Mais de 100 sarcófagos de 2.500 anos encontrados no Egito revelam múmias

Veja também: Descoberta da tumba de Tutancâmon no Egito

O governo do Egito anunciou em novembro a descoberta de mais de 100 sarcófagos de madeira que guardavam múmias bem preservadas de até 2,5 mil anos – além de dezenas de estátuas e máscaras funerárias, amuletos e um conjunto de hieróglifos que ajudam na identificação das múmias – próxima à pirâmide de Djoser, no sítio arqueológico de Saqqara, que fica 30 km ao sul da capital Cairo, é patrimônio mundial da UNESCO e no passado funcionou como necrópole da antiga cidade de Mênfis. Os achados foram considerados a maior descoberta arqueológica do ano. As últimas descobertas serão exibidas no GEM (Grande Museu Egípcio), que será inaugurado em 2021 no Cairo.

Em entrevista à revista Egypt Today, o egiptólogo Zahi Hawass explicou que os sarcófagos foram achados em tumbas verticais com mais de 12 metros de profundidade e provam que a necrópole foi local de descanso final para os faraós e sacerdotes da 26ª dinastia do Egito, que governou durante a chamada época baixa ou período tardio (664 a 332 a.C.). O ministro do Turismo e Antiguidades do Egito, Khaled el-Enany, anunciou que os caixões estão “em perfeitas condições de preservação”, conforme divulgou o The New York Times. “Saqqara ainda não revelou todo o seu tesouro – e é um tesouro enorme. As escavações estão em curso e, cada vez que descobrimos o vão de uma tumba, encontramos também outra e outra e outra”, destacou o ministro egípcio.

Para o arqueólogo brasileiro José Roberto Pelline, professor de arqueologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do projeto arqueológico brasileiro no Egito, a conquista merece destaque, pois é estritamente nacional. Por anos, o Egito foi desbravado por equipes estrangeiras, sobretudo da França e do Reino Unido. Porém, nas últimas décadas o governo egípcio aumentou o incentivo da produção científica nacional. “Para mim, o ponto alto da descoberta é que ela é liderada por cientistas egípcios. Pouco a pouco a arqueologia egípcia está se descolando dos estrangeiros”, diz. “Além disso, o governo investiu em publicidade para exaltar as descobertas, o que também aumenta o turismo no país”, aponta o professor.

Segundo Antonio Brancaglion, professor de arqueologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tudo que cerca o Egito no que diz respeito ao passado é repleto de mística, desde a concepção das pirâmides até a vida dos faraós, mas pouco se sabe sobre suas riquezas. “Temos pouco mais de 200 anos de ciência e descobertas arqueológicas. Enquanto isso, há mais de dois mil anos de mistérios para estudarmos. Saqqara marcou o início da arqueologia cientifica no século 19, foi onde criaram a primeira pirâmide do Egito, portanto, simboliza muito para a ciência”, conta.





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