A solidão amiga – Rubem Alves

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão desligada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão. O que mais você deseja é não estar em solidão. Mas deixa queContinuar lendo “A solidão amiga – Rubem Alves”

Os diálogos de Gabriel

Crônica de Gabriel Perissé para a revista Educação. A leitura apaga os limites entre espaços e épocas. Subitamente, eu me vi numa praça ateniense ao lado de várias pessoas mais ou menos reconhecíveis. Rostos estranhos e familiares ao mesmo tempo, rostos que aparecem em todos os sonhos, compostos por traços e linhas de semblantes queContinuar lendo “Os diálogos de Gabriel”

Crônicas sobre nossa percepção do tempo

Veja também: Sobre os nomes dos meses e dias da semana Reuni todas essas crônicas em um único post porque elas tratam de um assunto em comum: a nossa percepção do tempo. Não são sobre o tempo propriamente dito, enquanto categoria da física, da cosmologia ou da metafísica. São sobre a maneira como nós oContinuar lendo “Crônicas sobre nossa percepção do tempo”

Poema com palíndromos

O poema a seguir é de minha autoria. Digo isso não absolutamente, pois não criei nenhum desses versos. Após reunir todos os palíndromos que encontrei em língua portuguesa (55 no total), isolados e espalhados por diversas fontes, meu trabalho consistiu apenas em organizá-los, dispondo-os numa ordem lógica de modo a dar-lhes sentido semântico. Gostei do resultado eContinuar lendo “Poema com palíndromos”

Os grandes contra os pequenos

Crônica de Rubem Alves. Vou contar uma estória que aconteceu de verdade. Sobre um menininho de oito anos, meu amigo. Passei, por acaso, na cidade onde ele mora. O avião chegou tarde. Seus pais foram me esperar no aeroporto. Enquanto íamos para casa, perguntei: “Então, e o Gui, como vai?”. “Ah! Não vai bem, não”, revelouContinuar lendo “Os grandes contra os pequenos”

O poder da vírgula

Crônica de Martha Medeiros publicada no jornal Zero Hora do dia 06 de agosto de 2008. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) completou 100 anos e aproveitou para lançar uma campanha muito útil a todos os brasileiros, não só aos jornalistas. Ela defende o uso correto da vírgula. Todas as pessoas alfabetizadas escrevem. E-mails, bilhetes, cartões, teses, contratos, receitas, blogs… AlgumasContinuar lendo “O poder da vírgula”

As proezas de João Grilo

Estes versos são talvez os mais famosos e icônicos da literatura de cordel. Lembro que meu avô lia isso pra mim na infância (boa parte ele apenas recitava, pois sabia de cor). A autoria é do cordelista paraibano João Martins de Athayde (1880-1959). O personagem João Grilo foi quem inspirou o protagonista homônimo de “O Auto daContinuar lendo “As proezas de João Grilo”

Para bom bebedor, meia garrafa basta

Crônica de Fernando Sabino. A primeira vez que provei bebida alcoólica foi aos 11 anos. Estávamos acantonados nos galpões vazios da antiga Feira de Amostras, ali onde é hoje o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Havia latas de doce vazias, invólucros sem conteúdo, rótulos sem produto, restos da última exposição: nada que satisfizesseContinuar lendo “Para bom bebedor, meia garrafa basta”

Um pouco distraído – Fernando Sabino

Ando um pouco distraído ultimamente. Alguns amigos mais velhos sorriem, complacentes, e dizem que é isso mesmo, costuma acontecer com a idade, não é distração: é memória fraca mesmo, insuficiência de fosfato. O diabo é que me lembro cada vez mais de coisas que deveria esquecer: dados inúteis, nomes sem significado, frases idiotas, circunstâncias ridículas,Continuar lendo “Um pouco distraído – Fernando Sabino”

Sonetos de Augusto dos Anjos

No centenário da morte do maior poeta paraibano, Augusto dos Anjos (1884-1914), compartilho com vocês nove de seus melhores sonetos. Saboreie a poesia, aprendendo a apreciar inclusive o gosto amargo de seus versos fúnebres, viscerais e verminais. Versos íntimos Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a ingratidão – esta pantera – Foi tuaContinuar lendo “Sonetos de Augusto dos Anjos”