Dama do gelo, a múmia siberiana de 2.500 anos encontrada com tatuagens e maconha

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Uma das múmias antigas mais intrigantes já descobertas e estudadas pelos arqueólogos é a que ficou conhecida como dama do gelo ou princesa siberiana, encontrada em 1993 por um grupo de pesquisa do Instituto de Arqueologia e Etnografia Russa em Novosibirsk. Ela foi encontrada numa tumba no planalto de Ukok, na Rússia, perto da fronteira com a China, onde hoje é a República Autônoma de Altai, uma região de ar severamente seco, o que ajudou a preservar a múmia em um ótimo estado de conservação. Em 2012, ela foi transferida para um mausoléu especial no Museu Nacional Republicano em Gorno-Altaysk, na Rússia. Embora o local em que a dama do gelo foi encontrada ainda possa preservar alguns artefatos históricos, o governo da Rússia proibiu novas escavações.

A dama do gelo viveu no século V a.C. e morreu por volta dos 25 anos de idade, muito provavelmente em decorrência de um câncer de mama, segundo um estudo de 2014. Entre os artefatos encontrados junto ao cadáver, havia um pote com maconha, o que levou os estudiosos a suporem que a droga teria sido usada para aliviar a dor crônica que a mulher teria sofrido. Ela foi uma representante da cultura Pazyryk, que prosperou entre os séculos VI e II a.C. nas estepes da Sibéria, e foi descrita pelo historiador grego Heródoto. Com base nos itens encontrados em sua câmara funerária, ela pode ter tido o status elevado de sacerdotisa em sua comunidade, ou era de uma linhagem nobre.

Em 2015, o suíço Marcel Nyffenegger recriou a face da mulher à partir do crânio, à pedido do Museu Histórico do Palatinado em Speyer, Alemanha. Foram usados materiais de taxidermia e plasticina, cobertos por silicone e uma resina de borracha, nos quais foram acrescentados sobrancelhas, cílios e 100 mil fios de cabelo.

Um dos aspectos mais curiosos da múmia são suas tatuagens extremamente bem preservadas, nas quais estão retratadas criaturas mitológicas. Entre os desenhos, há um cervo com o bico de um abutre, chifres decorados com cabeças de grifos e a boca de uma pantera. Segundo Natalia Polosmak, a cientista que descobriu a múmia, era comum naquela cultura que a primeira tatuagem fosse feita sempre no ombro. Ela afirma isso com segurança, já que todas as múmias encontradas naquela região com apenas uma tatuagem tinham o desenho justamente no ombro. Ela se diz surpresa pela pouca mudança que as tatuagens tiveram em dois milênios. Os mesmos padrões ainda são usados até hoje, tanto em relação ao tamanho, tipo de desenho e região do corpo.

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