Concurso de popularidade

É claro que não devemos generalizar, mas há algo na natureza humana que faz com que, via de regra, as pessoas mais brilhantes, inteligentes e competentes da sociedade sejam as menos populares. Parece enredo de comédia hollywoodiana, mas é real: desde sempre, o garoto mais estudioso e dedicado da classe sofre bullying, enquanto o mais fútil, cercado de bajuladores, é ovacionado por sua popularidade. Os CDFs são desprezados pela maioria enquanto os valentões e as patricinhas arrastam para si a admiração de toda a escola. Inteligência e popularidade parecem ser virtudes inversamente proporcionais. Esse traço no mínimo curioso da natureza humana se estende para além do contexto escolar e parece ser a regra em quase todas as áreas da sociedade, inclusive na política.

Concomitante a esse fato, a nossa democracia representativa é constituída de tal forma que toda eleição é, no fim das contas, nada mais do que um concurso de popularidade. E quanto maior a verba destinada ao fundo eleitoral, mais esse fato é inegável. Não é de se espantar, portanto, que sempre ou quase sempre os candidatos mais votados e no topo das pesquisas sejam justamente aqueles menos qualificados. Como a escolha é feita pela maioria, pela mediocridade, resta apenas, para o eleitor razoável e ponderado, por ser minoria, a ingrata tarefa de ter que escolher o menos pior em cenários eleitorais que sempre terão no topo das pesquisas lulas e bolsonaros.


Como fazer uma propaganda eleitoral


Papel gasto na propaganda eleitoral daria para fazer 20 milhões de livros, calcula juiz do TSE

Em 2012, um juiz do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fez as contas de quanto se gasta com a propaganda eleitoral impressa a cada eleição no Brasil e chegou a uma conclusão: a propaganda eleitoral é cara e agride seriamente o meio ambiente. Só com combustível, até o primeiro turno das eleições, foram gastos 54 milhões de litros, o que significa quase 40 toneladas de gás carbônico a mais na atmosfera.

Nos quase 3 meses de propaganda eleitoral nas cidades, partidos e candidatos investiram alto em propaganda impressa. Até a segunda parcial de contas apresentada ao TSE, mais de R$ 300 milhões haviam sido gastos só com papel. O juiz eleitoral Paulo de Tarso Tamburini, explica que isso equivale a mais de 20 milhões de livros ou cadernos que poderiam ser feitos, ou a mais de 20 bilhões de folhas tamanho A4. Ou, ainda, a menos 417 mil árvores cortadas.

Após a campanha, a propaganda eleitoral impressa é jogada no lixo ou nas ruas. Esse é um dos principais problemas que se vê no período eleitoral: a sujeira. Só no dia de votação do primeiro turno das eleições de 2012, foram coletadas, apenas na cidade do Rio de Janeiro, mais de 324 toneladas de lixo eleitoral, pelo menos 30 toneladas a mais em relação ao mesmo período de 2008. Tamburini espera que o estudo sobre o impacto ambiental da propaganda eleitoral impressa ajude partidos e candidatos a mudarem a forma de fazer propaganda eleitoral no Brasil.


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Publicado por Charles Andrade

Filósofo (PhD), amante do saber, da estrada e da natureza. Pai de Catarina e Matias, casado com Mila.

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