Questões curiosas sobre a Bíblia

Por que a Bíblia católica tem 7 livros a mais? Quem dividiu a Bíblia em capítulos e versículos, tal como usamos hoje? Qual tradução da Bíblia é mais confiável? Essas e outras questões são respondidas de maneira simples e direta neste compilado.

Veja também: Qual a diferença entre os termos hebreu, judeu, israelita e semita?

pergaminho


Por que a Bíblia católica tem mais livros?

Muita gente simples tem essa dúvida e acaba acreditando em versões completamente equivocadas e parciais dadas pelos seus líderes religiosos, sejam eles católicos ou protestantes. Por isso, resolvi explicar essa questão aqui de maneira clara, sucinta e direta, para que seja facilmente entendida e finalmente esclarecida para os leigos.

A Bíblia protestante é constituída por 66 livros; 39 dos quais formam o Antigo Testamento (a Bíblia Hebraica, dos judeus), e 27 compõem o Novo Testamento. Já a Bíblia católica possui, além desses 66, outros sete livros completos (Tobias, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Baruque, Sabedoria e Eclesiástico) e alguns acréscimos aos livros de Ester (10:4 a 11:1 ou a 16:24) e Daniel (3:24-90; caps. 13 e 14). Todos esses livros e fragmentos adicionais, chamados de deuterocanônicos pelos católicos, e de apócrifos pelos protestantes, fazem parte do Antigo Testamento na Bíblia católica, de modo que o Novo Testamento é idêntico em ambas as Bíblias.

Os livros deuterocanônicos ou apócrifos foram produzidos, em sua maioria, durante os dois últimos séculos antes de Cristo; portanto, bem depois que o cânon da Bíblia Hebraica já estava concluído; daí serem chamados de “deuterocanônicos”. Embora nunca tenham feito parte da Bíblia Hebraica, porém, eles foram incorporados à tradução da Bíblia para o latim (Vulgata Latina) em 382 d.C., e declarados autênticos pelo Concílio de Roma, no mesmo ano. Essa versão preservou e popularizou os acréscimos durante a Idade Média. Em 1546, pouco depois da Reforma Protestante, o Concílio de Trento decretou que aqueles que não reconhecessem os acréscimos da Vulgata Latina como genuinamente sagrados e canônicos deveriam ser excomungados. Consequentemente, todas as versões católicas da Bíblia preservam até hoje esses escritos.

Os protestantes, por sua vez, reconhecem o valor histórico dos livros apócrifos, mas não os consideram como canônicos ou inspirados. Essa posição deriva do fato de tais escritos (1) não fazerem parte do cânon hebraico do Antigo Testamento; (2) não haverem sido citados por Cristo ou pelos apóstolos no Novo Testamento; e (3) apresentarem ensinamentos contrários ao restante das Escrituras. Entre esses ensinamentos estão as teorias da existência do purgatório (Sabedoria 3:1-9; contrastar com Salmo 6:5; Eclesiastes 9:5, 10); das orações pelos mortos (II Macabeus 12:42-46; contrastar com Isaías 38:18 e 19); de que anjos bons mentem (Tobias 5:10-14; contrastar com Mateus 22:30; João 8:44); de que os órgãos de um peixe, postos sobre brasas, espantam os demônios (Tobias 6:5-8; contrastar com Marcos 9:17-29); e de que as esmolas expiam o pecado (Tobias 12:8 e 9; Eclesiástico 3:30; contrastar com I Pedro 1:18 e 19; I João 1:7-9).


Quem dividiu a Bíblia em capítulos e versículos?

Como foi feita a divisão da Bíblia em capítulos e versículos? Nos livros originais não havia nada disso, nem separação entre as palavras, sem sinais de pontuação, nem vogais (no caso da Bíblia Hebraica). A necessidade de dividir o texto sagrado surgiu especialmente para facilitar a localização de passagens bíblicas. Houve diversos sistemas, tanto entre os cristãos como entre os judeus (Sedarim, Perashiyyot, Pesuquim).

A atual divisão da Bíblia em capítulos deve-se ao trabalho do clérigo inglês Stephen Langton, que foi chanceler da Universidade de Paris, em 1206, e se tornou Arcebispo da Cantuária, na Inglaterra, em 1207 (mas só assumiu o cargo em 1213, por causa de intrigas entre o Papa e o rei). Ele publicou uma versão da Vulgata (a tradução da Bíblia para o latim feita por Jerônimo) com a divisão dos capítulos que temos hoje. Algumas outras divisões anteriores já haviam sido feitas, mas foi a versão em capítulos de Langton, conhecida como “Bíblia Parisiense”, que vingou até hoje. Foi com essa divisão de capítulos, inclusive, que a tradução da Bíblia de Lutero foi impressa no século 16.

Já a divisão em versículos veio três séculos mais tarde pelo trabalho do redator, editor e impressor francês Robert Estiénne, também conhecido como Stephanus. Estiénne foi um homem erudito, conhecedor do latim, do grego e do hebraico, que se empenhou em revisar e editar uma versão crítica da Vulgata. Nestas edições da Bíblia, apontava erros de manuscritos, de tradução, entre outras notas. Por causa de seu trabalho, foi considerado um herege pela igreja católica e, diferente de outros colegas de profissão, conseguiu escapar da fogueira muitas vezes. Em 1550, se tornou ilegal a impressão de outras versões da Bíblia senão a Vulgata. Por isso, Stephanus foi residir em Genebra, na Suíça. Estiénne reeditou uma divisão feita por Pagnino de Lucca, um monge dominicano que, em 1541, havia repartido a Bíblia em 1527 versículos. O editor retocou os versículos do Antigo Testamento e reelaborou todo o Novo Testamento. Depois disso, aproveitou a divisão em capítulos de Langton e, em 1553, publicou, pela primeira vez, em francês, toda a Bíblia com as divisões que temos atualmente. Em 1555, fez a versão latina.

Uma ideia tão simples — ter capítulos e versículos numerados. Com isso, cada versículo bíblico tem um “endereço” único, como um CEP ou código postal. É verdade que esses capítulos e versículos às vezes dividem o texto bíblico em lugares estranhos. Mas essa divisão torna mais fácil citar e encontrar determinada passagem. A divisão em capítulos e versículos facilita muito as coisas. Mas lembre-se de que é importante entender toda a mensagem de determinado livro. Por isso, recomenda-se desenvolver o hábito de ler o contexto em vez de apenas versículos isolados.


Sobre a ordem dos quatro Evangelhos

Há um grave erro na ordem com que os quatro evangelhos foram convencionalmente dispostos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Ficasse eu responsável por dispô-los, faria assim: João, Mateus, Marcos e Lucas. Repare que eu apenas mudei a posição do evangelho de João, que, em vez de último, passa a ser o primeiro. Essa pequena mudança carrega consigo duas vantagens extraordinárias de que a humanidade tem sido privada. Em primeiro lugar, os dois livros do apóstolo Lucas (o evangelho e Atos dos Apóstolos) ficariam dispostos em sequência, como claramente queria o autor, haja vista serem um a continuidade do outro. Por fim, a abertura do Novo Testamento coincidiria de uma forma maravilhosamente bela com a do Antigo Testamento (“No princípio criou Deus” e “No princípio era o Logos”). Quanta beleza e significado foi perdido!


Qual tradução da Bíblia é mais confiável?

13 comentários em “Questões curiosas sobre a Bíblia

  1. Dentro do seio católico há variações também. Na ortodoxia (que aceita ou não o papado de Roma), por exemplo, há jurisdições que reconhecem alguns libros, outras não.

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  2. A igreja católica não tem 7 livros a mais, ela é completa. As outras denominações que retiraram os livros, ficando assim incompleta.
    O sentido das palavras mudam, e distorce a verdade.

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    1. Verdade pedi a resposta a Deus fui na missa e o padre parou a omelia e disse que ia responder a uma pergunta porque Deus pediu e diasse_ Irmão se algum dia algum irmão disse que a sua Bíblia tem 7 livros a mais não discuta só responda _ não a sua tem 7 livros a menos com que autoridade retirou e não sei pra quem mas vc sabe irmão tá falando pra vc que tinha essa dúvida e continuou a omelia

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      1. Agora não sei como são sete livros a menos que as outras denominações, se esses livros contradizem os outros livros da bíblia. Aí não tem como seguir dois deuses. Ou segue um Deus e uma verdade ou segue várias verdades de uma vez só. Esses livros não representam o Deus verdadeiro.

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    2. Na verdade,a biblia catolica que adicionou esses livros e alguns versiculos. Se vc for ver a biblia hebraica não existe Tobias,Macabeus e etc. Esses livros foram adicionados pela igreja catolica,e os propios livros vão contra eles mesmos. Exemplo,em Tobias vai falar que as esmolas expiam o pecado,ou seja,limpao pecado da pessoa,mas quem limpa realmente é o sangue do Cordeiro,Jesus. E entre outras citações.

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  3. É dito que o cânon da Biblia Hebraica já estava fechado mas na época dos apóstolos havia a versão Hebraica e a versão Alexandrina (ou dos 70), em grego, que continha todos os livros, VERSÃO ESTA USADA PELO APÓSTOLOS. Os judeus só entraram em consenso com relação ao seu Cânon no Sínodo de Jâmnia, já com um século de Cristianismo.

    https://cleofas.com.br/por-que-a-biblia-catolica-e-diferente-da-protestante/

    https://cleofas.com.br/o-canon-de-jamnia/

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    1. Fato que estuda bem pouco, uma das questões da Bíblia Hebraica não ter incluído os 7 livros é porque o cânon já estava fechado e os critérios eram demasiado nacionalistas, não considerando como verdadeiros os livros escritos fora do território da Terra Santa (Jerusalém). Porém, em contrapartida os apóstolos não só pregaram o evangelho de Cristo na terra Santa “Ide pelo mundo e o evangelho anunciai a toda criatura” Mc 16, 15-20

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  4. Prezados, na verdade ao tempo da definição dos livros que compõe as sagradas escrituras houve autoridade que realizou essa definição e essa autoridade chama-se Igreja Católica, todos sabem disso, o difícil é reconhecer. Se os protestantes aceitam o canon do novo testamento na forma estabelecida pela Igreja Catolica por que não aceitam os do mesmk modo os livros definidos por ela quanto ao antigo testamento? Ou quem tem autoridade para definir os livros do novo testamento, que são a chave de interpretação do antigo, não teria autoridade para estabelecer o conjunto de livros inspirados do antigo testamento? Quem pode o mais, pode o menos, não acham? Ou será que Deus inspirou Lutero e outros protestantes no apenas no sec. XVI, revelando-lhes o canon bíblico? Seriam eles mais inspirados que o Concílio de Nicéia? Abraços a todos.

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    1. Exatamente, Thiago. É fácil falar que na Bíblia hebraica não tem os 7 deuterocanônicos. Mas eles também aceitam os Evangelhos e as cartas apostólicas como Palavra de Deus? E, bem como mencionado anteriormente, os versículos apresentados não contradizem em nada em relação ao que as Escrituras estabelecem. De onde que Eclesiástico 3 fala para desonrar os pais? Que doideira é essa? Ele fala exatamente para honrar tanto o pai como a mãe. Depois diz que o anjo Rafael mentiu, quando na verdade, ele assumiu um outro nome e um aspecto humano devido à autorização de Deus. Se levássemos em consideração a mentira, então por que retrataríamos Abraão pedindo a sua esposa Sara para que dissesse ao faraó que ele não era seu marido, mas sim seu irmão, por exemplo? Quando a sua não menção pelos próprios apóstolos, cabe ressaltar que alguns profetas, como Abdias, ou o livro dos Cânticos, por exemplo, não foram citados pelos mesmos também, e, ainda assim, fazem parte das Escrituras.

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  5. Acho que só passa de má interpretação achar que contra diz. Porque Mateus diria uma coisa dessa:
    “Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente.” (Mt 6.1-4). Contudo, a despeito da aprovação explícita do ato de esmolar na Bíblia, não há qualquer referência de que isso apague os pecados, como afirma este livro apócrifo.

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