Crônica atribuída ao filósofo, matemático e lógico americano — e, nas horas vagas, também mágico e pianista — Raymond Smullyan (1919-2017).
Certa vez, um filósofo teve o seguinte sonho. Primeiro apareceu-lhe Aristóteles, e nosso filósofo lhe disse: “Você pode me fazer um esboço sintético de quinze minutos sobre toda a sua filosofia?” Para surpresa do filósofo, Aristóteles fez uma excelente exposição, na qual comprimiu uma enorme quantidade de material em menos de quinze minutos. Depois, porém, o filósofo apresentou uma objeção para a qual Aristóteles não teve resposta. Confuso, Aristóteles desapareceu. Então, apareceu Platão. A mesma coisa tornou a acontecer, e a objeção do filósofo foi a mesma objeção oposta a Aristóteles. Platão também não conseguiu responder e desapareceu. Depois, todos os filósofos famosos da história apareceram, um por um, e nosso filósofo apresentou a todos a mesma objeção. Depois que o último filósofo desapareceu, nosso filósofo disse para si mesmo: “Sei que estou dormindo e sonhando com tudo isso. Mas encontrei uma refutação universal para todos os sistemas filosóficos! Amanhã, quando acordar, provavelmente eu a terei esquecido, e o mundo terá perdido algo excepcional!” Com esforço férreo, o filósofo forçou-se a levantar, correu para a sua escrivaninha e anotou sua refutação universal. Depois, voltou para a cama com um suspiro de alívio. Na manhã seguinte, ao acordar, correu até a escrivaninha para ver o que tinha escrito. Era: “Isso é o que você diz”.

