Dica do professor Dr. Daniel Durante (UFRN).
Quando vamos escrever um texto acadêmico aberto, que poderá ser lido por qualquer um, tal como uma monografia de graduação, uma dissertação de mestrado, uma tese de doutorado, um artigo acadêmico, um ensaio filosófico etc. é sempre bom imaginarmos dois tipos de leitores.
O primeiro deles é uma menina, de uns 12 anos, bastante esperta e curiosa, mas sem qualquer conhecimento prévio sobre o tema do texto ou qualquer outro assunto mais sofisticado. Escreva seu texto para esta menina. Ela é a sua leitora. É nela que você tem que pensar quando estiver escrevendo. Essa menina inteligente, mas sem qualquer conhecimento, tem que ser capaz de entender o que você está escrevendo. O texto tem que ser claro o suficiente para a menina entendê-lo.
Quando você terminar e considerar seu texto pronto para ser lido pela menina, faça o seguinte: retire a menina de sua imaginação e coloque, no lugar dela, um inimigo. O pior inimigo que você conseguir imaginar. Ao contrário da menina, este inimigo é um especialista. Sabe muito tanto sobre o tema do texto quanto sobre os mais variados assuntos. E usará todo seu vasto conhecimento para aproveitar qualquer oportunidade que tiver para criticar e atacar o seu texto. Então, o que você tem que fazer agora é corrigir, complementar, lapidar seu texto tendo em vista este inimigo como leitor. Você tem que tentar antecipar todas as críticas que seu pior inimigo faria sobre o seu texto e respondê-las todas. O texto tem que ser argumentado e embasado o suficiente para o inimigo não conseguir criticá-lo.
Esta estratégia, obviamente, não garante sozinha que o texto ficará bom, mas quando aplicada com compromisso, ela garante que o texto será o melhor que você consegue produzir com os conhecimentos que tem.

