O ser humano é naturalmente bom?

Há pelo menos duas questões fundamentais que você precisa responder na vida. A primeira é: “Deus existe?”. A segunda é: “As pessoas são naturalmente boas?”. Sua resposta para a segunda questão moldará praticamente toda a sua ideologia moral, social e política – até mais do que se você acredita em Deus ou não. Esta é a razão pela qual um cristão e um ateu que têm a mesma visão sobre a natureza humana quase sempre possuem também a mesma ideologia moral, social e política.

Vou dar um exemplo. Você provavelmente já escutou a frase “A pobreza leva ao crime”. Se você acredita que as pessoas são naturalmente boas, você provavelmente acredita que a pobreza, a desigualdade social, a opressão do “sistema” ou alguma outra força externa leva as pessoas a cometerem crimes violentos. É a única maneira que você encontra para dar sentido ao fato de que algumas pessoas cometem crimes apesar de sua natureza essencialmente boa. Algum fator externo certamente os inclinou a isso. Mas se você não acredita que as pessoas são naturalmente boas, é bem mais provável que você culpe o próprio criminoso por suas ações, em vez de forças externas. Numa sociedade que acredita que as pessoas são naturalmente boas, os pais não empenham todos os esforços possíveis na educação dos filhos. Afinal, se já nascemos bons, por que teríamos que ensinar a bondade? Por outro lado, aqueles que não acreditam que nascemos com toda essa bondade entendem que os pais e a sociedade precisam empreender grandes esforços para transformar crianças em bons adultos.

Dennis Prager

Publicado por Charles Andrade

Filósofo (PhD), amante do saber, da estrada e da natureza. Pai de Catarina e Matias, casado com Mila.

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