em apenas dois leilões, Sotheby’s e Christie’s arrecadaram, respectivamente, R$ 750 milhões e R$ 820 milhões. Recorde nas duas casas. Junto com os lances, o segmento continua crescendo: em 2011, o movimento de pinturas e esculturas entre ateliês e paredes gerou R$ 22 bilhões (R$ 4 bilhões a mais que no ano anterior). Num setor que produz tanto dinheiro, as transações que acontecem às sombras também impressionam. A Interpol conta cerca de 40 mil obras roubadas, mais que o número de objetos em exibição no Louvre, em Paris, sendo que apenas 5 mil foram recuperadas nas últimas duas décadas. Tantas peças saqueadas geram até R$ 12 bilhões num mercado paralelo muito lucrativo. Além dos roubos, a falta de regulação das transações e os preços que não precisam ser explicados facilitam a lavagem de dinheiro e o pagamento de propinas com obras de arte.
Um dos aspectos mais impressionantes do mercado de arte é sua capacidade de crescimento mesmo em época de crise econômica. Uma explicação para isso é que esse setor fica alheio à economia global porque tem entre seus jogadores uma minoria muito, muito rica. E, mesmo com o mundo passando por uma crise econômica, eles continuam apenas um pouco menos milionários. Fora isso, artistas aproveitam também os novos compradores que surgem no mercado, vindos, principalmente, da China e da Rússia. Na visão de Thompson, os preços das obras não param de crescer porque um negociante nunca deve diminuir o preço de uma criação. “Cada mostra deve ter preços mais altos que a anterior. Num mundo onde a ilusão de sucesso é tudo, a diminuição do preço de um artista sinalizaria que ele foi rejeitado”, explica o economista.
Esse fenômeno implica no “efeito catraca”. A catraca gira em apenas uma direção, ou seja, os preços não podem voltar, mas estão livres para avançar. Isso ajuda a explicar os milhões das vendas, os bilhões do mercado e a cara de tédio do leiloeiro Tobias Meyer, que abre esta reportagem. Afinal, 5 anos depois do Rothko de R$ 144 milhões, aquele recorde seria superado. Meyer comandou o leilão que vendeu outro quadro do pintor por R$ 150 milhões, em novembro do ano passado. Ele estava um pouco mais empolgado, mas ainda não parecia achar nada daquilo impressionante. Ele deve saber que, enquanto existir criatividade na cabeça dos artistas, haverá arte. E, enquanto houver gente com paredes vazias e dinheiro no bolso, ela será vendida.
“Esgotados os modos de expressão, a arte se orienta para o sem-sentido, para um universo privado e incomunicável. Todo estremecimento inteligível, tanto em pintura como em música ou em poesia, nos parece, com razão, antiquado ou vulgar. O público desaparecerá em breve; a arte o seguirá de perto. Uma civilização que começou com as catedrais tinha que acabar no hermetismo da esquizofrenia.”
BRASIL – Produto de grande importância comercial no século XVI, a árvore pau-brasil batizou nosso país, onde os colonizadores portugueses encontraram florestas fartas dessa madeira. “Brasil” quer dizer algo como “em brasa”, referência à forte coloração avermelhada do tronco, utilizado para fazer corante.
ARGENTINA – A Argentina impressionou seus descobridores pela grande quantidade de riquezas minerais encontradas em seu solo, principalmente a prata. Tanto que o seu nome foi inspirado em argentum: prata, em latim.
URUGUAI – O Uruguai acabou ganhando o mesmo nome que os índios tupis e guaranis haviam dado ao grande rio que atravessa seu território. No idioma deles, a palavra significa “rio dos caracóis”.
PARAGUAI – Quando o Paraguai foi descoberto pelos espanhóis, a região era habitada por índios chamados payaguaes. Excelentes nadadores e hábeis navegadores, eles viviam às margens do rio que dava nome à tribo. O termo pode ser traduzido como “rabo de mar”, “rio ornado” ou “rio que dá origem ao mar”.
CHILE – Antes mesmo da colonização, o Chile já era chamado assim pelos índios aimarás, que habitavam o norte do país. Na língua deles, chilli quer dizer “onde acaba a terra”, referência à posição geográfica do território: o extremo oeste do continente.
COLÔMBIA – Colômbia significa algo como “Terra de Colombo”, numa homenagem óbvia ao navegador italiano Cristóvão Colombo (1451-1506), que, como todo mundo sabe, descobriu o continente americano em 1492.
BOLÍVIA – O general e estadista Simon Bolívar (1783-1830) tornou-se um dos principais heróis sul-americanos ao lutar pela independência de vários países da região, inclusive da própria Bolívia, batizada em homenagem a seu libertador.
VENEZUELA – A Venezuela deve seu nome a Américo Vespúcio (1454-1512), explorador italiano naturalizado espanhol. Ao visitar a região, ele encontrou indígenas que construíam suas casas em palafitas sobre as águas do lago Maracaibo, no noroeste do país. Isso o fez chamar o lugar de “Pequena Veneza”: Venezuela.
PERU – A origem do nome Peru é controversa, com duas interpretações conflitantes. A primeira afirma que se trata de derivação do nome Birú, um importante chefe inca. Para a segunda, a mesma palavra significa também “terra de riqueza e esperança”.
EQUADOR – O Equador foi batizado com o mesmo nome da linha imaginária que corta seu território e divide o planeta ao meio. A palavra deriva do latim aequus, ou “igual”, numa referência à divisão da Terra em duas partes iguais, os hemisférios Norte e Sul.
Conhecido por estudos que revolucionaram a física, a matemática e a astronomia nos séculos 17 e 18, Isaac Newton era também um estudioso em um campo de conhecimento que não o deu tanta visibilidade: a teologia. Além de estudos conhecidos como as três leis do movimento, que são a base dos estudos da mecânica clássica e levam seu nome, Newton deixou uma grande coleção de escritos sobre teologia. O legado teológico do cientista britânico está reunido em uma coleção de cerca de 7.500 páginas escritas a mão que pertencem à Biblioteca Nacional de Israel que, de acordo com a Associated Press, digitalizou todo esse material e o disponibilizou online. Os textos abordam assuntos como interpretações da Bíblia e história de culturas antigas.
De acordo com o curador da coleção de Ciências Humanas da Biblioteca Nacional de Israel, Milka Levy-Rubin, Newton era um cristão devoto que abordou muito mais a teologia do que a física, e que acreditava que a Bíblia fornecia um “código” para o mundo natural. O curador afirma também que, diferente da forma com que fazemos distinção entre essas áreas hoje (ciência e fé), “para Newton era tudo parte de um mesmo mundo”. “Ele acreditava que o estudo cuidadoso dos textos sagrados era um tipo de ciência, que se analisado corretamente poderia prever o que estava por vir”, completou o curador.
Esses textos tornaram-se propriedade da biblioteca israelense de uma maneira, no mínimo, curiosa: Anos após a morte de Newton em 1727, seus descendentes doaram seus manuscritos científicos à Universidade de Cambridge. No entanto, a universidade rejeitou os seus manuscritos não científicos, que foram leiloados na casa de leilões Sotheby’s em Londres, em 1936. Como outra casa de leilões famosa de Londres, a Christie’s estava oferecendo uma coleção de arte impressionista que chamou muito mais atenção, apenas dois lançadores interessaram-se pela coleção de Newton naquele dia.
Os escritos teológicos foram arrematados por Abraham Shalom Yahuda, um pesquisador de estudos orientais judaicos. A coleção de Yahuda foi legada à Biblioteca Nacional de Israel em 1969, anos após sua morte. Em 2007, a biblioteca exibiu os papéis pela primeira vez, e agora elas estão disponíveis para todos online. Levy-Rubin afirma que os textos mostram que “no que diz respeito a Newton, sua abordagem da teologia era tão ciência quanto à da física. Sua visão de mundo era que o seu ‘laboratório’ para entender a história era a Bíblia”. O curador disse ainda que, para Newton, “sua fé não era menos importante para ele do que sua ciência”.