Além de filosofia, futebol e fotografia (três das minhas maiores paixões desde sempre), durante uma fase da minha vida fui aficionado também por design gráfico. Nessa época, havia pensado em levar adiante um projeto que me parecia promissor: representar artisticamente os principais argumentos e ideias da história da filosofia na forma de gráficos, tabelas, diagramas, desenhos, ilustrações etc. As obrigações do mestrado e do doutorado nunca me permitiram ter o ócio necessário para levar a cabo e colocar no papel essa ideia, mas eu já havia pensado até mesmo em um slogan: “Transformando argumentos filosóficos em insights visuais”. Como se tratava de um material didático, pensei ainda em me aproveitar de um famoso dito popular na divulgação do projeto: “Entendeu ou quer que eu desenhe?”.
Para minha grata surpresa, não precisarei mais me dar ao trabalho porque alguém lá em Portugal teve praticamente a mesma ideia e, diferente de mim, a materializou. Em parceria com a Sociedade Portuguesa de Filosofia, o pessoal do site (ou sítio, como eles preferem) #EstudoEmCasa publicou o Conceituário Visual de Filosofia, que nada mais é do que um pequeno dicionário (apenas 84 páginas) de conceitos importantes da filosofia, no qual cada verbete é acompanhado por um desenho, uma representação artística e visual daquele conceito. Clique na imagem abaixo ou neste link para visualizar, compartilhar e/ou baixar em PDF.

Se você é da área de filosofia, mesmo um estudante de graduação, não crie muita expectativa: o público-alvo são alunos do ensino médio e pessoas leigas. A definição dos conceitos é bastante clara, suscinta e, o mais importante, correta. Os verbetes escolhidos (37 no total) são relevantes e muito importantes para qualquer um que busque uma introdução à filosofia. Já sobre a qualidade visual e artística das imagens, confesso que esperava um pouco mais e não fiquei muito satisfeito com o resultado. Não ficou bom como eu havia imaginado fazer, mas está feito: e, como dizem, o feito vale mais que o perfeito.
Na verdade, o simples fato de haver uma tentativa honesta de representar visualmente conceitos tão abstratos e avessos a qualquer visualização é um excelente ponto de partida para discussões muito frutíferas que podem ser desenvolvidas até mesmo em sala de aula. O próprio preâmbulo do ebook propõe perguntas desafiadoras: Será que a proposta visual ilustra convenientemente o conceito? Como fariam se estivessem no lugar do ilustrador? Teriam feito de outra maneira? Como e por quê? Porque não reúnem esforços também e não fazem o mesmo? Fica aí a sugestão. Parabéns aos envolvidos no projeto!

