É claro que não devemos generalizar, mas há algo na natureza humana que faz com que, via de regra, as pessoas mais brilhantes, inteligentes e competentes da sociedade sejam as menos populares. Parece enredo de comédia hollywoodiana, mas é real: desde sempre, o garoto mais estudioso e dedicado da classe sofre bullying, enquanto o mais fútil, cercado de bajuladores, é ovacionado por sua popularidade. Os CDFs são desprezados pela maioria enquanto os valentões e as patricinhas arrastam para si a admiração de toda a escola. Inteligência e popularidade parecem ser virtudes inversamente proporcionais. Esse traço no mínimo curioso da natureza humana se estende para além do contexto escolar e parece ser a regra em quase todas as áreas da sociedade, inclusive na política.
Concomitante a esse fato, a nossa democracia representativa é constituída de tal forma que toda eleição é, no fim das contas, nada mais do que um concurso de popularidade. E quanto maior a verba destinada ao fundo eleitoral, mais esse fato é inegável. Não é de se espantar, portanto, que sempre ou quase sempre os candidatos mais votados e no topo das pesquisas sejam justamente aqueles menos qualificados. Como a escolha é feita pela maioria, pela mediocridade, resta apenas, para o eleitor razoável e ponderado, por ser minoria, a ingrata tarefa de ter que escolher o menos pior em cenários eleitorais que sempre terão no topo das pesquisas lulas e bolsonaros.

