Quantas pessoas já viveram no mundo?

humanidade-terraHoje, o nosso planeta conta com uma população estimada em cerca de 7 bilhões de habitantes. Mas, se considerássemos todos os seres humanos que já passaram sobre a face da Terra desde o surgimento do Homo sapiens, há 50 mil anos, quanta gente teria vivido neste mundo? O pessoal do Population Reference Bureau decidiu calcular quantas pessoas já habitaram o nosso planeta, considerando os dados disponíveis — e muitas estimativas — sobre o crescimento populacional global. Essas informações foram obtidas através da seleção do tamanho da população em diferentes períodos (da antiguidade até os tempos modernos) e, depois, aplicando-se os prováveis índices de nascimentos para cada período.

O cálculo está baseado em estimativas aproximadas, e chegar até ao número de habitantes total é bem complicado. Para começar, não é tão simples assim determinar exatamente quando os humanos surgiram na Terra. Outra complicação é que só existem registros estatísticos significativos referentes à população mundial há 2 ou 3 séculos. Até meados do século 18, poucos governos realizavam censos precisos. Portanto, todas as estimativas relacionadas com a antiguidade foram feitas com base em registros relacionados a grupos que pagavam impostos ou indivíduos alistados em serviços militares, por exemplo. Nesse caso, a margem de erro é maior.

Mais aspectos críticos levados em consideração foram a expectativa de vida e a mortalidade infantil que, como você pode imaginar, também variam bastante ao longo da História. Então, para o cálculo, estimou-se que a expectativa de vida ao nascer provavelmente variou numa média de 10 anos aproximadamente durante a maior parte da história da humanidade, o que significa que cerca de 40% de todas as crianças que já nasceram não viveram mais de 1 ano. Assim, considerando um índice de crescimento constante até os tempos modernos, os cálculos realizados pelo pessoal do PRB apontaram que aproximadamente 108 bilhões de pessoas nasceram desde o surgimento dos seres humanos, mais de 15 vezes a população atual do planeta. Isso significa que a população atual representa perto de 6,5% de todo mundo que já viveu aqui na Terra.


O Homo sapiens surgiu na África e iniciou seu processo de migração para fora do continente por volta de 200 mil a 90 mil anos atrás. O número total de indivíduos da espécie permaneceu baixo (menos de um milhão) até o início da Revolução Agrícola, que aconteceu há cerca de 10 mil anos. Com o crescimento da produção agrícola e o surgimento das primeiras cidades, a população mundial, aproveitando a ampla disponibilidade de recursos naturais, chegou a 5 milhões por volta de 8 mil anos atrás.

No ano do nascimento de Jesus Cristo, no início da Era Cristã, estima-se que a população mundial era de 170 milhões. Por volta do ano 1000 chegou à marca de 330 milhões. Por volta de 1350 chegou a 370 milhões e, pela primeira vez na História, teve uma queda devido à pandemia da peste bubônica, que pode ter matado até 200 milhões de pessoas. Já no século XV, porém, alcançamos a marca de 450 milhões de pessoas, levando apenas mais 1500 anos para dobrar esse número. Por volta do ano 1800, com a Revolução Industrial, atingimos a marca do primeiro bilhão de pessoas no mundo. Ou seja, demorou cerca de 300 mil anos para a humanidade atingir a marca de um bilhão de pessoas.

Depois disso, a curva exponencial de crescimento explodiu. A marca de 2 bilhões foi atingida em 1930. Em 1959 éramos 3 bilhões, depois 4 bilhões em 1974, 5 bilhões em 1987, 6 bilhões em 1998 e 7 bilhões em 2011. Ou seja, nas últimas décadas, a humanidade tem adicionado um bilhão de habitantes no planeta a cada 12 ou 13 anos.

Segundo estimativas, a marca de 8 bilhões deve ser atingida em 2024. E mesmo já tendo ultrapassado a capacidade de carga do planeta e já tendo dificuldades de garantir a segurança alimentar e a manutenção da biodiversidade na Terra, as projeções indicam que a população mundial pode chegar a mais de 11 bilhões antes do ano 2100. A projeção está na edição de 2019 do World Population Prospects (WPP), relatório da ONU.


Explosão demográfica

Trecho do livro Aprendendo Inteligência, do professor Pierluigi Piazzi.

Quando eu tinha uns nove anos, um professor propôs o seguinte problema: “Dentro de uma garrafa, cheia de um líquido nutritivo, cai um micróbio. O micróbio se alimenta, cresce e se divide em dois. Os dois se alimentam, crescem e, por sua vez, se dividem dando origem a quatro micróbios. Verificamos que o número de micróbios duplica de minuto em minuto. Sabemos que o primeiro micróbio caiu na garrafa à meia-noite e que a garrafa chegou a se encher pela metade de micróbios em quatro horas, ou seja, ela está pela metade às quatro horas da manhã. A que horas ela estará totalmente cheia?”.

E todos nós, trouxas, caímos na armadilha e respondemos quase em coro: “Às oito horas”. Com muita paciência, o professor nos explicou que, se o número de micróbios duplicava a cada minuto, em apenas mais um minuto a garrafa, que já estava pela metade, iria se encher completamente. A resposta correta, portanto, seria: “Às quatro horas e um minuto!”. Nesse momento, senti a saudável sensação de ser um verdadeiro tonto (sensação essa que se repetiria frequentemente ao longo de minha existência).

O episódio, porém, teria sido completamente esquecido se, muitos anos mais tarde, eu não tivesse lido um artigo escrito por alguém que com certeza conhecia a história dos micróbios. Em resumo, a história começava com a garrafa pela metade e um micróbio político fazendo um pronunciamento ao vivo pela televisão:

“Minhas compatriotas e meus compatriotas! Já faz muito tempo, quatro longas horas para ser exato, que nosso ancestral comum chegou nessa garrafa deserta e, com corajoso espírito pioneiro, a colonizou. Nossa estirpe orgulhosamente cresceu, apesar dos gritos de estúpidos ambientalistas que ficam bradando contra o que eles denominam ‘crescimento desordenado’. Será que eles não enxergam que, no decorrer de toda a nossa história, só consumimos a metade do espaço e dos recursos disponíveis? Toda a outra metade está virgem e intocada para as gerações seguintes! Além disso, para calar esses pessimistas, quero dar uma excelente notícia: Nossa agência espacial enviou algumas sondas para exploração no espaço extragarrafal e descobriu nas vizinhanças seis garrafas idênticas à nossa, completamente desertas e cheias de líquido nutritivo, para as quais já transferimos alguns corajosos colonos. Portanto, se já consumimos o espaço e a comida de apenas meia garrafa em toda a existência de nossa nação, as gerações futuras irão dispor de muitas e muitas eras antes de começar e se preocupar, dando ouvidos a esses chatos dos ambientalistas. Se algum dia nossa garrafa ficar cheia, transferiremos num instante as duas metades da população em duas garrafas virgens.”

Sob aplausos entusiásticos, nosso personagem desce do palanque, sorrindo e acenando para a multidão. Apenas três minutos depois, todos os micróbios de todas as garrafas começam a morrer de fome! “Bonita história”, você dirá. “Mas o que isso tem a ver comigo?”. Pois é, meu caro leitor, você já deve ter ouvido algum professor de história dizendo que devemos estudar o passado para não cometermos os mesmos erros no presente. Acontece que há um erro que jamais foi cometido no passado e que, pela primeira vez na história da humanidade, está sendo cometido agora. E não por falta de aviso. Entre no Google e dê uma pesquisada sobre um tal de Thomas Robert Malthus (1766-1834). Ele certa vez alertou: “A população, quando não controlada, cresce em razão geométrica. Recursos de subsistência crescem apenas em razão aritmética”.

Bem vindo à explosão demográfica! O planeta Terra, nossa garrafa, está se degradando aceleradamente: poluição, desmatamento, buraco na camada de ozônio, aquecimento global devido ao efeito estufa… E as coisas vão piorar! Duvida? Então ouça, a partir desse alerta, os discursos dos políticos: todos eles falam em “crescimento econômico”. Agora entre no Google e digite: “Lemingue”. Leia o que vier e medite um pouco. Depois de meditar, entre no site da WWF e leia alguns relatórios muito esclarecedores. Baseadas nesses dados, todas as escolas, numa falta de originalidade até benéfica, propõem trabalhos sobre o que é considerado o recurso mais escasso do século 21: água potável. Na realidade, há tanta água potável no século 21 quanto havia nos séculos anteriores. O que há de diferente é o excesso de pessoas querendo beber. O bem mais escasso do século 21 não é água, é inteligência!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s