Jeitinho, gambiarra e soluções paliativas

José Brasileiro da Silva estava trabalhando no computador e o sistema operacional apresentava insistentemente uma mensagem de erro. Ao procurar na internet um tutorial de como resolver esse problema, tudo o que ele encontrou aos montes foram dicas de como apagar ou suprimir as notificações e não vê-las mais.

Voltando para casa, o painel do carro de José acendeu uma luz que, segundo o manual, era indicativa de um problema no sistema de emissões. Cauteloso como sempre, José passou em várias oficinas tentando resolver esse problema e todas elas ofereceram primeiro uma solução de como simplesmente apagar a luz do painel, sem sequer avaliar os componentes do sistema de emissão.

Quando finalmente chegou em casa, José sentiu uma dor e procurou um médico, que lhe receitou alguns remédios para tratar os sintomas e fazer cessar a dor, sem sequer investigar o que poderia estar causando aquela dor.

Como tem sido assim desde a sua infância, José Brasileiro já está até acostumado a nunca resolver de fato a causa de um problema. No seu país, isso nunca é prioridade. José vive no país do jeitinho, da gambiarra, do “migué”, das soluções paliativas. Se ele não vê o aviso, pode tranquilamente ignorar o problema, sem esperar que um dia o computador vai travar, o carro vai deixá-lo no prego e o seu coração vai resolver fazer uma greve e parar de trabalhar.

José Brasileiro da Silva é um nome fictício de um personagem que não existe. Na verdade, tudo isso aconteceu comigo em algum momento da minha vida.

A mensagem de erro do sistema operacional não é um problema, é o aviso do problema. A luz indicadora no painel não é um problema, é o aviso do problema. A dor que você está sentindo não é um problema, é o aviso do problema. Foque em resolver as causas reais e não meramente os avisos, sinais e sintomas.

Publicado por Charles Andrade

Filósofo (PhD), amante do saber, da estrada e da natureza. Pai de Catarina e Matias, casado com Mila.

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